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VIVENDO MAIS COM ALGUNS AMINOÁCIDOS SEM SE FAZER ATIVIDADE FÍSICA. Será Que É Verdade?

VIVENDO MAIS COM ALGUNS AMINOÁCIDOS SEM SE FAZER ATIVIDADE FÍSICA. Será Que É Verdade?

Edição Vol. 3, N. 4, 15 de Dezembro 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.12.16.003

Impulsionado pela busca da juventude eterna, a humanidade passou séculos obcecada com a questão de como é que exatamente envelhecemos. Com os avanços nos métodos de genética molecular, que é a tecnologia de como se descobre genes e sua relação com o meio ambiente (doença ou saúde), nas últimas décadas, a busca dos genes envolvidos no processo de envelhecimento tem sido muito acelerada.

Até agora, essas pesquisas foram principalmente limitadas a genes de organismos modelos simples, isto é, um organismo menor, com menos células e fácil de se estudar em laboratório, tais como o nematodo Caenorhabditis elegans, um verme que revelou que cerca de 1% dos seus genes podem influenciar na expectativa de vida (Figura 1) (1) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/terapia-genica-editando-genomas-para-curar-doencas/). No entanto, os pesquisadores acreditam que tais genes surgiram no curso da evolução e em todos os seres vivos cujas células têm um núcleo preservado (seres eucarióticos) – desde uma levedura até aos seres humanos.

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Figura 1: Um novo estudo relata a descoberta de genes que estão envolvidos no envelhecimento físico. Ao influenciar apenas um destes genes, o tempo de vida saudável dos animais de laboratório foi estendido – e, possivelmente, a dos seres humanos também. Imagem: DNA Background de Shutterstock.

VASCULHANDO OS 40.000 GENES

Pesquisadores da ETH Zurique em conjunto com o consórcio JenAge de Jena, liderados peloProfessor Michael Ristow, avaliaram sistematicamente os genomas de três organismos diferentes em busca dos genes associados com o processo de envelhecimento que estão presentes em todas as três espécies – e, portanto, derivados dos genes de um ancestral comum (2, 3) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/o-habito-de-tomar-cafe-e-genetico/). Embora eles estejam presentes em organismos diferentes, estes genes ortólogos, isto é, genes encontrados em organismos diferentes, mas que têm a mesma origem, a partir de um ancestral comum, estão estreitamente relacionados uns com os outros, e todos eles também são encontrados nos seres humanos.

A fim de detectar esses genes, os pesquisadores examinaram cerca de 40.000 genes no nematodo C. elegans, no peixe zebrafish e em camundongos. Fazendo um rastreamento deles, os cientistas queriam determinar quais genes são regulados de maneira idêntica em todos os três organismos em cada fase comparável do envelhecimento – jovens, adultos e velhos; ou seja, se os genes estavam sobreregulados (com alta atividade), ou se os genes estavam subregulados (com baixa atividade), durante o envelhecimento.

Como uma medida da atividade gênica, os pesquisadores mediram a quantidade de moléculas de RNA mensageiro (RNAm) encontrados nas células destes animais. O RNAm é uma molécula resultante da transcrição de um gene, isto é, um gene é a unidade do genoma, quando o gene está ativo ele produz o RNAm, e este leva à produção da proteína (4) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/o-papel-do-rna-no-splicing-mais-uma-evidencia-do-mundo-do-rna/). Quando há muitas cópias de um RNAm de um gene específico, isto significa que este gene é muito ativo; o gene é regulado positivamente ou sobreregulado. Menos cópias de mRNA, ao contrário, são considerados como um sinal de baixa atividade.

Dentro deste volume de informações, os pesquisadores usaram modelos estatísticos para estabelecer uma relação dos genes que foram regulados da mesma forma nos vermes, peixes e camundongos. Isso mostrou que os três organismos têm apenas 30 genes, dentre 40 mil, que são comuns em influenciar de forma significativa o processo de envelhecimento.

REDUZINDO A ATIVIDADE DO GENE, PODE-SE VIVER MAIS TEMPO?

Realizando-se experimentos em que os RNAm destes 30 genes correspondentes foram bloqueados ou inibidos seletivamente, isto é, um por vez, os cientistas identificaram seus efeitos sobre o processo de envelhecimento em nematodos. Em uma dúzia desses genes, a inibição deles resultou no aumento da vida útil ou da expectativa de vida em pelo menos 5% (5). Pode não parecer muito, mas quem está à beira da morte com 90 anos, por exemplo, teria mais 4,5 anos de vida… se fosse você ia querer?

No entanto… Um destes genes provou ser particularmente influente: o gene bcat-1. Quando este foi bloqueado, a expectativa média de vida do nematodo aumentou estrondosamente em até 25%! Ah, sim. Este é um tremendo aumento! No caso de uma pessoa com 90 anos, ela poderia chegar aos 112,5 anos. 

Os pesquisadores também foram capazes de explicar como funciona este gene: o gene bcat-1 contém o código que produz o RNAm que leva à produção da enzima (proteína) que tem o mesmo nome, que degrada os chamados aminoácidos de cadeia ramificada (em inglês, bcatbranched-chain amino acids). Estes aminoácidos são como tijolos ou unidades que formam as proteínas do nosso corpo, e estão presentes nos alimentos. Eles são os aminoácidos L-leucina, L-isoleucina e L-valina. Muito interessantemente são os mesmos aminoácidos usados para se adquirir massa muscular, muito usados em suplementos alimentares tomados em academias de musculação! Como o tal do BCAA e vários outros… não perca tempo comprando isso. É muito caro. E esses aminoácidos estão presentes na alimentação (Figura 2).

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Figura 2: Através de estudos com o verme C. elegans foi possível descobrir que o desligamento do gene bcat, que quebra os aminoácidos de cadeia ramificada (L-leucina, L-valina e L-isoleucina), leva ao aumento da expectativa de vida com saúde. Figuras da internet.

Quando os pesquisadores inibiram a atividade do gene de bcat-1, os aminoácidos de cadeia ramificada acumularam-se nos tecidos, desencadeando uma cascata de sinalização molecular para o aumento da longevidade nos nematodos. Além disso, o período de tempo durante o qual os vermes permaneceram saudáveis ​​foi estendido. Isto é, além de viver 25% de tempo a mais, você viverá com mais saúde! Como medida da vitalidade, os pesquisadores mediram o acúmulo de pigmentos de envelhecimento (pessoas mais velhas têm mais manchas na pele), a velocidade com que os animais se moviam (uma pessoa idosa anda muito mais lentamente que um jovem), e com qual frequência os nematodos se reproduziam com sucesso (uma senhora idosa dificilmente terá um filho saudável). Todos estes parâmetros melhoraram quando os cientistas inibiram a atividade do gene bcat-1 (5).

Poxa, então se eu tomar os suplementos alimentares para musculação minha expectativa de vida pode aumentar?

Vamos com calma… Os cientistas também conseguiram um efeito de prolongamento da vida quando eles misturaram os três aminoácidos de cadeia ramificada em alimentos dos nematoides. No entanto, o efeito foi menos pronunciado, ou menor, porque o gene bcat-1 ainda estava ativo, o que significa que os aminoácidos continuaram a serem quebrados ou degradados e os seus efeitos de prolongamento de vida não poderiam desenvolver-se de forma tão eficaz.

MECANISMO CONSERVADO

Certamente que o mesmo mecanismo de prolongar a vida em vermes também ocorra em seres humanos. Os pesquisadores analisaram apenas os genes que são conservados durante a evolução e, portanto, que estão presentes em todos os organismos, incluindo os seres humanos.

Nesta pesquisa, os cientistas propositadamente optaram por não estudar o impacto sobre os seres humanos. Mas um estudo de acompanhamento já está sendo planejado. E por que não? Não é possível medir a expectativa de vida em seres humanos por razões óbvias… como o estilo de vida e a genética das pessoas. Em vez disso, os pesquisadores planejam incorporar vários parâmetros de saúde, como os níveis de colesterol ou açúcar no sangue em seu estudo para a obtenção de indicadores sobre o estado de saúde de seus pacientes.

OS CUSTOS DA SAÚDE PODERIAM SER MACIÇAVAMENTE REDUZIDOS, MAS NOSSOS GOVERNOS NÃO ENTENDEM…

Toda essa pesquisa poderia muito bem ser realizado no Brasil, porém há um custo na sua realização, assim como para todas as descobertas e inovações em todo o mundo. Entretanto, nossa “pátria educadora” não se interessa em investir no desenvolvimento social, intelectual e tecnológico de nosso país. Todos os investimentos em pesquisas foram absurda e covardemente cortados para dar lugar à construção e manutenção das regalias dos políticos. O pior é que colocam pessoas cientifica e administrativamente despreparadas em cargos estratégicos, simplesmente por serem partidários políticos. Exatamente por isso que o Nanocell News vem colaborar para com o progresso da ciência e educação no Brasil.

Os múltiplos aminoácidos de cadeia ramificada já estão sendo usados para tratar lesões no fígado e também são adicionados aos produtos de nutrição esportiva. No entanto, o ponto não é para as pessoas viverem por mais tempo, mas sim para se manterem saudáveis por mais tempo. O estudo irá fornecer indicadores importantes sobre como o processo de envelhecimento pode ser influenciado e como doenças relacionadas à idade, como diabetes ou pressão arterial elevada (pressão alta) podem ser evitadas. À luz dos dados demográficos desfavoráveis ​​e de que a expectativa de vida tenha aumentado continuamente, é importante estender a fase de vida saudável, sem doenças crônicas como diabetes, hipertensão, doenças degenerativas entre outras, presentes quando se tem idade avançada. Com tais medidas preventivas, uma pessoa idosa poderia melhorar muito a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, reduzindo os custos de saúde por mais do que a metade.

QUAIS ALIMENTOS TÊM AMINOÁCIDOS DE CADEIA RAMIFICADA?

A leucina e isoleucina, juntamente com a valina, são aminoácidos de cadeia ramificada. Estes aminoácidos são de grande interesse para os atletas, como eles podem ajudar na recuperação muscular após um treino intenso, de acordo com o Dr. Yoshiharu Shimomura em fevereiro de 2006 no volume de “The Journal of Nutrition” (Figura 3). 

Screen Shot 2015-12-16 at 12.49.03 PM Figura 3: Alimentos que contêm os aminoácidos de cadeia ramificada. Veja o texto. Figuras da internet.

PRODUTOS DE SOJA

Os produtos de soja oferecem uma fonte de proteína completa, porque eles são os únicos alimentos de origem vegetal que contêm proteínas nutricionalmente completas. A proteína de soja isolada fornece 1,9 g de leucina e 1,5 g de 1-isoleucina, tornando este produto de soja um dos alimentos mais ricos em fontes de aminoácidos de cadeia ramificada. 

CARNES E PEIXES

As carnes e peixes contêm proteínas nutricionalmente completas com muitos aminoácidos de cadeia ramificada. Uma porção de bife fornece quase 0,7 g de leucina e 0,4 g de isoleucina. O atum também é abundante nestes aminoácidos, com 0,5 g de leucina e 0,3 g de isoleucina. O frango assado e peru assado contêm 0,4 g de leucina e quase 0,3 g de isoleucina.

PRODUTOS LÁCTEOS E OVOS

O queijo cheddar têm altos teores de leucina e isoleucina, com 0,7 e 0,4 g de cada um, respectivamente. O queijo cottage também é uma fonte rica destes aminoácidos, contendo 0,4 g de leucina e 0,2 g de isoleucina em uma porção. Os ovos contêm uma quantidade similar de aminoácidos de cadeia ramificada como o queijo, com a maior parte desses nutrientes localizados na clara de ovo. Em comparação, leite e iogurte oferecem 0,2 g de leucina e 0,1 g de isoleucina.

LEGUMES

Leguminosas, enquanto relativamente ricas em proteínas, não fornecem proteínas nutricionalmente completas à sua dieta. No entanto, elas oferecem quantidades moderadas de aminoácidos de cadeia ramificada. Lentilhas, feijão preto e feijão pinto fornecem apenas 0,2 g de leucina e quase 0,1 g de isoleucina. Enquanto a maioria das fontes de proteínas de origem animal fornecem quantidades maiores de aminoácidos de cadeia ramificada do que as fontes vegetais de proteínas, os legumes são ricos em fibras e têm baixo teor de gordura.

Fonte: Peter Rüegg, ETH Zurich

Referências

1.Tonelli FCP, Resende RR. TERAPIA GÊNICA: editando genomas para curar doenças! Nanocell News. 2014;1(15).

2.Resende RR. A HOMOSSEXUALIDADE PODE SER DESENVOLVIDA NO ÚTERO DEVIDO ÀS MUDANÇAS EPIGENÉTICAS. Nanocell News. 2014;1(8).

3.Resende RR. O HÁBITO DE TOMAR CAFÉ É GENÉTICO. Nanocell News. 2014;2(3).

4.Santos AK, Resende RR. O PAPEL DO RNA NO SPLICING: mais uma evidência do “MUNDO DO RNA”. Nanocell News. 2014;1(5).

5.Mansfeld J, Urban N, Priebe S, Groth M, Frahm C, Hartmann N, et al. Branched-chain amino acid catabolism is a conserved regulator of physiological ageing. Nature communications. 2015;6:10043.

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