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VITAMINA D PODE PREVENIR DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO

VITAMINA D PODE PREVENIR DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO

Edição Vol. 3, N. 14, 10 de Agosto de 2016

Felipe Fernandes Correia, Natália Dal Ré Nogueira, Alexandre Hiroaki Kihara, Vera Paschon

Laboratório de Neurogenética / Núcleo de Cognição e Sistemas Complexos / Centro de Matemática, Computação e Cognição / Universidade Federal do ABC

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.08.11.005

Vitamina D é o nome dado a um grupo de esteroides exógenos que desempenham importante papel na absorção intestinal de cálcio, ferro, magnésio, fosfato e zinco, além de atuarem no sistema imunológico, muscular e nervoso. Existem cinco tipos de vitamina D, sendo as vitaminas D2 e D3 de maior importância para o ser humano. Como estas não são sintetizadas no organismo é necessário adquiri-las, sendo que 90% da absorção ocorre por meio da luz solar e 10% pela ingestão de alimentos como leite e ovos (Figura 1). Devido sua importância para o correto funcionamento do organismo, desde o século passado já se vem estudando as relações desse grupo de vitaminas com a saúde, entretanto, apenas recentemente, pesquisadores conseguiram associar a baixa concentração sanguínea de vitamina D com diversas desordens do sistema nervoso incluindo a doença de Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e outras.

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Figura 1: Meios de obtenção natural de vitamina D. A vitamina D pode ser obtida majoritariamente através da luz solar e pode ser complementada pela ingestão de peixes de águas frias, ovos, leite e outros.

DOENÇA DE ALZHEIMER

A doença de Alzheimer é uma das demências (doença neurodegenerativa que afeta progressivamente a capacidade de pensar e a memória do paciente) mais comum hoje em dia, atingindo cerca de 35,5 milhões de pessoas no mundo segundo a IAB (Instituto Alzheimer Brasileiro). O principal sintoma é a perda progressiva da memória e segundo um estudo americano (veja mais em VITAMINA D PODE REDUZIR O RISCO DA DOENÇA DE ALZHEIMER E DEMÊNCIAS) que acompanhou 1658 pacientes de 68 anos por seis anos, está intimamente ligada à baixa concentração de vitamina D no organismo. O estudo foi composto por análises do produto da vitamina D, 25-hydroxyvitamin D (25(OH)D) no soro sanguíneo dos pacientes. Após seis anos, 102 dessas pessoas desenvolveram Alzheimer e 69 desenvolveram outros tipos de demência, sendo que todos apresentaram baixos níveis desse produto circulante na corrente sanguínea, sugerindo que o baixo nível de vitamina D está relacionado com o aumento de chances no desenvolvimento de demências, o que inclui o Alzheimer.

PARKINSON

O Parkinson é uma doença neurodegenerativa cujos principais sintomas são o tremor, a dificuldade em iniciar movimentos, rigidez e instabilidade na postura. A doença se desenvolve por conta da diminuição de neurônios dopaminérgicos em regiões especificas do cérebro e é aí que a vitamina D entra. Um estudo realizado na Universidade de medicina de Kentucky (University of Kentucky College of Medicine) mostrou que ratos tratados com vitamina D3 tiveram menor perda de neurônios produtores de dopamina comparados ao grupo controle em regiões cerebrais como corpo estriado e substância nigra. O estudo consistiu em injetar vitamina D3 em ratos por um período específico, seguido de 6-OHDA, droga que desencadeia os sintomas do Parkinson no animal, e após quatro semanas avaliou-se  os níveis de dopamina nas regiões do cérebro. Existiam três grupos: Controle – receberam soro fisiológico ao invés de vitamina D3; Curto período – receberam vitamina D3 por oito dias antes da injeção de 6-OHDA e Longo-período – receberam vitamina D3 por sete dias antes da injeção de 6-OHDA e também durante as quatro semanas após o tratamento. Os ratos que tiveram menor perda de dopamina foram os do grupo longo período, sugerindo assim que a ingestão de vitamina D em quantidades adequadas, antes e após o Parkinson, é neuroprotetora para as células produtoras de dopamina.

ESCLEROSE MÚLTIPLA

A esclerose múltipla é uma doença neurodegenerativa que tem como principal sintoma a desmielinização crônica dos neurônios do sistema nervoso central (Figura 2). Ou seja, o neurônio perde progressivamente a proteção do seu axônio, bainha de mielina, que além de proteger também auxilia na transmissão dos impulsos nervosos, resultando na perda de função ou até na morte do neurônio.

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Figura 2: Processo de desmielinização na esclerose múltipla. Ilustração da bainha de mielina e comparação entre axônio normal e axônio com bainha danificada por conta da doença. Disponível em: http://s.hswstatic.com/gif/multiple-sclerosis-demyelinization.gif

A causa dessa doença ainda é desconhecida, porém já é possível fazer associação com alguns fatores genéticos e externos, incluindo os níveis de vitamina D. As primeiras ideias de estudar a relação da desordem com a vitamina D surgiram em meados de 1920 quando pesquisadores observaram que quanto mais distante da linha do equador, maior era a incidência de casos de esclerose múltipla, Ou seja, quanto menor a exposição aos raios UV provenientes do sol, menor a produção de vitamina D e assim menor concentração do metabolito da vitamina circulando na corrente sanguínea e maior risco de desenvolver a esclerose. Com essa ideia, foi realizado um estudo nos Estados Unidos com 315 militares que tinham a doença ou que provavelmente desenvolveriam, foram colhidas amostras de sangue e analisou-se os níveis de 25(OH)D. Depois compararam com  pacientes controles, sem a doença, mesma idade e raça e observaram que o risco de desenvolvimento de esclerose múltipla diminui com o aumento dos níveis de 25-hydroxyvitamin D, sugerindo assim que a vitamina D pode ser importante para a prevenção dessa doença.

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)

Existem diversos estudos apontando possíveis benefícios da Vitamina D em casos preventivos ou pós-derrame. Ele ocorre devido à interrupção do fluxo sanguíneo em uma determinada área do cérebro, consequentemente o déficit de oxigênio leva a morte das células do sistema nervoso e, assim também, às sequelas que o indivíduo adquire, tais como perda de memória ou da função muscular. Existem dois tipos de derrame: o isquêmico, causado pelo entupimento de algum vaso sanguíneo, e o hemorrágico, causado pelo rompimento do vaso e extravasamento sanguíneo.

Um estudo clínico realizado na Turquia verificou que a vitamina D pode influenciar positivamente na recuperação de indivíduos que apresentaram os dois tipos de derrame entre 2012 e 2014. Os pacientes foram divididos em dois grupos: aqueles que sofreram de derrame isquêmico e outros que sofreram de derrame hemorrágico. O estudo foi baseado em analisar a relação entre a recuperação das sequelas e os níveis de 25(OH)D. Os resultados das análises mostraram que altos níveis de 25(OH)D estavam associados aos pacientes com maior recuperação motora e cognitiva em ambos os grupos (isquêmicos e hemorrágicos).

Outro estudo interessante realizado na China observou a relação entre níveis de vitamina D e depressão pós-derrame (DPD), distúrbio que afeta diretamente a recuperação do paciente, podendo piorar as consequências funcionais que o derrame acarreta, além de aumentar as chances de outro AVC ocorrer. Os testes foram realizados em pacientes que sofreram de derrame agudo isquêmico sete dias antes da admissão para a pesquisa, os indivíduos foram separados em três grupos: pacientes que sofreram derrame, mas nos quais não foi identificada DPD, pacientes vítimas de derrame com DPD e o grupo controle. Através das amostras de sangue, observou-se diferença significante nos níveis de vitamina D entre os dois grupos que sofreram derrame, nas quais baixos níveis foram encontrados no grupo de pacientes que apresentavam DPD, indicando que a vitamina D pode ter papel importante na recuperação dos pacientes.

Com tudo isso podemos perceber que a vitamina D é importante para uma mente e corpo saudáveis e para obtê-la não precisamos de muito. Segundo especialista, apenas quinze a vinte minutos de sol, sem proteção, entre as 09:00 horas e 15:00 horas já é o suficiente para manter ótimos níveis da vitamina no organismo e usufruir de todos os benéficos que ela oferece.

Referências:

  1. Peterson, A. L. (2014). “A review of vitamin D and Parkinson’s disease.” Maturitas 78(1): 40-44.
  2. Yeshokumar, A. K., D. Saylor, M. D. Kornberg and E. M. Mowry (2015). “Evidence for the Importance of Vitamin D Status in Neurologic Conditions.” Curr Treat Options Neurol 17(12): 51.
  3. Littlejohns, T. J., W. E. Henley, I. A. Lang, C. Annweiler, O. Beauchet, P. H. Chaves, L. Fried, B. R. Kestenbaum, L. H. Kuller, K. M. Langa, O. L. Lopez, K. Kos, M. Soni and D. J. Llewellyn (2014). “Vitamin D and the risk of dementia and Alzheimer disease.” Neurology 83(10): 920-928.
  4. Munger, K. L., L. I. Levin, B. W. Hollis, N. S. Howard and A. Ascherio (2006). “Serum 25-hydroxyvitamin D levels and risk of multiple sclerosis.” JAMA 296(23): 2832-2838.
  5. Camu W et al. Vitamin D confers protection to motoneurons and is a prognostic factor of amyotrophic lateral sclerosis. Neurobiol Aging. 2014;35:1198–205.
  6. Yalbuzdag SA et al. Is 25(OH)D associated with cognitive impairment and functional improvement in stroke? A retrospective clinical study. J Stroke Cerebrovasc Dis. 2015;24:1479–86.
  7. Han B et al. Low serum levels of vitamin D are associated with post-stroke depression. Eur J Neurol. 2015;22(9):1269–74.
  8. Resende RR. VITAMINA D PODE REDUZIR O RISCO DA DOENÇA DE ALZHEIMER E DEMÊNCIAS. Nanocell News. 2015;2(16).
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