VITAMINA C PODE RETARDAR O DESENVOLVIMENTO DE LEUCEMIA

VITAMINA C PODE RETARDAR O DESENVOLVIMENTO DE LEUCEMIA

Daniel Mendes Filho, Patrícia de Carvalho Ribeiro, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira 

Edição Vol. 4, N. 16, 15 de Outubro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.10.15.002

Tomar um refrigerante ou um suco super gostoso e gelado? Para alguns não há dúvidas de que a escolha seria o copo de suco, mas para muitos, o refrigerante, que causa 180 mil mortes por ano em todo o mundo, infelizmente parece ser mais atrativo…

Vitaminas são micronutrientes fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo, sendo importantes na produção de energia, na diferenciação de células e no crescimento de tecidos. As bactérias benéficas dos nossos intestinos (microbiota intestinal) conseguem produzir algumas vitaminas, mas essa produção é insuficiente – por isso precisamos ingerir alimentos que as contenham.

As vitaminas podem ser classificadas em lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K, as quais dependem das gorduras que ingerimos para serem dissolvidas e absorvidas) e hidrossolúveis (vitaminas C e B, capazes de se dissolverem nos fluidos intestinais). Cada um desses micronutrientes desempenha funções de extrema importância, sendo que a carência de qualquer um deles acarreta consequências graves para saúde. A falta de vitamina C (também conhecida como ácido ascórbico), por exemplo, pode causar escorbuto – uma doença carencial onde há fraqueza, sangramentos difusos, queda de cabelo e dores nas articulações. Além de prevenir o escorbuto e fortalecer o sistema imunológico, a vitamina C pode ter outra função que, certamente, fará muitas pessoas pensarem duas vezes antes de dispensar um suco de laranja para tomar refrigerante (Figura 1).

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Figura 1: A vitamina C (ácido ascórbico) é essencial na biossíntese de proteínas da matriz extracelular (que dá suporte a nossas células), de neurotransmissores (moléculas responsáveis pela comunicação entre neurônios) e na regulação da absorção de ferro. Essa vitamina está presente em diversos alimentos, como frutas cítricas, pimentas, brócolis e mamão (Figura adaptada de: http://keepnaturally.com/amazing-benefits-of-vitamin-c-for-skin-hair-and-health/).

O TET2 é um gene cuja mutação está ligada a diversos tipos de cânceres hematopoiéticos (que envolvem as células do sangue, como as leucemias), pois a deleção desse gene leva a uma deficiência na enzima TET aumentando desproporcionalmente a taxa de reprodução de células sanguíneas e suas precursoras. Pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Nova York nos EUA lançaram a hipótese de que, se conseguissem restaurar a função do TET2, talvez houvesse benefícios terapêuticos na leucemia. Mas, como restaurar a função desse gene tão importante nas células sanguíneas? Aí entra a vitamina C!

Para testar essa hipótese, os cientistas liderados pela professora Dra Luisa Cimmino, usaram um modelo de leucemia em camundongos (os quais tinham deficiência na expressão de enzima TET). A vitamina C é capaz de reduzir o ferro e deixá-lo pronto para ser usado pela enzima TET – por isso os pesquisadores injetaram altas doses de vitamina C nos camundongos, a fim de aumentar a atividade dessa enzima e, portanto, seus efeitos limitantes sobre as células sanguíneas. Os resultados foram animadores: animais leucêmicos que receberam altas doses da vitamina tiveram a progressão da doença suprimida, com alívio dos sintomas e menor viabilidade das células cancerosas. 

Certamente, não se pode considerar a vitamina C como uma possível cura ou tratamento principal de leucemias. Além disso, cabe ressaltar que os resultados foram observados em modelos animais e, segundo os próprios pesquisadores, as altas doses empregadas para atingir os efeitos terapêuticos observados não podem ser atingidas ingerindo vitamina C. De qualquer modo, o trabalho da profª Dra Luisa Cimmino e colegas pode servir como base para futuros tratamentos menos agressivos que, porventura, usem remédios quimioterápicos em menor dosagem e altas doses de vitamina C intravenosa para complementar o efeito terapêutico. 

Estão vendo que ciências são um excelente INVESTIMENTO? O país que investe em ciências transforma-se em uma nação forte e poderosa!

Referências

BOSQUEIRO, José Roberto. Digestão e absorção. In:CURI, Rui; PROCÓPIO, Joaquim. Fisiologia básica. 1ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. Cap. 45. p.654-657.

CIMMINO, L. et al. Restoration of TET2 function blocks aberrant self-renewal and leukemia progression. Cell. 2017 Sep 7;170(6):1079-1095.e20. doi: 10.1016/j.cell.2017.07.032. Epub 2017 Aug 17.

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