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VIDA FORA DO ÚTERO? Embrião Crescido Em Cultura

VIDA FORA DO ÚTERO? Embrião Crescido Em Cultura.

Edição Vol. 3, N. 10, 13 de Maio de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.05.16.005

Primeiro vieram os bebês de proveta, em seguida, as células-tronco embrionária, depois as células-tronco adultas, e então, as células-tronco induzidas. Agora, chegamos aos métodos que podem modificar o embrião para que tenha as caraterísticas que desejamos. Outros cientistas desenvolveram um método para gerar micro-organismos in lab, nem tanto, mas estão chegando lá. E agora, cientistas conseguem manter vivos embriões em desenvolvimento fora do útero! Ciência básica que traz benefícios a bilhões de seres humanos e, pode acreditar, até aos diversos animais de estimação ou em extinção em todo o mundo. Governantes brasileiros, devem aprender com seus colegas do 1º. Mundo!

Quando da primeira vez surgiu o método para a geração do bebê de proveta, em 1978, pelos esforços da equipe do professor Dr Robert Geoffrey Edwards, que posteriormente ganhou o prêmio Nobel de Medicina, o mundo, primeiro, se estarreceu com tamanha ousadia do ser humano, com medo de que o homem virasse Deus. Não virou. A britânica Louise Joy Brown foi fruto de uma experiência científica que é considerada um marco para a humanidade. Ela foi o primeiro bebê de proveta do mundo. A técnica de Edwards consiste em retirar o óvulo da mãe e fertilizá-lo com o esperma do pai. Após esse processo, o óvulo fertilizado é colocado no útero. A partir deste momento, todo o desenvolvimento do feto é igual aos demais. Louise nasceu de cesariana e teve o parto filmado, para que as próximas gerações tivessem recordação do primeiro bebê de proveta. Depois de Louise, cerca de 4 milhões de pessoas já nasceram por intermédio dessa técnica. No Brasil, o primeiro caso aconteceu em 1984, no estado do Paraná, com o nascimento de Anna Paula Caldeira. Assim como o caso de Louise, o bebê de proveta paranaense abriu caminho para o desenvolvimento de técnicas cada vez mais avançadas de reprodução assistida.

O mesmo aconteceu posteriormente com as células-tronco embrionárias, depois adultas, em seguida as induzidas e a diversidade de novos tratamentos e possibilidades que avançaram nosso conhecimento em rumo a uma qualidade de vida melhor para as que sofrem de doenças incuráveis e dos cuidadores, assim como aqueles que perdem sua saúde durante o passar dos anos. Em algum momento, a ciência da saúde, está a todo instante cuidando de nosso ser (leia mais em MODIFICAÇÕES NO DNA DE CÉLULAS ADULTAS MUDANDO A REGRA NAS CÉLULAS-TRONCO (1)).

Cientistas conseguiram manter um embrião humano vivo em laboratório por um período recorde de tempo, mantendo eles ativos para além do ponto em que naturalmente implantam-se no útero materno, e mantendo-os vivos pelo período um pouco abaixo do número de dias legalmente aceito pela justiça. Durante 13 dias, os pesquisadores foram capazes de observar como o embrião desenvolve-se, com a esperança de que, através da compreensão destes estágios iniciais, pode-se levar a melhores tratamentos de fertilidade e desenvolvimento neonatal (Figura 1).

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Figura 1: Os embriões foram cultivados in vitro (em cultura) durante 13 dias, apenas um a menos que o limite legal. Foto: Gist Croft, Alessia Deglincerti, Ali H. Brivanlou/The Rockefeller University

“O desenvolvimento embrionário é um processo extremamente complexo e enquanto o nosso sistema pode não ser capaz de reproduzir integralmente todos os aspectos deste processo, ele permitiu-nos revelar uma capacidade de auto-organização notável de blastocistos humanos que era até então desconhecida”, explicou a Dra. Marta Shahbazi, um dos co-autores do estudo publicado na revista Nature Cell Biology (2), um dos dois estudos publicados sobre a mesma pesquisa, porém de grupos distintos, com o outro saindo na Nature (3).

A nova técnica, desenvolvida tanto na Universidade Rockefeller e na Universidade de Cambridge, permite que os embriões possam se desenvolver para além do ponto em que normalmente se implantam no útero. Pesquisas anteriores já haviam conseguido manter as células em desenvolvimento durante 9 dias, embora interrompendo o processo em 7 dias, quando a implantação geralmente ocorre, essa já é uma prática habitual (Figura 2). Desta vez, os pesquisadores foram capazes de mantê-los em desenvolvimento até 13 dias de idade, apenas um dia a menos do que o limite legal internacionalmente acordado de 14 dias.

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Figura 2: Um blastocisto é um embrião com 5 ou 6 dias de vida (em alguns casos, 7 dias) e que é composto por aproximadamente 200 células. Comparativamente aos embriões com menos dias, este embrião apresenta uma estrutura celular mais diferenciada, composta por uma cavidade central (cavidade da blastocele) e por dois tipos de células: as células da trofoectoderme (que mais tarde se desenvolverão e formarão a placenta) e as células da massa celular interna (que formarão o feto). O blastocisto representa o estágio de desenvolvimento embrionário prévio à implantação do embrião no útero materno. Figuras da Internet.

O limite dos 14 dias está consagrado na lei em pelo menos uma dúzia de países, o Reino Unido inclusive, e ao estender o período permitido para a pesquisa com embriões seria muito bem acolhido por alguns cientistas, a mudança seria rejeitada por muitos, incluindo grupos religiosos já se opõem à pesquisa em embriões. Provavelmente, conseguem ir além desse período, talvez não o publicaram, não sabemos, mas é um feito tremendo e em algum outro lugar do mundo já devem estar realizando testes similares que ultrapassem esse limite. Não estamos virando Deus, mas compreendendo e ajudando ao desenvolvimento de milhões de pessoas que nascem com deformações genéticas em todo o mundo, a todo tempo, e de todo o tipo. Inclusive, isso mudaria o modo de tratamento de doenças relacionados com o cérebro, coluna, ossos, músculos, fígado, coração, e todas as demais. Estamos longe, mas chegaremos lá. Isso também serve de um alerta para aqueles que, por várias mensagens preconceituosas, sobre o ministério C&T ser assumido por um bispo, crente, pastor, seja o nome que deram para ele. Não o conhecemos, mas abriremos aspas do cientista por trás do Instituto Nanocell “Sou Cristão, e minha fé não interfere no meu saber, no meu conhecimento. Ela amplia a sabedoria e abre portas para que novos caminhos sejam percorridos, novas descobertas feitas, novas tecnologias lançadas capazes de salvar vidas. Os ataques não se referem à questão da religião dele. Referem-se a um partido que implantou o ódio no Brasil, que se faz de vítima, que se esconde por trás de suas mentiras e incompetência para alardear que todos, que não eles, são incompetentes para dirigirem o que destruíram. E, como destruíram, não querem que descubramos, assim como não querem que descubramos o embrião que se desenvolve fora do útero, o rombo proclamado da república.”

Durante este período de 13 dias, para começar os cientistas foram capazes de observar apenas os embriões, que foram doados por pacientes submetidos a fertilização in vitro, a técnica dos bebês de proveta, a partir de bolas flutuantes de células-tronco. Em seguida, as células-tronco agrupadas em uma extremidade do embrião, que é conhecida como um blastocisto, enquanto que dois outros tipos celulares desenvolveram e passaram a formar a placenta e um grupo de células que permite que os órgãos do feto se desenvolvam. Quando o blastocisto, em seguida, implanta-se, forma-se uma cavidade no interior do embrião. Originalmente, os cientistas pensavam que esta formação era feita pelas células-tronco que estão sendo programadas para morrerem, mas esta nova pesquisa tem mostrado que este não é o caso.

Qualquer estudo adicional sobre o desenvolvimento do embrião tem, no entanto, sido limitado pelo limite de 14 dias, que foi decidido décadas atrás. Anteriormente, isso não era um problema para nós, cientistas, já que a ciência ainda não tinha desenvolvido as condições necessárias para manter um embrião em cultura por essa quantidade de tempo, mas, recentemente, a ciência tem empurrado cada vez mais esse limite. Há agora uma chamada crescente para que essas leis sejam revistas, que são baseadas em uma mistura de raciocínio moral, religioso e científico, para permitir que a ciência possa crescer embriões por um longo período de tempo, mesmo que seja apenas por um extra de 7 dias. O limite da ciência é a cura de todas as doenças.

Este limite foi escolhido há mais de 20 anos atrás, como ele foi pensado para representar o primeiro momento em que a individualidade é atribuída e a geminação já não é mais possível, e carrega um forte apoio no Reino Unido tanto de pacientes quanto de pesquisadores”, diz o Professor Daniel Brison da Universidade de Manchester, que não estava envolvido em nenhum dos estudos. No entanto, devido aos potenciais benefícios de novas pesquisas em infertilidade, melhorar os métodos de reprodução assistida, e em aborto precoce e distúrbios da gravidez, deve ser um caso a se ver nos tempos atuais.

Referências

Lee, Y. J., Zachrisson, O., Tonge, D. A., and McNaughton, P. A. (2002) Mol. Cell Neurosci. 19, 186-200

1.Parreira RC, Resende RR. MODIFICAÇÕES NO DNA DE CÉLULAS ADULTAS MUDANDO A REGRA NAS CÉLULAS-TRONCO. Nanocell News. 2016;3(5).

2.Shahbazi MN, Jedrusik A, Vuoristo S, Recher G, Hupalowska A, Bolton V, et al. Self-organization of the human embryo in the absence of maternal tissues. Nature cell biology. 2016.

3.Deglincerti A, Croft GF, Pietila LN, Zernicka-Goetz M, Siggia ED, Brivanlou AH. Self-organization of the in vitro attached human embryo. Nature. 2016;533:251-4.

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