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VACINA CONTRA TUBERCULOSE EM CÁPSULAS DE ALFACE

VACINA CONTRA TUBERCULOSE EM CÁPSULAS DE ALFACE

Anderson K. Santos, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 4, 14 de dezembro de 2013

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2013.12.16.004

 Doença infecciosa transmitida pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose atinge principalmente as vias aéreas dos pacientes, mas em alguns casos podem atingir ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o sistema nervoso central – cérebro e medula espinhal). O controle da tuberculose tem encontrado dificuldades, principalmente por causa do desenvolvimento de novas cepas da bactéria capazes de resistir aos medicamentos usados atualmente.A única forma de imunização contra a tuberculose utilizada em todo mundo atualmente é a vacina BCG (vacina do Bacilo Calmette-Guérin).

As vacinas – nome advindo de vaccinia, o agente infeccioso da varíola bovina, que, quando é injetado no organismo humano, proporciona imunidade à varíola no ser humano – são substâncias, como proteínas, toxinas, partes de bactérias ou vírus, ou mesmo vírus e bactérias inteiros, atenuados ou mortos, que ao serem introduzidas no organismo de um animal suscitam uma reação do sistema imunológico semelhante à que ocorreria no caso de uma infecção por um determinado agente patogênico, desencadeando a produção de anticorpos que acabam por tornar o organismo imune ou ao menos mais resistente a esse agente (e às doenças por ele provocadas).

A vacina BCG teve sua utilização disseminada nos anos 1920, mas sua eficácia sempre foi discutida. A vacina é mais eficaz em crianças, o seu efeito diminui com o tempo, sendo mais eficaz contra algumas variações da doença do que para outras. Quando dizemos variações da doença é que esta pode ser apresentada por outros parentes do agente infeccioso, como o vírus da gripe. Existem milhares deles, mas as vacinas para a gripe abrangem somente aqueles que são semelhantes. Por isso, quando tomamos uma vacina para gripe podemos pegar outra, devido a um vírus que não era parente, ou semelhante, àquele que havia na vacina. Mas a falta da vacina pode deixar a pessoa exposta a muitos outros vírus mais agressivos, ou mesmo letais, por isso a importância de estar sempre vacinado.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou que, apenas no ano de 2012, 8,6 milhões de pessoas tiveram tuberculose, com 1,3 milhões de vítimas fatais. Assim, existe um esforço por parte da comunidade científica em se desenvolver uma vacina com eficiência duradoura ou que reforce a BCG existente hoje.Um grupo americano da University of Central Florida, nos EUA, liderado pelo cientista Henry Daniell, resolveu utilizar uma nova forma de se produzir uma vacina mais eficiente contra a tuberculose: proteínas capazes de gerar uma resposta imunológica poderiam ser produzidas em folhas de alface transgênica e, logo depois, processadas para a forma de cápsulas [1].

Os testes, incialmente, foram realizados em plantas de tabaco para três proteínas que estão presentes na tuberculose – ESAT-6, Mtb72F e LipY – que estudos anteriores comprovaram ser capazes de manter uma resposta imune contra a bactéria causadora da tuberculose bem mais duradoura que a BCG, o que permite serem usados como vacinas. Logo depois, essas proteínas foram transferidas para a alface, fazendo-se uma alface transgênica, que era considerada uma planta mais maleável para a engenharia genética, além de ser comestível para seres humanos.

Os estudos indicaram que a produção das proteínas recombinantes foi satisfatória nas folhas de alface e que elas permaneciam íntegras por um grande período de tempo após a secagem das folhas (até seis meses). A integridade após desidratação é um importante parâmetro para esse processo, pois é uma etapa na produção de cápsulas. As cápsulas podem ser facilmente ingeridas e não entram em contato com a mucosa intestinal, local onde células especializadas reconhecem as proteínas e iniciam a resposta da memória imunológica.

A possibilidade de se utilizar um vegetal como produtor de vacinas diminui muito os custos de produção e as chances de efeitos indesejados ou colaterais, bem como proporciona uma resposta duradoura por parte do sistema imune. A aplicação desta ideia inovadora, não só para a tuberculose como para outras plantas, pode representar uma nova vertente na busca de vacinas mais eficientes e mais seguras para uso humano e animal.

vacina-tuberculose Figura 1: Uma vacina oral eficaz contra a tuberculose e produzida em plantas. Os genes para as proteínas Mtb72F, ESAT-6 e LipY, do bacilo da tuberculose, foram transferidos para a alface, tornando esta uma planta transgênica. As proteínas do bacilo foram encapsuladas e podem ser tomadas por seres humanos, protegendo-os contra a tuberculose.

Referência

1.         Lakshmi, P.S., et al., Low cost tuberculosis vaccine antigens in capsules: expression in chloroplasts, bio-encapsulation, stability and functional evaluation in vitro. PLoS One, 2013. 8(1): p. e54708.

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