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USO DE ANTIDEPRESSIVOS DURANTE A GRAVIDEZ AUMENTA RISCO DE MALFORMAÇÕES NO NASCIMENTO

USO DE ANTIDEPRESSIVOS DURANTE A GRAVIDEZ AUMENTA RISCO DE MALFORMAÇÕES NO NASCIMENTO

Edição Vol. 4, N. 7, 16 de Março de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.03.16.002

Quanto a vida de seu bebê vale para você? Imagina uma mãe querer tirar a vida de seu próprio filho porque esqueceu de tomar o anticoncepcional ou usar a camisinha? Agora imagina aquela mãe que está com uma leve depressão e não quis fazer alguns exercícios físicos ou não quer esperar os 3 meses iniciais da gravidez para tomar antidepressivos e, ao final da gestação, causou danos irreversíveis no corpo de seu filho. Antidepressivos e outras drogas têm grandes chances de causar malformações físicas e intelectuais em seus bebês durante a gravidez. Veja como!

Um estudo da Université de Montréal, no Canadá, liderado pela Dra. Anick Bérard, professora na Faculdade de Farmácia da UdeM e pesquisadora afiliada do hospital CHU Sainte-Justine, revela que os antidepressivos prescritos a mulheres grávidas podem aumentar as chances de se ter um bebê com defeitos congênitos.

O risco – 6 a 10%, contra 3 a 5% em mulheres que não tomam os medicamentos – é alto o suficiente para merecer cautela no seu uso, especialmente porque, na maioria dos casos, eles são apenas marginalmente eficazes (Figura 1).

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Figura 1: O uso de antidepressivos durante a gravidez tem o potencial de interferir com a captação da serotonina pelo feto, o que pode resultar em malformações do recém-nascido. Foto: © Photographee.eu / Fotolia

Durante a gravidez, você está tratando a mãe, mas você deve estar preocupado com o feto, e o benefício precisa superar o risco. Seria mesmo justo prejudicar a vida de um filho para que a mãe fique temporariamente menos mal? Claro que é temporariamente, os medicamentos não têm efeitos imediatos e não trazem resolução para os problemas da mente depressiva, reduzem sim, momentaneamente, por isso se faz o uso repetitivo do mesmo a cada 8, 12, ou 24 horas, o estado de solidão da inércia social. É o mesmo que tirar a vida de uma criança que ainda está no útero. O cúmulo do egoísmo! E ainda se acha menos mal do que um assassino a sangue frio…

Uma respeitada especialista em gravidez e depressão, a profa. Dra. Bérard já havia estabelecido laços entre antidepressivos e baixo peso ao nascer, hipertensão gestacional, abortos espontâneos e autismo. Seu novo estudo está entre os primeiros a examinar a ligação dos defeitos de nascimento entre as mulheres deprimidas (1).

Todos os anos, cerca de 135.000 mulheres quebequenses, Canadá, engravidam, e dessas, cerca de 7% apresentam alguns sinais de depressão, principalmente de leve a moderada. Uma percentagem muito menor – menos de 1% – sofre de depressão grave (1).

Em seu estudo, a Dra Bérard analisou 18.487 mulheres deprimidas na coorte de grávidas em Quebec, um grupo longitudinal de 289.688 gestações registradas entre 1998 e 2009. Das mulheres estudadas, 3.640 – cerca de 20% – tomaram antidepressivos nos primeiros três meses (1).

O estudo foi baseado no uso de antidressivos somente no primeiro trimestre, porque é aí que todos os sistemas de órgãos do feto estão se desenvolvendo (1). Em 12 semanas de gestação, o bebê é formado. Embora não se possa saber com 100% de certeza se o embrião, do início de sua formação, em seu primeiro dia, irá prosseguir até o fim da gravidez sem sofrer um aborto espontâneo, provocar ou induzir um aborto é como outra pessoa ter o direito de tirar sua vida, simplesmente por não querer ter você por perto. Longe de querer ter razão em todos os casos de aborto, como estupro e afins, mas por mero descuido por não usar camisinha ou pílula anticocepcional? É muita pouca vergonha e exagero de arrogância do centro do universo umbilical…   

O uso de antidepressivos durante este período de tempo crítico tem o potencial de interferir com a captação de serotonina pelo feto, o que pode resultar em malformações (1).

A serotonina durante o início da gravidez é essencial para o desenvolvimento de todas as células embrionárias, e, portanto, qualquer insulto que perturba o processo de sinalização de serotonina tem o potencial de resultar em uma ampla variedade de malformações.

Por exemplo, quando Celexa (o nome da marca para escitalopram) foi tomada no primeiro trimestre, o risco de defeitos congênitos saltou de 5% para 8%. No total, 88 casos de malformações foram associados ao uso do fármaco (1).

Da mesma forma, o uso de Paxil (paroxetina) foi associado a um risco aumentado de defeitos cardíacos; Venlafaxina (Effexor), com defeitos pulmonares; E antidepressivos tricíclicos (como Elavil), com aumento dos defeitos nos olhos, orelha, face e pescoço (1).

Depressão está em alta em todo o mundo e é uma das principais causas de morte, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A depressão é particularmente grave durante a gravidez, e os médicos – especialmente psiquiatras, obstetras e outros especialistas – estão prescrevendo mais antidepressivos do que nunca para as mulheres grávidas.

Ao longo da década que a Dra Bérard estudou sua coorte, a proporção de mulheres grávidas que fizeram uso de antidepressivos em Quebec dobrou, de 21 usuárias por 1.000 gravidezes em 1998 para 43 por 1.000 em 2009 (1).

Aquelas que usam drogas tendem a ser mais velhas, viver sozinhas ou estar em casa de repouso; Elas também podem ter outras doenças como diabetes, hipertensão e asma, o novo estudo mostra (1). As mulheres geralmente não têm os meios financeiros, tempo de lazer ou apoio para procurar outras soluções, como exercitar regularmente ou consultar um psicoterapeuta.

Há uma infinidade de maneiras de se tratar a depressão leve a moderada, mas você precisa ter tempo e dinheiro e também o incentivo para tirar proveito deles (1). Não lutar pela vida de seu filho e ser a culpada pela limitação dele pelo resto da vida será sua cruz a ser carregada.

Dado que um número crescente de mulheres é diagnosticada com depressão durante a gravidez, (os novos) resultados têm implicações diretas na sua gestão clínica. Isto é ainda mais importante, dado que a eficácia dos antidepressivos durante a gravidez para o tratamento da maioria dos casos de depressão (depressão leve a moderada) tem-se revelado marginal. Assim, a necessidade de precaução com o uso de antidepressivos durante a gravidez é para se ter atenção e opções alternativas não-medicamentosas devem ser consideradas (1).

Fonte: Materiais fornecidos pela Universite de Montreal. 

Referência

1.Berard A, Zhao JP, Sheehy O. Antidepressant use during pregnancy and the risk of major congenital malformations in a cohort of depressed pregnant women: an updated analysis of the Quebec Pregnancy Cohort. BMJ open. 2017;7(1):e013372.

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