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UMA TATUAGEM NÃO MUITO COMUM: Dosando Os Níveis De Glicose Sanguínea Por Uma Tatuagem

UMA TATUAGEM NÃO MUITO COMUM: Dosando Os Níveis De Glicose Sanguínea Por Uma Tatuagem

Nicole de Cássia Oliveira Paiva, Rodrigo R. Resende

Edição Vol. 2, N. 12, 18 de Maio de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.05.19.001

Quando você resolve fazer uma tatuagem, a primeira dúvida que vem à cabeça é: O que vou tatuar? E se essa tatuagem fosse um sensor que monitora periodicamente seus níveis de glicose no sangue, e o melhor, de forma não-dolorosa. Para os diabéticos isso parece ser até um sonho, mas que não está muito longe de existir.

A diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue utilizar eficazmente a insulina que produz (1) (Para saber mais sobre diabetes, leia: http://www.nanocell.org.br/o-que-o-quiabo-e-todas-as-frutas-e-verduras-podem-fazer-para-reduzir-o-diabetes-mas-nao-cura-lo/). A hiperglicemia, ou nível de açúcar no sangue aumentado, é um sinal comum da diabetes descompensada e, ao longo do tempo, conduz a sérios danos para muitos dos sistemas do organismo, em particular os nervos e os vasos sanguíneos. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 347 milhões de pessoas no mundo têm diabetes e em 2012, cerca de 1,5 milhões de mortes foram causadas diretamente por essa doença (2).

A fim de gerir eficazmente a doença e evitar problemas associados os pacientes devem frequentemente monitorar seus níveis de glicemia, ou seja, os níveis de glicose no sangue. Isso é comumente realizado através de uma coleta de sangue pela perfuração da ponta do dedo do paciente, sendo inconveniente e dolorosa. Por razões óbvias, muitos pacientes estão relutantes em fazer isso, resultando em má gestão da doença. O desenvolvimento de técnicas de monitorização não invasivas e indolores é, portanto, altamente desejável.

Em 2000, uma companhia de Biotecnologia dos EUA, a CygnusInc., desenvolveu um sensor eletroquímico não invasivo para monitoramento de glicose, o GlucoWatch (3) (Figura 1): uma pulseira que, pelo método de iontoforese reversa, detecta os níveis de glicose sanguínea. Este método baseia-se na aplicação de uma corrente elétrica suave na epiderme do paciente causando a migração dos íons de sódio do meio extracelular (Líquido Intersticial da Pele) para o dispositivo. Esta migração gera um fluxo de líquido de água e sódio, responsável pelo cotransporte de glicose. A glicose então entra em discos preenchidos com gel que estão dentro da pulseira. Este gel contêm uma enzima, a glicose oxidase, que quebra a glicose em peróxido de hidrogênio e oxigênio. A quantidade de peróxido de hidrogênio gerada está relacionada aos níveis de glicose sanguínea.

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Figura 1: Esquematização da Iontoforese Reversa do dispositivo GlucoWatch. Fonte: http://islet.org/lancet02/

Infelizmente, o uso deste dispositivo foi interrompido porque os usuários tiveram desconforto com a corrente elétrica. Mas, agora, cientistas da Universidade da Califórnia desenvolveram um novo dispositivo com base nos princípios do GlucoWatch, porém que supera o problema de irritação da pele, utilizando uma corrente eléctrica muito inferior (4).

O novo dispositivo é uma pequena tatuagem temporária, que é transposta para a pele na forma de um adesivo (Figura 2). Este adesivo também dosa a glicose pela mesma metodologia que o GlucoWatch, a iontoforese reversa. A tatuagem não é somente um dispositivo não-invasivo e discreto, mas também é extremamente barata e funciona tão bem quanto os dolorosos testes de punção digital.

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Figura 2: Tatuagem temporária que monitora os níveis de glicose. Fonte: Jacobs School of Engineering/UC San Diego

Segundo os autores do estudo (4), o dispositivo é esteticamente aceitável e agradável, compreendendo minúsculos eletrodos impressos em papel que podem, então ser aderidos à pele do usuário. Cada tatuagem ou dispositivo flexível tem a durabilidade de cerca de um dia, e foi testado em sete voluntários com idades entre 20 e 40 anos, sem histórico de diabetes. Durante os ensaios iniciais, nenhum dos participantes relataram sentir qualquer desconforto, embora alguns relataram sensação de formigamento por alguns segundos (4).

Para testar a eficácia do monitoramento nas alterações dos níveis de glicose, os voluntários receberam uma refeição rica em carboidratos que consiste em um sanduíche e uma lata de refrigerante. Isso mesmo, refrigerante e sanduíche possuem altíssimo teor de açúcar. E esse açúcar de refrigerante é altamente perigoso para a saúde, matando cerca de 180.000 pessoas por ano no mundo todo (5) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/180-000-mortes-anuais-no-mundo-podem-estar-associadas-a-refrigerantes-acucarados/). Ficou então comprovado que o dispositivo pode detectar glicose tão bem como os métodos tradicionais de monitoramento.

Nesta fase, a tatuagem é uma prova-de-conceito e não pode fornecer uma leitura numérica que seria necessária para monitorar claramente os níveis de glicose sanguíneas do diabético; no entanto, os pesquisadores estão trabalhando para desenvolver um instrumento de Bluetooth que seria capaz de enviar esta informação, para outro dispositivo do médico ou do paciente, apresentando on-line e em tempo real os níveis de glicemia. Um bom meio de manter seus níveis de glicose durante todo o dia (Figura 3)!

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Figura 3: Esquematização do funcionamento do dispositivo.

Referências

1. Resende RR. O QUE O QUIABO E TODAS AS FRUTAS E VERDURAS PODEM FAZER PARA REDUZIR O DIABETES, MAS NÃO CURÁ-LO? Nanocell News. 2014;1(5).

2. World Health Organization. Global Health Estimates: Deaths by Cause A, Sex and Country, 2000-2012. Geneva, WHO, 2014. . 2014.

3. Tierney MJ, Kim HL, Burns MD, Tamada JA, Potts RO. Electroanalysis of glucose in transcutaneously extracted samples. Electroanal. 2000;12(9):666-71.

4. Bandodkar AJ, Jia WZ, Yardimci C, Wang X, Ramirez J, Wang J. Tattoo-Based Noninvasive Glucose Monitoring: A Proof-of-Concept Study. Anal Chem. 2015;87(1):394-8.

5. Resende RR. 180.000 MORTES ANUAIS NO MUNDO PODEM ESTAR ASSOCIADAS A REFRIGERANTES AÇUCARADOS. Nanocell News. 2014;2(2).

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  1. ANITA DRIEMEIER disse:

    Sendo avó de uma menina com diabetes tipo I, fico feliz com essa novidade!
    E agradeço, de coração, aos cientistas envolvidos nessa pesquisa! Vocês são pessoas maravilhosas, especiais, que neste mundo tão complicado, tão materialista, dedicam sua vida a encontrar a cura e paliativos para as tantas mazelas que assolam este mundo!
    Obrigada a todos vocês, e que todos os objetivos sejam atingidos o mais rápido possível!

    21/maio/2015 ás 16:47

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