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UMA PRIMEIRA ESPERANÇA: Descobertos Anticorpos Que “Neutralizam” o Vírus Zika

UMA PRIMEIRA ESPERANÇA: Descobertos Anticorpos Que “Neutralizam” o Vírus Zika

Edição Vol. 4, N. 4, 09 de Janeiro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.01.09.002

Uma equipe de pesquisadores, liderada pelo Dr. James Crowe Jr., diretor do Vanderbilt Vaccine Center e pelo Dr Michael S. Diamond, da Universidade de Washington, isolou um anticorpo monoclonal humano que, em um modelo de camundongo, “reduziu acentuadamente” a infecção pelo vírus Zika.

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O vírus Zika e a doença que causa em adultos.

O anticorpo, chamado ZIKV-117, também protegeu o feto em camundongos grávidas infectadas com o vírus (1). O vírus Zika foi comprovado provocar microcefalia, cabeças anormalmente pequenas e outras malformações congênitas em crianças nascidas de mulheres infectadas com o vírus. 

Também, já foi comprovado que o vírus Zika, mesmo após o nascimento da criança, continua agindo e destruindo o tecido nervoso da mesma, o que leva a crer que, crianças com o cérebro em desenvolvimento se infectadas com o Zika também podem ter lesões cerebrais, inclusive aquelas até 8 anos de idade. Um desenvolvimento inicial prejudicado afeta a saúde (física e mental), o comportamento e a aprendizagem na vida futura. A arquitetura e a função do cérebro são modeladas pelas experiências de vida que afetam a arquitetura e a função dos circuitos neurobiológicos. Com o Zika destruindo os neurônios durante o desenvolvimento todo esse processo é prejudicado, podendo levar a doenças neurológicas diversas, incluindo uma inteligência menor (QI baixo), déficit de atenção e hiperatividade (TDH) – que não está diretamente relacionada à um QI baixo, dificuldade na execução de tarefas complexas, entre outras. 

Estudos de proteção semelhantes em primatas estão sendo realizados, e se os resultados sustentarem os achados em camundongos, ZIKV-177 poderia ser desenvolvido como um tratamento com anticorpos protetores para mulheres grávidas em risco de infecção pela Zika.

Em linha semelhante, o Instituto Nanocell vem desenvolvendo 3 pesquisas relacionadas ao vírus Zika:

  1. Desenvolvimento de fármacos que inibem a infecção de células neurais e células em desenvolvimento pelo Zika vírus.
  2. Desenvolvimento de peptídeos que atuam como ligantes únicos do Zika vírus, atuando como biomarcadores para construção de kits de diagnósticos excludentes de vírus da Dengue e outros flavivírus.
  3. Estudo das vias de sinalização do Zika vírus dentro de células precursoras e neurais que levam à morte celular e à microcefalia para a geração de fármacos que impeçam a doença. 

Você também pode ajudar no financiamento e desenvolvimento dessas pesquisas! Basta entrar no site http://www.institutonanocell.org.br e fazer uma doação e deduzir do seu imposto de renda, ou através de depósito bancário.

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Os resultados também podem ajudar nos esforços para se desenvolver uma vacina eficaz anti-Zika.

Estes anticorpos humanos de ocorrência natural isolados de seres humanos representam a primeira intervenção médica que previne a infecção pelo Zika e danos aos fetos.

Estes resultados são animadores porque os dados sugerem que podemos ter tratamentos com anticorpos na mão que poderiam ser desenvolvidos para uso em mulheres grávidas.

A notável potência e amplitude de inibição do Zika vírus pelo anticorpo ZIKV-117 tem grande promessa, já que ele foi capaz de inibir a infecção por estirpes do Zika da África e da América em cultura celular e em animais, incluindo durante a gravidez (1).

O Zika é um vírus transmitido por mosquitos que emergiu como uma ameaça à saúde pública global. Além de sua associação com defeitos de nascimento congênitos, o Zika tem sido associado à síndrome de Guillain-Barre, uma doença neurológica que pode levar à paralisia e à morte.

Desde que um grande surto foi relatado no Brasil no ano passado, herança da Copa do Mundo, as infecções pelo Zika, transmitidas por mosquitos, foram relatadas em toda a África, Ásia, Pacífico e Américas, incluindo na Flórida, EUA.

Durante os últimos 15 anos, o Dr. Crowe e seus colegas desenvolveram um método de alta eficiência para isolar anticorpos monoclonais humanos que podem neutralizar uma ampla gama de vírus, do Ebola ao HIV.

Os anticorpos monoclonais são produzidos a partir de um único clone de células B, um tipo de glóbulos brancos, que foram fundidas a células de mieloma (câncer) para formar “hibridomas” de crescimento rápido. Isto permite aos cientistas gerar rapidamente grandes quantidades de anticorpos contra alvos virais específicos (Figura 1).

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Figura 1: Produção de anticorpo monoclonal – acompanhe a numeração no quadro verde.

No presente estudo, os pesquisadores isolaram anticorpos do sangue de pessoas que haviam sido previamente infectadas com o vírus Zika em diferentes partes do mundo. Os anticorpos reagiram ao envelope ou à proteína “E” na superfície do vírus (1).

Os pesquisadores então geraram uma variedade de anticorpos monoclonais. Em estudos em cultura de células, eles identificaram um, ZIKV-117, que neutralizou amplamente várias estirpes do vírus. Em camundongos infectados pelo vírus Zika, a injeção do anticorpo reduziu acentuadamente a doença e a mortalidade, reduzindo a transmissão do vírus da mãe para o feto (1).

Fonte: Bill Snyder, Universidade de Vanderbilt

Referências

1.Sapparapu G, Fernandez E, Kose N, Bin C, Fox JM, Bombardi RG, et al. Neutralizing human antibodies prevent Zika virus replication and fetal disease in mice. Nature. 2016;540(7633):443-7.

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