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UM LIVRO-REPORTAGEM PARA LER COMO A UM ROMANCE: O livreiro de Cabul

UM LIVRO-REPORTAGEM PARA LER COMO A UM ROMANCE: O livreiro de Cabul

Vol. 1, N. 13, 24 de Junho de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.06.24.001

Andreia Santana

é jornalista e máster em jornalismo on-line, pesquisadora de literatura e cinéfila

Um livro ideal para quem gostou do best seller “O Caçador de Pipas”, “O Livreiro de Cabul” apresenta o fascinante universo do dia-a-dia afegão, porém, sob a ótica de uma ocidental. Após viver quatro meses com a família do livreiro afegão Sultan Khan, a jornalista norueguesa Âsne Seierstad compôs o melhor retrato das contradições extremas e da riqueza cultural desse país. Um relato emocionante do cotidiano de uma família islâmica e das dificuldades deste povo para obter conhecimento e se comunicar.

 O livreiro de Cabul é um livro-reportagem narrado por uma hábil escritora. Não se trata meramente de mais “um olhar humanizado sobre a matéria”, máxima que muitos jornalistas escutam nas redações na hora de contar aos seus leitores os dramas humanos. A obra de Asne Seierstad vai além do jornalismo literário convencional. É pura literatura, romântica e não piegas, com pinceladas de bom jornalismo.

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Asne Seierstad

O livro remete às crônicas de viagem do século XIX, pois traz seu quinhão de pitoresco e exótico na narrativa do cotidiano de uma família afegã, mas sem cair na esteriotipação que nasce dos preconceitos. Asne é uma estrangeira em meio a uma cultura mal-compreendida e estranha ao ocidente, por isso o encanto e a surpresa do olhar forasteiro estão lá, mas ela se permite viver a rotina de seus anfitriões e olhá-los com o máximo de isenção, sem, contudo perder o calor da tão buscada “humanização da notícia”.Tanto cuidado não impediu, no entanto, que a família que serviu de modelo para a obra de Asne, processasse a escritora e pedisse compensações financeiras por “transtornos causados devido às revelações feitas na obra”. O resultado do julgamento foi a doação de uma parte dos direitos autorais para uma fundação que visa promover a literatura afegã, sugestão da própria autora.No livro, o personagem principal, Sultan Khan, é inspirado em um livreiro de carne e osso, que enfrentou poucas e boas para garantir o funcionamento de suas livrarias durante o Talibã. Embora tivesse um comportamento liberal e progressista na área da cultura, Sultan Khan dirigia a família com mão de ferro, seguindo os preceitos do fundamentalismo islâmico no trato com as esposas e filhos.Sem fazer concessões, mas tampouco tecer juízos de valor, a autora não esconde a admiração que aprendeu a sentir pelo patriarca do clã que a hospedou na tumultuada Cabul de muitas guerras civis e invasões. Mesmo admitindo que algumas ações de seu anfitrião fossem condenáveis sob o ponto de vista da sociedade na qual foi educada, Asne não deixa de mostrar outro ponto de observação pelo qual o leitor pode tecer suas próprias considerações.A escritora parece compreender com bastante clareza o fato dos seres humanos serem luz e sombra ao mesmo tempo. Mais que isso, boa parte das ações humanas se origina na zona cinzenta que faz o ponto de intersecção entre a luz e a sombra. Pena que a família do livreiro não gostou do resultado, ou se arrependeu de deixar alguém devassar sua intimidade.Sem esconder a opressão vivida pelas mulheres afegãs, tema largamente explorado na literatura e amplamente mostrado na mídia, ela investe em esmiuçar outro ângulo da mesma questão, revelando que as relações de gênero no Afeganistão são bem mais complexas do que sonha a vã filosofia maniqueísta da cultura ocidental. Os homens de lá também vivem oprimidos, tanto por regimes que cerceiam as liberdades civis, quanto pelo peso da tradição.O livreiro de Cabul não chega a ter a qualidade literária e documental do primoroso Enterrem-me em pé, obra de Isabel Fonseca sobre os ciganos do Leste Europeu, mas ainda assim é uma excelente leitura tanto para quem admira uma história bem contada, quanto para os que defendem um jornalismo bem feito, isento,  mas nem por isso destituído de inteligência e… humanidade. Texto retirado do blog http://mardehistorias.wordpress.com/2011/11/15/resenha-o-livreiro-de-cabul-asne-seierstad/o-livreiro-de-cabul/   

Livro: O Livreiro de Cabul

Autora: Seierstad, Âsne

Editora RECORD

livreiro-cabul2Características detalhadasI.S.B.N.: 8501072877Cód. Barras:  9788501072870Reduzido:  1386655Altura: 21 cm.Largura: 14 cm.Profundidade: 1,5 cm.Acabamento : BrochuraEdição : 01 / 2006Idioma : PortuguêsPaís de Origem : BrasilNúmero de Paginas : 320

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