Ciência é INVESTIMENTO! Vamos transformar o Brasil em uma Nação rica e forte!

TRATAMENTO COM CÉLULAS TRONCO PARA DOENÇAS DIVERSAS

TRATAMENTO COM CÉLULAS TRONCO PARA DOENÇAS DIVERSAS

Edição Vol. 3, N. 1, 13 de Outubro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.10.13.001

Nesta primeira edição do volume 3 do Nanocell News (www.facebook.com/institutonanocell), atendendo aos milhares de pedidos sobre o tratamento com células-tronco para diversos tipos de doenças, como hepáticas, neurológicas e cardiovasculares, decidi para apresentar abaixo, na forma de tabela, os tipos de tratamentos atuais, suas fases de andamento, isto é, se ainda estão sendo estudados e não estão disponíveis para aplicações em todos hospitais, ou se já foram liberadas e estão sendo aplicadas nos hospitais. Mas, se ainda não o foram liberadas, não quer dizer que um paciente que tenha interesse não possa entrar nos ensaios clínicos. Claro, isso dependerá:

  1. do líder da pesquisa,
  2. se o paciente atende aos requisitos necessários para entrar na pesquisa. E isso depende muito de uma pesquisa para outra.

Com o potencial para tratar uma ampla gama de doenças, de órgãos danificados a defeitos congênitos, HSCs formam a base subjacente da medicina regenerativa. Estudos estimam que 250 bilhões de dólares por ano serão poupados só nos Estados Unidos, empregando terapias baseadas em células-tronco. O impacto será notado principalmente no custo de tratamento de doenças crônicas e neurodegenerativas como a doença de Parkinson, lesões da medula espinal, doenças cardiovasculares, diabetes e acidentes neurovasculares.

Em particular, células-tronco e derivadas de tecidos de doentes adultos podem ser não só uma fonte de células para terapias regenerativas autólogas, mas também no estudo de mecanismos de doença, para rastreio de drogas e ensaios de toxicidade que são cruciais no desenvolvimento de novas drogas. Além disso, a indústria de células-tronco está testemunhando avanços contínuos no mundo e, portanto, muitos produtos estão em andamento. A ampla disponibilidade de terapias com células-tronco não só irá ajudar a tornar o tratamento acessível nos próximos anos, mas também pavimentar o caminho para a medicina personalizada.

Perspectivas futuras

O potencial das células-tronco adultas já foi amplamente descrito anteriormente. Além de driblar os questionamentos éticos, gerados pela utilização de células-tronco embrionárias, as células-tronco adultas têm grande potencial para sua aplicação na engenharia tecidual, seleção de drogas para tratamento de doenças, desvendar mecanismos de sinalização celular, dentre outros.

Os avanços futuros, provavelmente serão voltados para obtenção cada vez mais eficiente e sem danos ao paciente de células-tronco dos diversos tecidos do organismo e mecanismos mais efetivos e precisos para diferenciação destas células em tecidos específicos. Na terapia celular, o desenvolvimento de biomateriais que favoreçam a proliferação, adesão, diferenciação e remodelação de tecidos danificados estão cada vez mais no foco de pesquisadores.

Além disso, ao desvendar os mecanismos de diferenciação de células-tronco adultas, poderão ser propostos protocolos para transdiferenciação celular, ou seja, obtenção de células de interesse a partir de células já diferenciadas. Com isso, será eliminado um passo crítico na obtenção de células específicas.

Por fim, ainda serão necessários mais estudos para aplicação eficiente de células-tronco adultas na clínica, mas já apresenta potencial bastante promissor.

Na tabela S1, abaixo, apresento as aplicações clínicas em desenvolvimento em humanos. Os pesquisadores envolvidos estão listados nas referências deste artigo.

Tabela S1: Estudos clínicos em andamento com base na terapia por células-tronco derivadas do tecido adiposo de acordo com clinicaltrials.gov em junho de 2013

tabelas1

Nas tabelas 1, 2 e 3, primeira coluna, estão os tipos de células-tronco usadas no tratamento. Na segunda coluna, em que tipo de animal foi realizado o tratamento (por isso a importância de se utilizar animais em pesquisas científicas). Na terceira coluna a via de aplicação das células-tronco, se foi intravenosa, ou por meio outro meio. Na quarta coluna os resultados obtidos e se são promissores para a aplicação na clínica. Na quinta coluna estão os pesquisadores envolvidos na aplicação clínica das células-tronco. Seus contatos estão nas referências do artigo.

Tabela 1: Aplicações Clínicas em Doenças Hepáticas

tabela1hAECs = Human amnion epithelial cells; CCl4 = Carbon tetrachloride; ALT = Alanine transaminase; TNF = tumor necrosis factor; IL = interleukin; TGF = Transforming growth factor; hAMCs = Human amniotic membrane-derived mesenchymal stem cells; CP-MSCs = chorionic plate-derived mesenchymal stem cells; TP = transplanted; Non-TP = non-transplanted; Col I = type I collagen; α-SMA = α-smooth muscle actin; ICG = indocyanine green; GOT = glutamate–oxaloacetate transaminase; GPT = glutamate–pyruvate transaminase; TBIL = total bilirubin; AF-MSCs = Human amniotic fluid mesenchymal stem cells; NOD-SCID mice = Non-obese diabetes-Severe Combined Immunodeficiency mice; HPL = hepatic progenitor-like; IFN = Interferon; AFSCs = Amniotic fluid stem cells.

Tabela 2: Aplicações Clínicas em Doenças Cardíacas

tabela2hAECs = Human amnion epithelial cells; hAMCs = Human amniotic membrane-derived mesenchymal stem cells; hAMCs = Human amniotic fluid mesenchymal stem cells; SD = Sprague-Dawley; AFS = Amniotic fluid stem cells; rNU rat = Rowett Nude rat.

 

Tabela 3: Aplicações Clínicas em Doenças Neurológicas

tabela3hAEC = Human amnion epithelial cells; CD = Cluster of differentiation; EAE = experimental autoimmune encephalomyelitis; MOG = Myelin oligodendrocyte glycoprotein; Th1 = IFN = Interferon; GM-CSF = Granulocyte Macrophage Colony- Stimulating Factor; TNF = Tumor necrosis factor; TGF = Transforming growth factor; PGE2 = Prostaglandin E2; hAMC = Human amniotic membrane-derived mesenchymal stem cells; SD = Sprague–Dawley; iNOS = Inducible nitric oxide synthase; GFAP = glial fibrillary acidic protein; Dcx = Doublecortin;

SIGLAS:

ABCG2 = cassete membro da sub-familia G de ligação a ATP f2 (ATP-binding cassette sub-family G member 2);

ACHMS = atelocolagénio em forma de favo de mel cadafalso (Atelocollagen honeycomb-shaped scaffold)

ADAS – células-tronco adultas derivadas de tecido adiposo

AdMSC – células-tronco mesenquimais do tecido adiposo

ADSCs = células-tronco derivadas de tecido adiposo (Adipose derived stem cells)

ASC = células-tronco derivadas de tecido adiposo (Adipose derived stem cells)

BDNF = fator neurotrófico derivado do cérebro (Brain-derived neurotrophic factor);

BMP-2 = proteína morfogenética óssea-2 (Bone morphogenetic protein-2)

camundongos mdx = camundongos com distrofia ligada ao X (Mice with X-linked dystrophy)

CD = Clauster de diferenciação (Cluster of differentiation);

CT = tomografia computadorizada (computed tomographic)

DMD – Distrofia muscular de Duchenne

DMEM/F12 = Meio Eagle Modificado por Dulbecco/Mistura Nutriente F -12 (Dulbecco’s Modified Eagle Medium/Nutrient Mixture F-12);

EDTA = ácido etilenodiaminotetracético (Ethylenediaminetetraacetic acid);

EGM- 2-MV = Meio de crescimento celular endotelial microvascular-2 (Microvascular Endothelial Cell Growth Medium-2);

FBS = Soro fetal bovino (Fetal bovine serum);

FCS = soro fetal bovino (Fetal calf serum)

FGF = fator de crescimento fibroblastico (Fibroblast growth factor) ;

FN = fibronectina;

GFP = proteína fluorescente verde (Green Fluorescent Protein); LV = ventrículo esquerdo (Left ventricular)

hADSC = células-tronco derivadas de tecido adiposo humano (Human adipose stem cell);

HASC = células-tronco derivadas de tecido adiposo humano (Human adipose stem cell)

hEGF = Fator de Crescimento Epidérmico Humano (Human Epidermal Growth Factor);

HLA = antígeno leucocitário humano (Human leukocyte antigen),

hMADS = células-tronco multipotentes derivadas de tecido adiposo humano (Human multipotent adipose-derived stem)

hTERT = Telomerase transcriptase reversa humana (Human telomerase reverse transcriptase);

Human A- MSC = células-tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo humano (Human adipose-derived mesenchymal stem cells);

IBMX = isobutil- metilxantina (Isobutyl-methylxanthine).

IGF = fator de crescimento ligado a insulina(Insulin-like growth factor);

ISL -1 = fator de transcrição da ilhota -1 (transcription factor islet-1);

ITM = traços inorgânicos minerais (Inorganic trace minerals);

ITS = Insulina-transferrina –selênio (Insulin-transferrin-selenium);

MBSCs = células-tronco do sangue menstrual (Menstrual blood stem cells).

MCDB -201 = meio desenvolvido biologicamente com modificações molecular e celulares (molecular, cellular, e developmental biology medium);

Meio DMEM-LG = Dulbecco modificado de Eagle, baixa glicose (Dulbecco’s modified Eagle’s medium, Low Glucose);

Meio K-NAC = N-acetil-L-cisteína (NAC) e ácido L- ascórbico 2-fosfato

MEM = Meio Eagle Modificado (Modified Eagle’s medium);

MHC = Complexo Principal de Histocompatibilidade (Major histocompatibility complex);

MMCs = células mesenquimais derivadas de sangue menstrual (menstrual blood-derived mesenchymal cells)

mRNA – RNA mensageiro

MSC – células-tronco mesntruais

MyoD = fator de diferenciação miogênica D (Myogenic differentiation factor D)

NH4Cl = cloreto de amônio;

Oct-4 = Fator de transcrição de ligação ao octâmero 4 (octamer-binding transcription factor 4);

OGD – privação de oxigênio e glicose ?

PBS = Solução salina tamponada com fosfato (Phosphate Buffered Saline),

PDX-1 = homeobox pancreático-duodenal 1 (pancreatic-duodenal homeobox 1)

PLA – células processadas de lipoaspirado

ACHMS – scaffolds atelocolagêno em forma de colméia com membrana vedada

PLGA = poli (ácido láctico-co-glicólico) (Poly (lactic-co-glycolic acid))

RA = ácido retinóico (Retinoic acid);

RAG2 = gene ativador de recombinação 2 (Recombination activating gene 2)

rhEGF = Fator de Crescimento Recombinante Epidérmico Humano (Recombinant Human Epidermal Growth Facto);

rhHGF = Fator de Crescimento Humano Recombinante (Recombinant Human Growth Factor);

rhOSM = Oncostatina humana recombinante M (Recombinant Human Oncostatin M);

SCF = fator de células-tronco (Stem cell factor);

SCI = lesão medular (Spinal Cord injury)

SCID = camundongos imunodeficientes combinados graves (severe combined immunodeficient mice)

SSEA-1 = Embryonic Anti-Stage-Specific Antigen-1(Anti-Stage-Specific Embryonic Antigen-1)

SSEA4 = antígeno 4 específico do estágio embrionário (Stage-specific embryonic antigen-4);

STRO-1 = Precursor estromal de antígeno-1(Stromal precursor antigen-1);

SVF – fração de estroma vascular

TGF = fator de crescimento de transformação (Transforming growth factor);

Thy- 1 = antígeno timócitos (Thymocyte antigen);

VEGF = fator de crescimento endotelial vascular (Vascular endothelial growth factor);

α-MEM = meio de Eagle α-modificado (α-modified Eagle’s medium).

β-TCP = fosfato β-tricálcio (β-tricalcium phosphate)

 

 

Referências

Chiavegato, A., S. Bollini, M. Pozzobon, A. Callegari, L. Gasparotto, J. Taiani, M. Piccoli, E. Lenzini, G. Gerosa, I. Vendramin, E. Cozzi, A. Angelini, L. Iop, G. F. Zanon, A. Atala, P. De Coppi and S. Sartore (2007). “Human amniotic fluid-derived stem cells are rejected after transplantation in the myocardium of normal, ischemic, immuno-suppressed or immuno-deficient rat.” J Mol Cell Cardiol42(4): 746-759.

Cipriani, S., D. Bonini, E. Marchina, I. Balgkouranidou, L. Caimi, G. Grassi Zucconi and S. Barlati (2007). “Mesenchymal cells from human amniotic fluid survive and migrate after transplantation into adult rat brain.” Cell Biol Int31(8): 845-850.

Fang, C. H., J. Jin, J. H. Joe, Y. S. Song, B. I. So, S. M. Lim, G. J. Cheon, S. K. Woo, J. C. Ra, Y. Y. Lee and K. S. Kim (2012). “In vivo differentiation of human amniotic epithelial cells into cardiomyocyte-like cells and cell transplantation effect on myocardial infarction in rats: comparison with cord blood and adipose tissue-derived mesenchymal stem cells.” Cell Transplant21(8): 1687-1696.

Lee, M. J., J. Jung, K. H. Na, J. S. Moon, H. J. Lee, J. H. Kim, G. I. Kim, S. W. Kwon, S. G. Hwang and G. J. Kim (2010). “Anti-fibrotic effect of chorionic plate-derived mesenchymal stem cells isolated from human placenta in a rat model of CCl(4)-injured liver: potential application to the treatment of hepatic diseases.” J Cell Biochem111(6): 1453-1463.

Liu, H., D. Q. Liu, B. W. Li, L. D. Guan, Z. F. Yan, Y. L. Li, X. T. Pei, W. Yue, M. Wang, Y. P. Lu, H. M. Peng and Y. Lv (2011). “Human amniotic fluid-derived stem cells can differentiate into hepatocyte-like cells in vitro and in vivo.” In Vitro Cell Dev Biol Anim47(9): 601-608.

Liu, Y. H., V. Vaghjiani, J. Y. Tee, K. To, P. Cui, D. Y. Oh, U. Manuelpillai, B. H. Toh and J. Chan (2012). “Amniotic epithelial cells from the human placenta potently suppress a mouse model of multiple sclerosis.” PLoS One7(4): e35758.

Manuelpillai, U., J. Tchongue, D. Lourensz, V. Vaghjiani, C. S. Samuel, A. Liu, E. D. Williams and W. Sievert (2010). “Transplantation of human amnion epithelial cells reduces hepatic fibrosis in immunocompetent CCl(4)-treated mice.” Cell Transplant19(9): 1157-1168.

Rehni, A. K., N. Singh, A. S. Jaggi and M. Singh (2007). “Amniotic fluid derived stem cells ameliorate focal cerebral ischaemia-reperfusion injury induced behavioural deficits in mice.” Behav Brain Res183(1): 95-100.

Tao, J., F. Ji, B. Liu, F. Wang, F. Dong and Y. Zhu (2012). “Improvement of deficits by transplantation of lentiviral vector-modified human amniotic mesenchymal cells after cerebral ischemia in rats.” Brain Res1448: 1-10.

Tsuji, H., S. Miyoshi, Y. Ikegami, N. Hida, H. Asada, I. Togashi, J. Suzuki, M. Satake, H. Nakamizo, M. Tanaka, T. Mori, K. Segawa, N. Nishiyama, J. Inoue, H. Makino, K. Miyado, S. Ogawa, Y. Yoshimura and A. Umezawa (2010). “Xenografted human amniotic membrane-derived mesenchymal stem cells are immunologically tolerated and transdifferentiated into cardiomyocytes.” Circ Res 106(10): 1613-1623.

Zagoura, D. S., M. G. Roubelakis, V. Bitsika, O. Trohatou, K. I. Pappa, A. Kapelouzou, A. Antsaklis and N. P. Anagnou (2012). “Therapeutic potential of a distinct population of human amniotic fluid mesenchymal stem cells and their secreted molecules in mice with acute hepatic failure.” Gut61(6): 894-906.

Zhang, D., M. Jiang and D. Miao (2011). “Transplanted human amniotic membrane-derived mesenchymal stem cells ameliorate carbon tetrachloride-induced liver cirrhosis in mouse.” PLoS One6(2): e16789.

Zhao, P., H. Ise, M. Hongo, M. Ota, I. Konishi and T. Nikaido (2005). “Human amniotic mesenchymal cells have some characteristics of cardiomyocytes.” Transplantation 79(5): 528-535.

 

Print Friendly
  • TRATAMENTO COM CÉLULAS TRONCO PARA DOENÇAS DIVERSAS
  • 3
  1. jefferson disse:

    Gostaria de saber aonde e como é possivel fazer o tratamento de Células tronco, tenho lesão medular por Hérnia de Disco na Região Toraxica , T9 T10

    24/agosto/2017 ás 15:51
  2. Jeferson aurelio Alves de Bastos disse:

    Amigos gostaria de saber se há algum lugar para participar de pesquisas de células tronco para paraplégico, sofri um acidente de moto e tive lesão na t4 completa em 2008, Gostaria de participar das pesquisas para ver se consigo ter alguma melhora, fico no aguardo de uma resposta obrigado.

    03/outubro/2017 ás 19:17
  3. Fabio disse:

    Gostaria de saber mais sobre a pesquisa tenho lesão medular incompleta

    24/outubro/2017 ás 12:50

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>