TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC): O Que É Que Você Tem Na Cabeça?

TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC): O Que É Que Você Tem Na Cabeça?

Patrícia de Carvalho Ribeiro, Daniel Mendes Filho, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 4, N. 16, 15 de Outubro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.10.15.003

TOC, TOC! Quem é? Quem é não. Por que é que eu faço e refaço tudo novamente e de novo se é que já fiz isso mil vezes antes?

Um trabalho publicado em setembro de 2017 investigou a mente e cérebro das pessoas acometidas pelo Transtorno Obsessivo Compulsivo, o famoso TOC.

O TOC é definido por obsessões e/ou compulsões que se repetem e podem prejudicar a qualidade de vida do indivíduo afetado. As obsessões podem ser de pensamentos, imagens ou impulsos repetitivos que causam extrema ansiedade. Já as compulsões dizem respeito aos comportamentos físicos ou mentais que se repetem em resposta às obsessões como, por exemplo, checar várias vezes se a torneira está fechada em resposta ao pensamento obsessivo de que ela pode não estar fechada (tudo bem conferir uma vez, mas 5, 10, 15 vezes?!…).  

toc 

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=migvixZPzyE

É interessante notar ainda que o paciente portador de TOC, em geral, reconhece que sua obsessão e/ou compulsão é exagerada e muitas vezes infundada. Por exemplo, quem possui TOC em verificar se uma porta está trancada, reconhece que já, na primeira verificação, ela estava fechada, mas a obsessão o impele a conferir mais de uma vez. Ou seja, o indivíduo consegue perceber a realidade dos fatos, porém a compulsão o impulsiona a agir contra a razão.

Considerando todas essas peculiaridades do TOC e que nessa doença parece ocorrer uma dissociação entre a convicção/percepção de uma realidade e a ação realizada (já que o paciente tem consciência de que sua obsessão é desproporcional, porém não consegue evitar a ação compulsiva), um grupo de pesquisadores do Reino Unido estudou como funciona o registro mental das convicções da realidade em contraste com as ações nos pacientes com TOC. 

Para tanto, eles utilizaram um modelo matemático computacional de tomada de decisão, através de um simples jogo. Nesse jogo, os pacientes eram instruídos a colocar uma espécie de cesto em um círculo, com o objetivo de capturar partículas que partiam do meio deste círculo. Os pacientes então moviam o cesto para o local que acreditavam ser o mais provável de capturar a partícula e eram solicitados a informar a porcentagem do quão convictos e confiantes eles estavam com a escolha que haviam realizado. Em geral, o destino das partículas no jogo variava muito pouco, mas havia uma chance em oito, em cada jogada, do destino das partículas mudar abruptamente.

Foram estudados 24 pacientes com TOC e 25 pacientes saudáveis, utilizados como grupo controle. Os resultados demostraram que ambos os pacientes com TOC e os pacientes saudáveis apresentaram capacidade similar de convicção e confiança nas escolhas que haviam feito durante o jogo. No entanto, nos pacientes com TOC as ações eram dissociadas da informação prévia adquirida durante as partidas, a qual poderia prever com mais acurácia qual o melhor local para deslocar o cesto e capturar as partículas. O grupo com TOC em geral realizava a escolha de seu movimento baseada apenas nos resultados mais recentes observados nas últimas partidas e não na média de todas as partidas jogadas. Desta forma, esses pacientes tendiam a mover o cesto muito mais, em geral baseados no destino da última partícula que visualizaram no jogo. 

Esse estudo sugere que o cérebro processa a convicção/confiança/percepção da realidade de uma forma independente das ações. Nos pacientes com TOC, as ações não respondem de forma eficiente e racional às convicções. 

Esses dados são de extrema importância, pois ao se compreender os mecanismos por trás de transtornos obsessivos, as terapias podem ser melhor direcionadas. Muito mais do que a observação de apenas os sintomas, entender os mecanismos relacionados às desordens mentais pode gerar grandes benefícios aos pacientes.

Por isso mesmo que Ciência é INVESTIMENTO! Apoiem esse fato que o Brasil tornar-se-á uma Nação rica e forte!

Referências

Barlow DH. Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos: Tratamento Passo a Passo. 5ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2016.

Vaghi MM, Luyckx F, Sule A, Fineberg NA, Robbins TW, De Martino B. Compulsivity Reveals a Novel Dissociation between Action and Confidence. Neuron. 2017 Sep 27. pii: S0896-6273(17)30841-3.

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