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TRANSPLANTE FECAL PARA TRATAR DIABETES?

TRANSPLANTE FECAL PARA TRATAR DIABETES?

Daniel Mendes Filho, Patrícia de Carvalho Ribeiro, Ricardo Cambraia Parreira, Rodrigo R Resende

Edição Vol. 5, N. 04, 28 de Dezembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.12.28.002

O fim da diabetes pode estar por passar por alimentação com bactérias das fezes de gene magra… é mole?! Mas é sério.

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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 422 milhões de adultos tem diabetes, ou seja, uma em cada 11 pessoas no mundo. Esses dados são preocupantes uma vez que a diabetes traz consigo consequências graves como amputação de membros, disfunção renal, cegueira, acidente vascular cerebral (AVC) e problemas cardiovasculares. (Fonte: figura adaptada de: http://www.who.int/diabetes/global-report/WHD2016_Diabetes_Infographic_v2.pdf?ua=1)

A diabetes melito é uma doença crônica na qual o corpo não consegue manter equilibrados os níveis de glicose (açúcar) sanguíneos, ou sua glicemia. Com isso, o diabético tem a tendência à hiperglicemia constante (ou seja, ter o nível de açúcar no sangue sempre elevado). Essa doença pode ser desencadeada por dois motivos que definem o tipo da diabetes melito: 

  1. O pâncreas não consegue produzir o hormônio insulina, responsável por deslocar a glicose do sangue para as células (diabetes melito tipo 1 ou juvenil);
  2. A insulina é produzida, mas não consegue fazer efeito sobre as células, geralmente devido a uma menor sensibilidade para esse hormônio (diabetes melito tipo 2). 

Os sintomas de ambos os tipos são semelhantes, envolvendo poliúria (a pessoa urina frequentemente e em grandes volumes), polidipsia (aumento na quantidade de água ingerida) e fome constante. 

A diabetes melito tipo 2 geralmente está associada à obesidade, bem como à má alimentação e ao sedentarismo (dois costumes que a cada dia mais pessoas adotam…), por isso, sua incidência quadruplicou desde 1980! 

Levando em conta a incidência crescente e as consequências graves da diabetes melito, que incluem cegueira, doenças renais e cardiovasculares, um verdadeiro mutirão de cientistas se dedica há anos tanto a compreender os mecanismos da diabetes e quanto a procurar por uma cura. 

Pesquisadores da Holanda encontraram uma possibilidade de tratamento que a primeira vista é, no mínimo, inusitada para a maioria das pessoas: o transplante fecal!

Para investigar os efeitos a curto e longo prazo da composição da microbiota intestinal (que é o conjunto de bactérias benéficas que habita nossos intestinos) sobre a sensibilidade à insulina, o doutor Max Nieuwdorp e colegas da Universidade de Amsterdã, na Holanda, recrutaram 38 homens obesos entre 21 e 69 anos. Esses pacientes receberam transplantes de fezes frescas (com no máximo 6 horas de “produção”) de 11 doadores magros e saudáveis (Figura 1). 

Os pacientes passaram por diversos exames clínicos e laboratoriais ao longo de 18 semanas para avaliar os efeitos desse transplante exótico e os resultados foram bem interessantes: 6 semanas após o transplante, metade dos indivíduos obesos (que naturalmente tem a tendência ao diabetes melito tipo 2) demonstrou melhora significativa na sensibilidade à insulina. Essa melhora estaria vinculada a um aumento na quantidade da bactéria Bifidobacterium pseudolongum, que converte os carboidratos que ingerimos em acetato, o qual está relacionado a uma maior sensibilidade à insulina. Entretanto, ao fim das 18 semanas de observação, esse efeito positivo tinha desaparecido. 

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Figura 1: Ao serem transplantados com fezes de indivíduos magros saudáveis (seta cinza), alguns dos pacientes obesos apresentaram uma mudança positiva na microbiota intestinal (seta verde) o que melhorou significativamente sua sensibilidade à insulina (Fonte: figura adaptada de: Kootte et al, 2017)

Os pesquisadores acreditam que o benefício do transplante fecal na sensibilidade à insulina (e para possível tratamento da diabetes melito) depende, também, da microbiota intestinal que cada paciente apresentava antes do transplante – isso explica porque nem todos apresentaram melhora. Além disso, os transplantados não alteraram nem sua dieta nem seu estilo de vida, o que pode ter feito a microbiota voltar a ser a mesma de antes e, consequentemente, a resistência à insulina também. Talvez, se o transplante fecal fosse acompanhado por uma dieta adequada e exercícios físicos, a sensibilidade à insulina apresentaria melhora duradoura em todos os pacientes. De qualquer modo, a implicação mais importante desse estudo foi demonstrar que a sensibilidade à insulina em seres humanos é afetada pela microbiota intestinal (para saber um pouco mais sobre a microbiota intestinal e seus efeitos na nossa saúde, leia EMAGRECENDO COM PROBIÓTICOS).

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Referências

Diabetes. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs312/en/>. Acesso em: 19/11/2017.

Could Fecal Transplant Improve Insulin Sensitivity? – Medscape – Oct 03, 2017

Kootte RS, Nieuwdorp M et al. Improvement of Insulin Sensitivity after Lean Donor Feces in Metabolic Syndrome Is Driven by Baseline Intestinal Microbiota Composition. Cell Metab. 2017 Oct 3;26(4):611-619.e6. doi: 10.1016/j.cmet.2017.09.008.

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  • 1
  1. Daniel Mendes Filho disse:

    Bom dia. A figura 1 está errada. A imagem correta é pode ser vista no site http://www.cell.com/cms/attachment/2112290348/2083946681/fx1.jpg

    29/janeiro/2018 ás 11:17

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