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TOMAR OU NÃO FOSFOETANOLAMINA? Meu Testemunho – parte I

TOMAR OU NÃO FOSFOETANOLAMINA? Meu Testemunho – parte I

Edição Vol. 3, N. 3, 24 de Novembro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.11.24.001

Costumo classificar o câncer em quatro etapas, claro, esse é um posicionamento pessoal, que pode ou não ser identificado pelos demais compadecentes como, ligeiramente ou totalmente semelhante aos meus sentimentos, como produto de sentimentos que envolve encarar a realidade ou distanciar-se dela, mas impossível de fuga.

Em um primeiro momento temos a fase de negação. Tanto quem foi diagnosticado como seus parentes ou amigos não acreditam que isso possa ter acontecido com você. Todos negam a verdade dos resultados positivos. Isso mesmo, são feitos mais de um teste, mais de um exame e, geralmente, em laboratórios diferentes para se confirmar o fato incontestável que se tem a famigerada resposta da presença de células malignas. Foi assim comigo e com meus colegas perambulantes de corredor.

A segunda fase é a da aceitação. Aqui já aceitamos que temos a massa celular disforme que cresce ininterruptamente e que devemos iniciar o tratamento. No meu caso, e em de outros poucos que tive conhecimento, vivemos essa situação em completo reduto de um mundo que é somente nosso e de poucas pessoas desconhecidas, mas que nos dão suporte para aliviar essa carga. Um suporte ao menos técnico – clínico, como os oncologistas, enfermeiros e psiquiatras. Daí você poderia perguntar me: E seus familiares? Exatamente isso. Em minha situação não da para simplesmente dizer a quem está ao meu lado que padeço de um “quadro clínico delicado”, que minha estimativa de vida tem como período menor que seis finitos meses. Por quê? Há pouco tempo atrás, coincidência ou não, seis meses atrás uma situação clínica abalou nosso firmamento. Que levou a outras situações, que não posso expor aqui pela simples questão de não querer ser identificado, deixando o estado de humor ladeira a baixo. Um estado depressivo foi instalado. Ah, tá! E o resto de sua família? Por que não contar a ela, ou a seus amigos? Primeiro porque o estado de estar com câncer chegaria a ela. Segundo, os familiares em idade avançada se aprofundariam em um rio de lama, sem conseguir subir para respirar e lutarmos juntos. Então, pra que não falar nada? Tudo para proteger às pessoas a quem amo. Pode não ser o certo, mas é o meu sentimento de autopreservação e de meus queridos.

Na terceira fase, da qual também já passei, senão não estaria falando dela, é quando surtamos. Claro, se sua família, esposa estão juntos todos entram em estafa e “piram o cabeção”. Vem o estresse emocional de que nada está dando certo, nenhum tratamento realizado foi efetivo para combater essa doença que lhe devora pedacinho por pedacinho, primeiro devagar, para, em seguida, lhe devorar de modo esfomeado, uma devassa das partes de seu corpo. Entendem agora porque não deixar quem você ama saber disso? Todos entram na roda de louca insanidade e medo do que possa vir acontecer. Prefiro viver essa realidade com o corpo clínico e meus vários psiquiatras, e meus tantos psicotrópicos que me deixam “pra lá de Bagdá”. 

Bem pra lá do que pra cá mesmo. Os médicos acreditam que sejam devido aos tratamentos para irromper o crescimento das células cancerígenas, que de fato podem ser, já que muitos têm efeitos centrais secundários, isto é, efeitos colaterais no sistema nervoso. O fato é que surgiram efeitos centrais, e nesse caso falo do sistema nervoso central ou encéfalo (órgão que inclui o cérebro), como queira chama-lo. Crises convulsivas tônico-clônicas, aquelas em que o indivíduo cai e se estrebucha no chão, chutando o ar e jogando o tênis para longe de si, criando um verdadeiro mal estar para quem vê. Bom, pelo menos pelo que fiquei sabendo. Quando isso ocorreu comigo, disseram-me que as pessoas assustaram-se, ficaram com medo, não sabiam o que fazer, diziam que a baba era contagiosa ou que estava possuído… Possuído por uma descarga elétrica em todo o encéfalo, incluindo o cérebro, responsável pela realização e coordenação das faculdades mentais superiores e origem dos movimentos, e o cerebelo, responsável pelo equilíbrio e coordenação motora, entre outras funções. Por isso que o epiléptico, ou pessoas que têm convulsão total perdem o sentido e os movimentos ficam desorientados, pelo excesso de neurotransmissores que o encéfalo libera. Entre um deles está a acetilcolina, que atua diretamente nos músculos, causando os movimentos involuntários e bruscos. E as crises de ausência, quando saio do ar, segundo quem me viu. Fico congelado no tempo e espaço ou fico divagando em outro mundo com poucos movimentos da boca e dos olhos. Sinceramente, quem não divaga às vezes indo para seu próprio mundo? Seu único reduto de sanidade, longe das mazelas dessa vida? Se eu fosse um monge diriam que estava meditando. Entretanto, como me falaram e perguntaram-me, volto ao período anterior onde havia iniciado a crise de ausência. Não vendo e nem percebendo nada do que ocorrera durante o período da crise. Na verdade, gostaria de acreditar que essa visão dos que a minha volta estão fosse um delírio coletivo, movido pela empatia social. Mas isso é possível? Sim. Segundo a explicação da empatia social tendemos a reagir de maneira semelhante às pessoas em nossa volta. Como no caso de um bocejo. Quando um abre a boca, desencadeia um sono na maioria dos que estão em nossa volta, tendendo a formar um grupo com uma característica semelhante, tendendo a se aproximarem. Então, por que não um delírio de todos meus conhecidos? Pena que isso seja uma ideia forçada minha para aliviar minha tensão pela verdadeira causa desses ataques epilépticos.

Na última fase da minha lúdica classificação vem o estado de esperar. Esperamos tudo, no meu caso, espero. Espero o que vier pra mim. Se der certo, deu. Se não der certo, não deu. Espero a morte. De duas possíveis, uma. Ou o câncer vence-me pelo seu povoamento alastrado em meu combalido corpo, ou me vence com eu tirando aquilo que me foi dado enquanto ainda na união dos gametas de meu pai e da minha mãe, de quando ainda em seu útero meu sistema nervoso formava-se. Simples assim, tirando aquilo que Cristo a mim deu, minha vida. Trágico? Melancólico? Autodestrutivo? Autocomiseração? Pode ser tudo isso, mas os sentimentos são alheios quando quem tem uma data de validade marcada em sua testa. Um mês a mais, um mês a menos, em três, quatro, qual a diferença? Produtos de gôndolas de supermercados são vendidos até mesmo fora de seu prazo de validade e podem levar a quem deles se alimenta a um desastre estomacal. É bem o que ocorre com a gente. O câncer avança e se alastra, cresce, povoa, esmiúça, corrói o resto do que se tem, sobra o corpo desmilinguido. Então, tenho essa pseudo-solução, caso queira assim chama-la, como plausível (Figura 1).

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Figura 1: Na figura: Pressione X para não morrer. Se a vida fosse apenas um jogo estúpido feito por gente falsa e hipócrita seria muito simples reinicia-la sem burocracia.

Não conto por ser egoísta ou achar que não preciso de ninguém, muito pelo contrário. A proteção que eu quero para eles é tão boa para mim quanto para meus queridos. Não entendeu? Então vamos. Quando as pessoas não sabem não ficam perguntando-lhe se está mal, doente, morrendo, etc. Não tem aquele tratamento de que você é diferente, de que você está frágil ou morrendo, e todo mundo em volta tem aquele sentimento de dó e pena do pobre moribundo que perambula pelos corredores. E isso faz uma enorme diferença! Ser tratado diferente como doente, ou mesmo como muitos fazem, com medo e preconceito apenas nos deixa mais deprimidos e com a autoestima embaixo. Por outro lado, se as pessoas que você ama não sabem, não sofrem, e tratam-lhe da mesma maneira que antes, porém, você muda seu comportamento e da mais valor a elas. Então, vira uma retroalimentação positiva, em que você os ama mais e, consequentemente, eles amam-no mais. Acredite, você muda para melhor! Não sou eu dizendo, são os outros que me rodeiam é que dizem isso. Tanto é que precisamos mais dos outros, e que todos estejam bem, que quanto mais fico perto de quem amo, melhor sinto-me. E isso ajuda muito no tratamento.

Outra situação, por que não contar então, já que teria apoio durante o tratamento? Além de tudo que disse acima, você acaba fazendo a quem ama, sofrer. Já conviveu com alguém que amava e que estava para morrer e assim permaneceu por meses ou mesmo um ano? Percebeu como é triste e que há grande desgaste emocional por sua parte? Toda dor que se prolonga, aquela dor crônica, dói muito mais do que uma dor aguda. O que quero dizer é que, se morrer, a dor será aguda, acabará por ali. Se todos souberem de tudo no início, a dor deles será prolongada até que se resolva sua situação, a dor será crônica, aumentando-se a tensão. Então, é melhor que não saibam para não sofrerem tanto.

Poderia incluir outra fase, a do se preparar, mas essa é uma fase que se mistura com todas. A gente prepara tudo para que der certo ou para que der errado. Preparamos as pessoas sem elas saberem, organizamos os papeis sem elas saberem, organizamos nossas contas, créditos e débitos. Eita, conta ruim é quando se tem mais débito do crédito… imagina deixar uma dívida para quem fica? Vão xingar-lhe até debaixo da terra… comi-trágico!

Mas, antes de entrar no assunto da fosfoetalnolamina direto, descreverei um pouco sobre o tipo de câncer que tenho, os tratamentos pelos quais já passei e o qual estou fazendo agora.

“A quimioterapia utiliza medicamentos anticancerígenos para destruir as células tumorais. Por ser um tratamento sistêmico, a quimioterapia atinge não somente as células cancerígenas senão também as células sadias do organismo. De forma geral, a quimioterapia é administrada por via venosa, embora alguns quimioterápicos possam ser administrados por via oral.”

Uma questão que poucos sabem, ou entendem, é que há diversos tipos de cânceres diferentes, cada um acometendo um órgão diferente e, dentro deste órgão que é formado por um conjunto de tecidos, esses tecidos podem também ser acometidos por câncer. Mas, o que significa isso na prática? Que num mesmo órgão podem-se originar diferentes tipos de câncer. E cada câncer tem diferentes graus de malignidade. Então, não são todos, independentemente se são do mesmo tipo, que matam. Estou escrevendo um livro sobre os diversos tipos de câncer e, se ainda eu tiver tempo, quem sabe não sai esse ano?! Han! Não seria bom?! Abrindo um parêntese aqui. O Nanocell News havia iniciado uma série sobre câncer, porém, alguns invejosos e covardes fizeram com que o jornal interrompesse sua publicação. Pelo jeito, alguns partidários desse governo não gostam que a população tenha o direito ao conhecimento…

MINISTÉRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DESTINOU R$10 MILHÕES PARA O ESTUDO DA FOSFOETANOLAMINA

Alguns dias atrás o Ministério de Ciência e Tecnologia destinou R$10 Milhões para o estudo da fosfoetanolamina para o tratamento do câncer. Sinceramente, esse governo é muito propagandista e inefetivo em suas ações para o cuidado e tratamento da população. Uma pesquisa que ainda está sendo estudada em células em cultura não pode dar um salto direto para seres humanos. Sim, sei que as possibilidades da fosfoetanolamina podem ser grandes para o tratamento do câncer, mas apenas 1 ou 2 compostos em 30.000 analisados in vitro (em cultura de células) realmente funcionam para tratamento de seres humanos. Os testes devem ser seguidos de maneira racional e científica.

Os 100 BILHÕES de reais desviados dos cofres públicos seriam o suficiente para se acabar com o câncer em todo o Brasil, além de criar novas tecnologias, medicamentos que poderiam ser vendidos para todo o mundo, arrecadando-se assim alguns BILHÕES anuais para serem aplicados em saúde pública.

Não é às pressas ou sob pressão que se faz ciência. São necessários investimentos contínuos e sempre com aditivos anuais, mantendo-se grupos e criando-se novos grupos a cada ano para se ter uma ciência competitiva internacionalmente, não em número de publicações, mas em qualidade, que é muito baixa a do Brasil quando comparada com outros países, inclusive menor do que a da Argentina…

UM POUCO SOBRE A ESTIMATIVA DA LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA (LLA)

 “A LLA caracteriza-se pelo desenvolvimento de células imaturas chamadas blastos linfoides que, rápida e progressivamente, substituem a medula óssea, causando uma redução na produção de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, resultando em complicações clínicas como anemia, infecção e sangramento. Com o tempo, os blastos leucêmicos podem aparecer no sangue periférico e, eventualmente, ocupar os linfonodos, baço e outros órgãos vitais. Na LLA, o envolvimento de testículos e sistema nervoso central deve ser sempre pesquisado. A leucemia linfoide aguda, se não tratada, é rapidamente fatal. A maioria dos pacientes morre meses após o diagnóstico. Com o tratamento adequado, a sua história natural pode ser alterada acentuadamente, e muitos pacientes são curados. 

O Instituto Nacional de Câncer estima para 2014 e 2015, que sejam diagnosticados 9.370 novos casos de leucemias (5.050 em homens e 4.320 em mulheres), incluindo adultos e crianças, no Brasil. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,20 casos novos a cada 100 mil homens e 4,24 a cada 100 mil mulheres.

O risco de desenvolver leucemia linfoide aguda é maior em crianças de até 5 anos. Após essa idade, o risco declina lentamente até a faixa dos 20 anos, começando a aumentar lentamente após os 50 anos. Cerca de 40% dos casos de leucemia linfoide aguda acontecem em adultos.

A maioria dos casos de leucemia linfoide aguda ocorre em crianças, mas, a maioria das mortes pela doença (cerca de 80%) ocorre em adultos. Então aqui, já sabia que poderia ter um fim rápido. Isso acontece devido às diferenças da própria doença nas distintas faixas etárias, assim como do tipo de tratamento, uma vez que o organismo das crianças, muitas vezes, pode lidar melhor do que o dos adultos com um tratamento mais agressivo, ou mesmo devido a alguma combinação terapêutica diferente.” (American Cancer Society)

“Dependendo do tipo e do estadiamento da leucemia, a quimioterapia pode ser utilizada sozinha ou em combinação a com radioterapia. Para mim, a radio não funcionou. Seria bom que funcionasse, assim evitaria mais efeitos colaterais.

A quimioterapia é administrada em ciclos, com cada período de tratamento seguido por um período de descanso, para permitir que o corpo possa se recuperar. Cada ciclo de quimioterapia dura em geral algumas semanas.

A quimioterapia para a leucemia linfocítica aguda utiliza uma combinação de drogas antineoplásicas, administradas em três fases, geralmente por dois anos. A questão de se fazer por 2 anos é o controle, na prática em poucas semanas se faz todas. Acontece que os 3-4 ciclos que fiz na primeira etapa não deram certo. Então, tenho que fazer outro tratamento com 3-4 ciclos. 

Os medicamentos quimioterápicos mais comumente utilizados no tratamento da LLA incluem:

  • Vincristina.
  • Daunorubicina.
  • Citarabina.
  • L-asparaginase ou PEG-L-asparaginase.
  • Etoposídeo.
  • Teniposideo. 
  • 6-mercaptopurina. 
  • Metotrexato.
  • Ciclofosfamida. 
  • Prednisona.
  • Dexametasona.

É óbvio que não tomei e nem outra pessoa tomará tantos medicamentos assim, mesmo porque você poderia morrer pelos medicamentos, ao invés da própria doença… mas, uns cinco a oito a gente acaba tomando. Abaixo relato como foi a administração e as doses de cada ciclo.

O protocolo que segui foi:

PROTOCOLO Hyper CVAD (MD Anderson Cancer Center – MDACC) 

Ciclofosfamida, com aplicação intravenosa 300mg/m2 /dia 12/12h (total foram de 6 doses), nos Dias 1 a 3 

MESNA, com aplicação intravenosa 600 mg/m2/dia infusão contínua nos Dias 1-3 (Iniciei no Dia 1 , terminou 6h após última dose da CPM ) 

Dexametazona, pode ser via oral 40 mg /dia, nos dias 1-4, e dias 11-14 

Vincristina, injeção… intravenosa 2 mg/dia, mas somente nos dias 4 e 11 

E para terminar a DOXORRUBICINA, por via intravenosa 50 mg/m2 /dia, no Dia 4

G-CSF, via intravenosa/SC 10 mcg /kg/dia* em 2 doses

A partir do Dia 5(*) até atingir critério para novo ciclo, ou interrupção prévia caso a leucometria esteja acima de 30.000

Como não funcionou, parti para o transplante de medula, que explico mais para baixo. Foi aqui que fiquei sabendo da fosfoetanolamina. Quando recebi a notícia de que não havia funcionado procurei saber sobre tudo que poderia ajudar, tipo de alimentação, exercícios físicos, sono adequando, hobby (para mim é meu trabalho), amizades, confraternização, além da fosfoetanolamina.

POSSÍVEIS EFEITOS COLATERAIS

Os quimioterápicos não só atacam as células cancerosas, mas também células normais (tratamento sistémico), o que pode levar a efeitos colaterais. Os efeitos colaterais dependem do tipo de medicamento, da dose administrada e da duração do tratamento. Os efeitos colaterais comuns à maioria das drogas quimioterápicas podem incluir:

  • Perda de cabelo.
  • Inflamações na boca.
  • Perda de apetite.
  • Náuseas e vômitos.
  • Diarreia.
  • Infecções.
  • Hematomas ou hemorragias.
  • Fadiga.
  • Neuropatia.
  • Secura nos olhos.
  • Problemas de equilíbrio e coordenação.
  • Leucemia mieloide aguda.
  • Síndrome de lise tumoral.

Estes efeitos são geralmente de curto prazo e tendem a desaparecer ao término do tratamento e já tive tudo isso… QUE BELEZA HEIN!! No entanto, mantenha o médico informado sobre qualquer sintoma, pois a maioria desses efeitos pode ser manejada de forma eficaz. No meu caso específico, nem conto mais, para mim já deu e acostumei. Porém, não faça isso se você não for da área de saúde e não tiver conhecimento apurado sobre medicina. Então, independente de quem você seja, procure SEMPRE seu médico.

As infecções podem ser muito graves em pacientes em quimioterapia, muitas vezes precisam ser administrados medicamentos conhecidos como fatores de crescimento para ajudar na recuperação dos glóbulos brancos e reduzir a possibilidade de infecção.

Se os glóbulos brancos estão muito baixos durante o tratamento, você pode ajudar a reduzir o risco de infecção limitando sua exposição a germes:

  • Lave as mãos com frequência.
  • Evite frutas frescas, cruas e vegetais e outros alimentos que possam conter germes.
  • Evite contato com flores e plantas.
  • Certifique-se de que outras pessoas lavaram suas mãos antes de tocar em você. Esse é um ponto importante. Às vezes, as pessoas acham que você é cheia dos “não me toques”. Não se incomode. Muitas não sabem o que você tem e, quando sabem, não entendem como você deve-se cuidar. Então, temos que compreender elas e não maldize-las. Elas serão importantes para seu suporte. Algumas, talvez nem acreditarão… melhor assim! Pessoalmente, quanto menos falamos menos sofremos. E é uma barra escrever esse texto todo. Por isso, já se faz vários dias que escrevo.
  • Evite multidões e contato com pessoas doentes.

No caso em que a contagem de plaquetas se mostre muito baixa pode ser necessária a realização de transfusões de plaquetas para ajudar a proteger contra sangramentos. A fadiga causada pela anemia pode ser tratada com medicamentos ou com transfusões de sangue. Nem sempre isso é necessário. Eu, pelo menos, não tive que passar por isso, mesmo o primeiro tratamento não dando certo.

Se ocorrerem efeitos colaterais graves, a quimioterapia pode ter que ser reduzida ou suspensa por um curto período de tempo.” (American Cancer Society)

AS FASES DO TRATAMENTO E SEUS DETALHES

Quem tem LLA pode ser curado utilizando-se de quimioterapia, quando indicado inibidores de tirosino-quinase e transplantes de medula óssea. Como a leucemia é uma doença rapidamente progressiva, o tratamento antileucêmico específico deve se iniciar o mais depressa possível. O objetivo da quimioterapia inicial é induzir a restauração da função medular normal através da obtenção de uma remissão. 

O tratamento inicial para a LLA pode ser fracionado em três fases: indução da remissão, tratamento pós-remissão e profilaxia do SNC.

I. INDUÇÃO A terapêutica clássica de indução, que se prolonga por algumas semanas, consiste na combinação de vários agentes citotóxicos e imunosupressivos, como a vincristina, prednisona, asparaginase e um antraciclínico (daunorubicina ou doxorubicina). Um regime alternativo usa doses moderadas de metotrexato (MTX) e dexametasona. Outras drogas úteis em certas formas de leucemia aguda linfoblástica incluem a ciclofosfamida e a citosina-arabinosídeo (Ara-C), a que causa a cada de pelos do corpo e dos cabelos. 15-20% dos adultos e 5% das crianças não atingem uma remissão completa após a indução. A mortalidade durante a indução aumenta com a idade (menos de 3% em crianças e 20-30% em adultos acima dos 60 anos de idade). Ainda bem que tenho menos que 60 anos… A principal causa de morte são as infecções bacterianas, víricas e fúngicas.

 

II. CONSOLIDAÇÃOINTENSIFICAÇÃO Após a indução de uma remissão, a administração de novos agentes, como etoposídeo, 6-mercaptopurina e outros, prolonga o período de controle da doença, e tem um impacto na sobrevivência dos doentes. O transplante alogenico de medula óssea (ABMT) é uma alternativa nesta fase, porém, não o foi para mim. Mesmo assim, não é qualquer pessoa que pode doar a medula, deve haver uma compatibilidade alta entre a de quem recebe com a de quem doa. É como a doação de sangue, em um exemplo bem mais simples. Somente sangue iguais ou compatíveis é que uma pessoa pode ter sua transfusão efetuada.

III. MANUTENÇÃO O racional da terapêutica de manutenção é a erradicação da doença residual mínima. Um dos regimes consiste no uso de 6-mercaptopurina e MTX durante 2 ou mais anos, às vezes associado a ciclos repetidos da terapêutica de consolidação. 

IV. PROFILAXIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL É importante, visto que existe um risco de relapso de leucemia aguda linfoblástica no SNC de 21-50%. Além disso, o paciente pode ter crises epilépticas, as quais devem ser tratadas como tais.

 Nesse caso, três modalidades são usadas: 

1. radioterapia do cérebro; 

2. administração intratecal, através de um reservatório de Ommaya, de MTX, Ara-C e prednisona; 

3. quimioterapia sistêmica com altas doses de MTX ou Ara-C. Estas terapêuticas produzem um certo grau de neurotoxicidade aguda e crônica, especialmente em crianças. A terapêutica da leucemia aguda linfoblástica refratária ou em relapso. Doentes adultos que não entraram em remissão após a indução, ou que sofreram um relapso (recidiva), estão em alto risco. Com a quimioterapia convencional, as remissões são curtas e só 5% dos doentes têm um controle prolongado de leucemia aguda linfoblástica. Estes doentes são fortes candidatos a terapêuticas intensivas seguidas de transplante alogênico de medula óssea. Neste ponto, tenho que deixar claro uma situação. Esses tratamentos se intercalam e isso quer dizer que, se o primeiro tratamento, a INDUÇÃO DA REMISSÃO, não funcionou significa que você terá que passar por isso novamente. Claro, suas chances reduzem bastante… vamos ser sincero, cai para 30-20%. E todos os sintomas discutidos acima, incluindo os do sistema nervoso central ocorrem. Com imunidade baixa, seu corpo fica todo empolado com micose. Como precisa fazer biópsias, vários cortes serão feitos em seu corpo atrás dos gânglios linfáticos, geralmente onde há a formação de “ínguas”. Vômito de sangue, diarreia, vertigem, tontura, lapso de memória, secura e ardência nos olhos (por isso uso óculos escuro), hematomas, sono excessivo, entre outras, somente para falar de algumas que tenho. A manutenção não é tão drástica assim. Ela pode ser feita de tempos em tempos e com medicamentos que não fazem com que o cabelo caia. Isso é o melhor, assim ninguém percebe. Se bem que se pode rapar a cabeça até a máquina 1. Algumas falhas aparecerão, mas crescem mais rápido depois.

 

TRANSPLANTE ALOGÊNICO DE MEDULA ÓSSEA É um tratamento altamente tóxico, que consiste numa quimioterapia em altas doses seguida da infusão da medula óssea de um dador. A mortalidade pós-transplante pode atingir 20-25%. Tem, basicamente, duas indicações em doentes com muito bom estado geral:

 - doentes em primeira remissão Após a indução e que possuam certos fatores de risco (idade acima dos 50 anos, contagem de leucócitos muito elevada, certas anomalias cromossômicas, e uma remissão completa tardia, superior a 5-6 semanas após a indução), que não me enquadro. E 

- doentes em segunda remissão. O regime frequentemente usado inclui a irradiação total do corpo com altas doses de ciclofosfamida e outras drogas. Só um terço de potenciais candidatos a transplante alogênico de medula óssea têm um dador consanguíneo compatível (com antígenes de histocompatibilidade – HLA -idênticos). É o meu caso, mas como não tenho doador e não quero que outros sabem, decidi-me por escolher a alternativa de buscar um doador pelo Registo Internacional de Doadores da Medula Óssea e iniciar o tratamento. Nesse caso é responsabilidade total e exclusiva minha do que pode vir a ocorrer, então, não faça isso se seu médico não recomendar. 

Os doentes que não têm um doador nestas condições podem ainda ser transplantados com dadores consanguíneos não totalmente compatíveis, ou com dadores não-consanguíneos obtidos através do Registo Internacional de Doadores da Medula Óssea, embora a toxicidade do tratamento aumente. Parece que algumas células da medula óssea transplantada atacam as células leucêmicas do doente e, portanto, exercem um efeito benéfico. A este efeito chama-se “efeito transplante versus leucemia” (em inglês, “graft-versus-leukemia – GVL”). 

Esse é o ponto do tratamento que acabei de fazer. Uma vantagem que tenho é que não sou do grupo mais drástico, estou no intermediário, por isso não funcionou a primeira indução. 

Prognóstico Os adultos atingem uma remissão numa percentagem que pode ir até aos 80%. No entanto, cerca de 70% dos doentes com leucemia aguda linfoblástica pertencem ao grupo de alto risco e têm uma expectativa de sobrevivência a longo prazo inferior a 30%. Esse é meu medo e ao qual me preparo para o que der e vier. Se o transplante não funcionar, o um terço de chance de viver cai para menos de 5%.

 

Com tais esquemas, é conseguido uma remissão completa em 90% das crianças e 80% a 90% dos adultos. Como a vincristina (que faz com que o cabelo caia), a prednisona e a L-asparaginase são pouco tóxicas para os precursores de medula óssea, o paciente frequentemente entra em remissão completa depois de um período relativamente curto de mielossupressão. E é nesse ponto que espero agora… A incapacidade de atingir uma remissão completa é geralmente devida tanto à resistência das células leucêmicas às drogas usadas quanto a uma infecção progressiva. 

QUIMIOTERAPIA PÓS-REMISSÃO

Se não houver uma continuidade no tratamento depois da indução da remissão completa, todos os casos poderão recidivar, a maioria depois de diversos meses. Este fato demonstra a necessidade de prosseguir a quimioterapia após a remissão completa, que pode ser administrada em diversas associações, doses e esquemas. O termo quimioterapia para consolidação se refere em geral a ciclos curtos de quimioterápicos administrados com doses semelhantes às usadas para a indução inicial. Em geral, se tenta selecionar drogas diferentes para a consolidação daquelas usadas para induzir a remissão inicial. No caso da LLA, tais drogas compreendem o metotrexato em altas doses, a ciclofosfamida e a citarabina, entre outras. A manutenção implica a administração de quimioterapia em baixas doses numa base diária ou semanal, em ambulatório ou em caso, o que é melhor já que podemos fazer a autoaplicação, por longos períodos de tempo. O esquema de manutenção mais frequentemente usado na LLA é o que associa 6-mercaptopurina diária e metotrexato semanal ou duas vezes por mês. Não se sabe a duração ótima para a quimioterapia de manutenção, mas em geral ela é administrada durante dois a três anos. 

Parece terrível, mas é a melhor situação que podemos ter.

Mas, o que conto agora abaixo é de responsabilidade total e exclusiva minha. NINGUÉM. Repito NINGUÉM, deve fazer uso sem o consentimento de seu médico e, somente deve faze-lo se SEU MÉDICO RECOMENDAR (Figura 2). 

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Figura 2: Não faça uso de medicação sem o consentimento de seu médico.

Continua em TOMAR OU NÃO FOSFOETANOLAMINA? Meu Testemunho – parte II

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