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TERAPIA MUSICAL AUMENTA A ATIVIDADE PSICOMOTORA EM PACIENTES COM ALZHEIMER

TERAPIA MUSICAL AUMENTA A ATIVIDADE PSICOMOTORA EM PACIENTES COM ALZHEIMER

Giovanna Rossi Beltrame, Alexandre Hiroaki Kihara, Vera Paschon

Laboratório de Neurogenética / Núcleo de Cognição e Sistemas Complexos / Centro de Matemática, Computação e Cognição / Universidade Federal do ABC

Edição Vol. 3, N. 6, 04 de Fevereiro 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.02.05.002

A doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa frequente entre idosos que acontece com um desenvolvimento gradual e leva a um progressivo e irreversível declínio de funções intelectuais como a perda de memória, aprendizado, distúrbios da linguagem, comunicação e orientação no tempo e no espaço (1) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/chocolate-pode-aumentar-a-capacidade-de-memorizacao-e-beneficiar-o-cerebro-com-alzheimer/). Isso ocorre devido a morte de neurônios em regiões cerebrais responsáveis pelas funções cognitivas, como o córtex cerebral e o hipocampo. Ainda não se sabe ao certo porque as células nervosas morrem, mas a principal suspeita dos cientistas é que isso seja causado pelo acúmulo de proteína beta amiloide deficiente, que forma placas e se agrupam entre os neurônios e aglomerados de neurofilamentos de proteína tau (Figura 1).

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Figura 1: A) Corte coronal de cérebro saudável e com Alzheimer avançado. B) Neurônios em processo de morte celular devido a emaranhados de proteína tau e acúmulo de proteína beta amiloide em cérebro com Alzheimer. Adaptado de http://www.alz.org/brain_portuguese/10.asp

A DA se divide em 3 fases: inicial, intermediária e grave (Figura 2). A doença foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista alemão Alois Alzheimer, de quem recebeu o nome.

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Figura 2: Fases da doença de Alzheimer. Adaptado de http://www.alz.org/brain_portuguese/13.asp

De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) estima-se que 1 milhão e 200 mil pessoas possuam a doença no Brasil e exista por volta de 35,6 milhões de casos no mundo. (2) (veja mais em  http://www.nanocell.org.br/macacos-desenvolvem-alzheimer/).

Tendo em vista o benefício da musicoterapia em diversos tratamentos, pesquisadores da Universidade Mie, Japão, realizaram um teste com pacientes de DA submetidos a sessões de canto em um karaokê e observaram melhorias nas funções cognitivas. Os pacientes foram submetidos a 4 seções semanais, sendo 1 seção de 1 hora no hospital e 3 seções de 20 min em casa durante 6 meses (3). As sessões no hospital eram divididas em 15 min de treino de voz, 15 min. de canções já praticadas na última sessão, 20 min de músicas conhecidas e 10 min de recreação, na qual o grupo cantava músicas de sua juventude.

Para avaliar a função cognitiva, os pacientes passaram por testes de memória antes e depois do período de 6 meses do experimento; eles tinham que nomear o maior número de animais dentro de 1 min e falar nome de objetos que começassem com os fonemas ka, sa, ta e te. Um teste chamado RCPM (Matrizes Progressivas Coloridas de Raven) que mede o Q.I. do paciente foi utilizado para avaliar não somente a pontuação, mas também o tempo de performance, refletindo diretamente na velocidade do sistema psicomotor; o teste MMSE (Mini-Exame do Estado Mental) também foi aplicado e usado para obter conhecimento de problemas de memória e outras habilidades cognitivas como linguagem e atenção. A avaliação de capacidade de construção foi realizada com o método de Strub and Black que consiste em apresentar ao paciente algumas figuras geométricas e fazer com que ele as copie dando uma pontuação específica de acordo com a realização da tarefa. Mapas de estatísticas individuais foram calculados para analisar as diferenças antes e após a terapia musical. Um grupo controle (pacientes que tem DA mas não participaram da terapia musical) também foi submetido a esses testes para comparação.

Após os 6 meses de terapia musical, os pesquisadores puderam observar os seguintes resultados (Figura 3):

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Figura 3: Melhorias que o karaokê promove para pacientes com Alzheimer.

1) o tempo para realizar o teste RCPM, onde se mede o Q.I., caiu no grupo que realizou a terapia musical mostrando uma melhoria na velocidade do sistema psicomotor dos pacientes;

2) a média do tempo de sono aumentou o que mostra uma melhora geral no BPSD (sintomas comportamentais e psicológicos de demência);

3) imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) revelaram uma diferença na ativação de partes do cérebro, mais de 10 voxels (elemento de volume tridimensional da imagem) apareceram ativados;

4) melhoras na socialização, demonstração de emoções e vontade de realizar tarefas, por exemplo, fazer as sessões de canto em casa voluntariamente e sem reclamações foram constatadas, ainda observou-se maior capacidade de expressar opiniões, maior clareza e até aprimoramento da atividade de contar piadas eventualmente;

5) outra atividade que voltaram a realizar foi o uso do aparelho celular e também, se lembrar do nome de parentes.

A música pode ser uma grande aliada para tratamento de doenças, estudos mostram que ela promove a liberação de substâncias químicas cerebrais, entre elas: a endorfina que reduz a agressividade e a depressão; a serotonina que melhora o sono; e a dopamina que desempenha papel importante no centro da motivação e recompensa, melhorando os sintomas da DA (4).

Infelizmente, ainda não há cura para a DA, mas, os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e com maior qualidade de vida. Atualmente, existem tratamentos farmacológicos como a rivastigmina, a donepezila e a galantamina, e não farmacológicos como a terapia musical (5) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/alzheimer-mudanca-de-habito-e-grandes-resultados-a-melhora-pode-estar-em-suas-maos-nao-se-esqueca/). O importante é que essas pessoas tenham um acompanhamento médico adequado e suporte total de toda a família, que apesar do sofrimento, deve tentar passar pelas fases da doença dando total apoio ao seu familiar.

Referências

  1. Chocolate pode aumentar a capacidade de memorização e beneficiar o cérebro com Alzheimer. Nanocell News. Disponível em: <http://www.nanocell.org.br/chocolate-pode-aumentar-a-capacidade-de-memorizacao-e-beneficiar-o-cerebro-com-alzheimer/>
  2. Satoh M, Yuba T, Tabei K, Okubo Y, Kida H, Sakuma H, Tomimoto H. Music Therapy Using Singing Training Improves Psychomotor Speed in Patients with Alzheimer’s Disease: A Neuropsychological and fMRI Study. 2015;5:296–308.
  3. Musicoterapia ajuda pacientes com Alzheimer. Disponível em:<http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/2940/-1/musicoterapia-ajuda-pacientes-com-alzheimer.html> Acesso em 19 de fev.2016.
  4. SerenikiI A, Vital M.A.B.F. Alzheimer’s disease: pathophysiological and pharmacological features. Acesso em 18 de fev.2016.
  5. Alzheimer’s Association. Disponível em: <http://www.alz.org/brain_portuguese/10.asp> Acesso em 18 de fev.2016.
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  • 2
  1. Silmara Beltrame disse:

    Achei muito interessante e facil de ler não foi uma leitura cansativa parabéns

    05/fevereiro/2016 ás 12:05
  2. Wilson disse:

    Parabens, gostei desta resenha ela mostra uma evolução no tratamento do mal de alzheimer atraves da musica. Foi bem elaborada e mostra claramente a evolução.

    09/fevereiro/2016 ás 16:07

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