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TERAPÊUTICA COM microRNAs: Recuperando a Visão Na Degeneração Macular Relacionada À Idade (DMRI)

TERAPÊUTICA COM microRNAs: Recuperando a Visão Na Degeneração Macular Relacionada À Idade (DMRI)

Nathalia Martines Tunissiolli, Letícia Antunes Muniz Ferreira 

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP

Edição Vol. 5, N. 02, 18 de Novembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.11.18.004

Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa e progressiva da retina e têm sido a principal causa de perda irreversível da visão em idosos (1-2) (Figura 1).  

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Figura 1: Simulação da visão de uma pessoa sem degeneração macular relacionada à idade (DMRI) (á esquerda) e simulação da visão de um paciente com DMRI (á direita). Fonte: http://novolharom.blogspot.com.br/2014/11/degenerecencia-macular-relacionada-com.html

A mácula é uma pequena região do centro da retina, que permite a visualização de detalhes. As células sensíveis à luz da mácula são conhecidas como fotorreceptoras, capazes de converter a luz do campo visual em impulsos elétricos e, em seguida, transportam estes impulsos para o cérebro através do nervo óptico. A perda da visão central pela DMRI ocorre quando as células fotorreceptoras na mácula são degeneradas (3). 

Há dois tipos de DMRI (Figura 2):  

  • DMRI seca ou atrófica: soma cerca de 90% de todos os casos, sendo a forma mais branda da doença. Um sinal desta forma é o acúmulo de proteína e gordura (drusas) em uma fina camada de células sob os fotorreceptores na retina, chamada membrana de Bruch (2-3).
  • DMRI úmida ou exsudativa: caracteriza cerca de 10% dos casos de degeneração macular, é também conhecida como neovascularização de coroide. Nessa forma, vasos sanguíneos anormais crescem sob a mácula, e vertem sangue e fluidos na mácula causando danos nas células fotorreceptoras. A DMRI úmida pode agravar-se rapidamente e causar perda da visão central (2-3).

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Figura 2: A Degeneração Macular relacionada à idade (DMRI) Fonte: http://novolharom.blogspot.com.br/2014/11/degenerecencia-macular-relacionada-com.html

A patogênese da DMRI não está inteiramente entendida, entretanto têm-se como fatores de risco: tabagismo, fatores genéticos, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, bem como a exposição intensa a luz solar (1-3). 

Os microRNAs são pequenos RNAs endógenos de fita simples com tamanho de ~19-25 nucleotídeos, que não codificam proteínas e são capazes de regular negativamente a expressão gênica pós-transcricional (4). Desde sua descoberta em 1993, os microRNAs foram descritos em participar na patogênese de diversos mecanismos, tais como estresse oxidativo, angiogênese patológica e inflamação, e tornaram-se de grande interesse na pesquisa terapêutica (2). 

A angiogênese patológica na coroide está relacionada à patogênese da forma úmida. A apoptose (morte celular programada) do epitélio pigmentar da retina (EPR) juntamente com células inflamatórias, seriam os principais fatores angiogênicos que induzem a neovascularização da coroide, e a terapia anti-angiogênica têm se tornado viável para estes casos. Anticorpos para o gene VEGF (Vascular endothelial growth fator/ Fator de crescimento endotelial vascular), combinados com fármacos, incluindo o ranibizumab e bevacizumab podem retardar a progressão da neovascularização de coroide e em alguns casos, apresentar benefício visual destes pacientes (2). 

Estudos recentes têm mostrado importantes funções dos microRNAs relacionados à angiogênese e DMRI, constituindo um possível recurso terapêutico para DMRI úmida. O Dr Anand e colaboradores, em estudo realizado na Universidade da Califórnia, demonstraram que a inibição do microRNA-132 reduziu o desenvolvimento vascular pós-natal da retina em camundongos (2,5).  

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Figura 3: DMRI: o que é, formas, sintomas, teste e pesquisa. Fonte: https://updatesaude.wordpress.com/2014/05/12/atividade-fisica-ajuda-a-prevenir-cegueira-diz-estudo/

Em resumo, o estudo dos microRNAs em DMRI ainda está em fase inicial. Possivelmente, estes microRNAs combinados com agentes antiangiogênicos, sejam capazes de atuarem sobre alvos de diferentes vias angiogênicas e, assim, proporcionar resultados superiores no tratamento da DMRI, contribuindo para melhoria na qualidade de vida destes pacientes.

Ciência é Investimento! Ciência traz à luz! Ciência recupera a visão! 

Referências

1. The Foundation Fighting Blindness (FFB) [homepage na internet] Macular Degeneration. [acesso em 10 de novembro de 2017]. Disponível em: http://www.blindness.org/macular-degeneration 

2. Wang S, Koster KM, He Y,  Zhou Q. miRNAs as potential therapeutic targets for age-related macular degeneration. Future Med Chem. 2012 March; 4(3): 277-287. 

3. Retina Brasil [homepage na internet] Degeneração macular relaciona a idade. [acesso em 10 de novembro de 2017] Disponível em: http://retinabrasil.org.br/site/doencas/degeneracao-macular-relacionada-a-idade/ 

4. Bartel DP. MicroRNAs: genomics, biogenesis, mechanism and function. Cell. 2004; 116(2): 281-297. 

5.Anand S, Majeti BK, Acevedo LM, et al. MicroRNA-132-mediated loss of p120RasGAP activates the endothelium to facilitate pathological angiogenesis. Nat. Med. 2010 August; 16(8): 909–914.

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