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TEMPESTADE CEREBRAL DURANTE CRISES DE AUSÊNCIA

TEMPESTADE CEREBRAL DURANTE CRISES DE AUSÊNCIA

Edição Vol. 4, N. 2, 22 de Novembro de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.11.22.004

Já se deparou com uma pessoa que, por alguns instantes, fica totalmente congelada, irrespondível a perguntas, beliscões ou puxões? Para chamar a atenção costumamos usar desses artifícios, porém, quando a pessoa não responde, parecendo estar desligada deste mundo, não há nada que se possa fazer para ter sua atenção. E, de repente, do nada, ela volta e segue o que estava fazendo, mas aquele intervalo de tempo para ela nunca existiu, foi apenas um piscar de olhos, enquanto que para você foi a eternidade da indiferença. Calma, não tem nada a ver com você, mas com uma superatividade cerebral que a leva a um quadro clínico chamado de crises de ausência, que é uma variação de um quadro de epilepsia ou convulsão sem manifestação motora, isto é, sem movimentos.

Uma pesquisa de um grupo de pesquisadores da Universidade de Yale, Dr. Hal Blumenfeld e da Professora de Neurologia Dra Michele Williams, mostra que todo o cérebro é interrompido por 10 segundos ou mais em um momento de crises de ausência.

Os cientistas acreditavam que as crises de ausência – a breve perda de consciência muitas vezes confundida com sonhos diurnos – eram causadas por uma perturbação localizada da atividade cerebral. Um novo estudo de Yale descobre que todo o cérebro está envolvido nesta forma comum de epilepsia em crianças, também afeta adultos, que faz com que as crianças “desligarem” por 10 segundos ou mais a cada vez que ocorrem essas crises epilépticas (1).

Essas convulsões afetam significativamente o desempenho escolar, interações sociais e também podem representar riscos à segurança pessoal do indivíduo. Dependendo de onde e quando ocorrem essas crises, e não há uma previsão de quando possam ocorrer, pode-se ser atropelado se em uma via pública, cair da escada, afogar em uma piscina, deixar halteres cair em sua cabeça, até mesmo, levar um ou mais tapas na cara quando se está em um caixa de supermercado, dentre diversas outras situações cômico-trágicas que esses epilépticos podem passar. 

As convulsões geralmente duram menos de 10 segundos, mas também pode durar mais tempo e serem acompanhadas por movimentos como piscar dos olhos, mastigação ou gestos de mão (1). Em casos graves, essas convulsões podem acontecer centenas de vezes por dia. Embora o paciente não perceba, parece que isso incomoda muito a quem está a sua volta. Muitas vezes, se a crise é prolongada, durando 1 minuto, cenas inteiras de filmes ou conversas são perdidas. Durante leituras de textos, se a duração das crises é curta, nem sempre influencia, mas se são mais duradouras, o paciente é obrigado a voltar uma ou duas páginas. Isso acontece porque, com a explosão da atividade cerebral muitos neurônios morrem e todo aquele percurso e comunicação neuronal construído com o estudo e conexões de ideias é perdido, fazendo com o que o indivíduo tenha uma amnésia temporal. 

A equipe de Yale coletou dados de atividade elétrica do cérebro e fMRI (imageamento por ressonância magnética funcional) de 39 crianças submetidas a crises de ausência e encontraram que estas eram globais, e não localizadas (Figura 1) (1). Além disso, eles descobriram que em convulsões mais graves, as crises começaram antes mesmo dos sintomas das convulsões iniciarem (1).

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Figura 1: As interrupções da atividade cerebral em crises de ausência – nas quais os sujeitos perdem a consciência por um breve período (à direita) – são mais generalizadas do que os cientistas acreditavam. A escala de cor do azul (menor atividade cerebral) ao vermelho (maior atividade cerebral) resulta das crises de ausência, podendo matar os neurônios nas regiões com cores mais quentes. (Imagem cortesia do laboratório de Blumenfeld)

Compreender como a consciência é prejudicada na epilepsia da crise de ausência pode também melhorar a compreensão de outras desordens da consciência incluindo o trauma de cabeça, o coma e o acidente vascular encefálico ou cerebral (AVE ou AVC). Mais do que isso, como dito anteriormente, se a causa da epilepsia não for tratada é arriscado que seu portador possa perder lembranças recentes.

Convulsão é sinônimo de crise epiléptica?

Toda convulsão é uma crise epiléptica, mas além da convulsão existem várias formas de crises epilépticas. Na convulsão o paciente apresenta movimentos grosseiros de membros, desvio dos olhos, liberação de esfíncteres e perda de consciência. E um exemplo comum de crise epiléptica não convulsiva é a crise de ausência.

 

A epilepsia é uma doença comum?

É relativamente frequente, uma vez que acomete 1 a 2 pessoas em um grupo de 10 indivíduos. Estima-se que haja cerca de 3 milhões de pessoas com epilepsia somente no Brasil.

 

É possível ter uma crise convulsiva e não ser epiléptico?

Sim, uma crise isolada e sem doença subjacente não fecha o diagnóstico de epilepsia. Alguns fatores podem desencadear crises epilépticas:

  • Mudanças súbitas da intensidade luminosa ou luzes a piscar (televisão, computador, videogame, discotecas)
  • Privação de sono
  • Libação alcoólica
  • Febre
  • Ansiedade
  • Cansaço
  • Algumas drogas e medicamentos
  • Distúrbios metabólicos

 

O que fazer durante uma crise?

Fora do ambiente hospitalar o observador deve voltar a cabeça do paciente para o lado, se possível, sobre uma almofada ou travesseiro. Isso ajuda a proteger contra traumatismos na cabeça e também evitar que ocorra aspiração de alimentos, salivação ou vômitos para o pulmão. Não se deve tentar puxar a língua do paciente, pois o observador pode sofrer lesão grave da mão e neste tipo de crise, ao contrário dos desmaios, a língua costuma ficar em sua posição normal. Geralmente a crise dura alguns segundos a minutos e o paciente pode ser levado ao hospital com tranquilidade, se a crise for inédita ou conforme orientação médica. Caso a crise dure mais que 5 minutos, deve-se levar o paciente imediatamente ao hospital, para que se possam usar medicamentos para abortar a crise.

Como se faz o diagnóstico?

O exame mais importante para o diagnóstico de epilepsia é o Eletroencefalograma (EEG), que pode ser realizado no intervalo ou durante as crises, quando então a chance de identificar o local e a causa do problema é bem maior. O EEG ajuda o médico na classificação do tipo de epilepsia, na escolha da medicação mais adequada, na definição do tempo de tratamento e na programação de outros exames complementares como, por exemplo, a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética que podem identificar lesões cerebrais e constatar a causa da epilepsia. Quando se identifica uma causa que provoque a epilepsia, esta é designada por “sintomática”, ou seja, a epilepsia é apenas o sintoma pelo qual a doença subjacente se manifestou; no entanto, em 65% dos casos, isto é, em dois terços dos casos não se identifica nenhuma causa, é a epilepsia “idiopática”. 

Dá pra levar uma vida normal com a epilepsia?

A maioria das pessoas com epilepsia aparenta levar uma vida normal. Ainda que a epilepsia atualmente não tenha cura definitiva, em algumas pessoas ela eventualmente desaparece. A maioria dos ataques epiléticos não causa lesão cerebral. Não é incomum que pessoas com epilepsia, especialmente crianças, desenvolvam problemas emocionais e de comportamento. Para muitas pessoas com epilepsia o risco de ataques epiléticos restringe sua independência. A maioria das mulheres com epilepsia pode ficar grávida, mas deve discutir com o médico sobre sua doença e medicamentos tomados. Mulheres com epilepsia tem uma chance maior de 90% de ter um bebê saudável.

Prova de que se pode levar uma vida mais do que normal mesmo tendo epilepsia é o grande numero de pessoas e celebridades que apresentam ou apresentaram epilepsia: Alexandre o Grande (Imperador da Macedônia), Alfred Nobel (criador do prêmio Nobel), Machado de Assis (escritor brasileiro), Napoleão Bonaparte, (imperador francês), D. Pedro I (imperador do Brasil), Van Gogh (pintor holandês), Eric Clapton (guitarrista inglês).

Fonte: Bill Hathaway, Universidade de Yale

Original work: thesimpsons.com/episode_guide/1023.htm

Referências

1.Guo JN, Kim R, Chen Y, Negishi M, Jhun S, Weiss S, et al. Impaired consciousness in patients with absence seizures investigated by functional MRI, EEG, and behavioural measures: a cross-sectional study. The Lancet Neurology. 2016;15(13):1336-45.

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  • 3
  1. pedro de souza disse:

    oi boa noite tenho 54 anos e convivo com crises de ausencia ja foram feitos varios exames e nada aparece fa uso de torval cr 600 mg e oxcarbazepina de 500 mg sao tantas doses que ja nao sei mais oque faço obg pela atençaõ

    30/outubro/2017 ás 23:00
  2. Pedro Martins disse:

    Olá! Boa noite. Sou de Portugal, Aveiro. Aquilo que há um ano era uma crise de ausência de meio em meio ano, neste momento é mensal. Tenho 3 medicamentos: 1500mg ácido valpróico; 300mg zonegram; 300mg hidantina. Posso descrever a minha última ausência em dia de Natal onde “deixei de gravar”, mas desci de um apartamento do 3ºandar para o R/C. Depois e sempre acompanhado, segui no passeio da rua e entrei dentro de um carro. O condutor colocou o carro a andar e só a metade do percurso é que voltei a começar a”gravar”. Foram alguns 5/6 min.
    A anterior, foi em Novembro no banho. Comecei a mulhar a cabeça e depois só lembro já cá fora, tendo-me lavado e fechado a torneira, mas sem gravar”.
    QUE FAZER????????

    26/dezembro/2017 ás 21:44
  3. Regina disse:

    Tenho convulsões e ausência há alguns anos, como medicações anticonvulsivantes e para dormir.
    Já troquei de medicação algumas, por recomendação médica, já fui levada ao hospital, depois de 6 convulsões seguidas. Mas não descobriram nada ainda. Se puderem me ajudar, aguardo respostas.
    Obrigada

    09/janeiro/2018 ás 22:58

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