Ciência é INVESTIMENTO! Vamos transformar o Brasil em uma Nação rica e forte!

SOMOS PRISIONEIROS EM NOSSA PRÓPRIA CASA!

SOMOS PRISIONEIROS EM NOSSA PRÓPRIA CASA!

Márcio Bambirra Santos

Economista e Administrador. Professor do CEFET-MG

Edição Vol. 3, N. 5, 04 de Janeiro 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.01.06.005

Primeiro é a falta de segurança que assola o país, muito mais pela (eterna) crise socioeconômica associada a impunidade manifesta do judiciário, do que por outras razões corriqueiras. O remédio receitado por crédulos e pelos que atuam no backoffice da indústria armamentista é apenas um, óbvio: o armamento das pessoas. A população que se vire.

Agora, de forma maquiavélica e insípida, a total falta de mobilidade urbana é reforçada por crédulos e pelos que atuam no backoffice (de novo) dos empreiteiros e construtores com doses cavalares (não os que estão nos motores dos carros, mas os que poderão ser selados na falta de espaço) do remédio: CENTRALIDADE. A população que se revire.

Screen Shot 2016-01-06 at 12.56.52 PM

Figura: Desmatamento em nome da mobilidade urbana. Fonte: https://webecomendas.wordpress.com/2015/08/11/gerir-a-mobilidade-urbana-hoje/

 De um lado o bicho pega, de outro o bicho come.

A absurda falta de investimentos em infraestrutura viária nas cidades, com os governos (municipal, estadual e federal) quebrados, é a melhor desculpa para não fazerem nada!

Em Belo Horizonte e região, os viadutos quase inaugurados, (lembram-se?), espatifaram com vítimas fatais; anel rodoviário, o velho e o novo, é uma piada tétrica que se arrasta há décadas; o túnel do Ponteio (“grande e complexo”) ficou fechado quase 1 ano antes de ser reaberto; e, recentemente, o retorno inefável das enchentes no Vilarinho/Venda Nova, arrastando e arrasando bens e vidas. O caso mais emblemático resultante dessas forças inoperantes, omissas e irresponsáveis, que envergonha a administração pública, é o da Samarco com a tragédia anunciada em Bento Rodrigues e Rio Doce. Conforme eu já falei em outra crônica, é mais fácil a empresa decretar falência do que repor o prejuízo ambiental provocado.

Screen Shot 2016-01-06 at 12.57.46 PM

Figura do sítio http://ronalddealmeidasilva.blogspot.com.br/2015/11/138-meio-ambiente-sindrome-de-vale.html

Uma das válvulas de escape da cobiça e oportunismo de alguns, associados a inércia e incompetência do poder público, diga-se de passagem bem criativa, é esse conceito de Centralidade. Essa é a palavra mágica do momento que justifica a ganância desmedida dos empreiteiros em seus lançamentos imobiliários, a despeito dos últimos espaços verdes da região metropolitana de BH. Afinal, bichos e árvores não reclamam.

Para os incrédulos e o séquito de bajuladores, foi criado um conceito tão fenomenal quanto, eles creem, ao que a Grécia clássica criou de POLIS e sua função elementar de agregação e aproximação das pessoas ao longo desses últimos milênios. E é tudo que a desfaçatez política deseja para não se ocupar da melhoria da mobilidade urbana. Afinal, um cidadão preso não se desloca e não reclama da falta de transporte decente, viadutos, pontes, tuneis, passeios, iluminação, etc…

Mais um exemplo de falácia para a classe que depende do transporte público para se deslocar: A SETRABH (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte) estampa em seus veículos urbanos a seguinte propaganda: “Para o Walmir andar de ônibus é um jeito de investir nos estudos”. Em outras palavras, a cara de pau dos empresários é tamanha, com a anuência dos órgãos públicos controladores, que a péssima condição de lentidão no tráfego pode ser compensada. Nesse jeito de transporte, tomara que Walmir acabe virando mais um doutor, e não contraindo uma doença oftalmológica séria ou abandonando os estudos por não entender bem a leitura cifrada.

Nunca tantos se dobraram por tão poucos. Razão: grana!!! Como sempre…

Para isso, pagam (e bem) a imprensa, arquitetos, urbanistas e políticos com elevado poder de persuasão com a lenga-lenga de sempre: nós somos os bons e quem é contra nós é ignorante ou ecochato.

Isso faz lembrar a vinda de Darci Ribeiro para assessorar o então governador Newton Cardoso no final da década de 80. Ele trazia na bagagem a ideia da política brizolista dos CIEPS (Centro Integrado de Educação Pública), projeto de uma educação alegórica como foi o projeto inicial do sambódromo. Só que em Minas Gerais, as unidades ficaram conhecidas como “forninho de assar crianças”, pois seriam construídas com o “ferro das Minas Gerais”, a despeito da elevada temperatura nas salas de aulas. Na época, quem contrapôs-se a uma autoridade desse nível, apesar dos devaneios surreais, seria execrado. Ainda bem que o projeto, como o próprio governo, desandou.

Por analogia e coincidentemente (aos conhecedores da política brasileira), agora é Jaime Lerner (ex-prefeito de Curitiba), ou seu escritório de urbanismo, que confere ao projeto da CSUL, carta branca para a sua avalanche imobiliária desordenada que vai agradar, e muito, seus amigos empreiteiros.

No papel que tudo aceita, há o destaque para uma comunidade ou bairro autossustentável, vinculada a uma outra alegoria: a tartaruga “vita”. Mais de menos, como sempre, no que vem acontecendo na RMBH, Vila da Serra. Diz a lenda, que o compromisso com o meio ambiente é o grande pulmão de áreas verdes a serem preservadas, como dizem os urbanistas do lado de lá (Miami e cercanias). A papagaiada (e não as maritacas que irão desaparecer) é tão bem articulada que até prêmio de qualidade (??) urbana, chancelada por uma instituição séria, eles criaram.

Dois exemplos da hipocrisia dessa turma que defende e aplaude a Centralidade, acontecem à vista-d´olhos:

1)  Vila da Serra, onde uma única e mísera área destinada a uma praça para a comunidade é objeto de demanda judicial, por que o Sr. Prefeito Cássio Magnani (condecorado com o mérito de protetor ambiental pela Câmara de BH), quer mudar a destinação para mais um espigão a favor da “Centralidade Sul”. Dessa forma, fará um par perfeito com o Concórdia Corporate (Construtora Caparaó), outro sonho megalomaníaco que, após a sua inauguração, irá principalmente, dinamizar a venda de helicópteros aos distintos moradores da região, ou irão começar a selar os cavalos;

2) Vale do Sereno, área contígua à Mata do Jambreiro (não devastada totalmente pelas mineradoras por causa dos condomínios ali existentes, e que brigaram muito), começa a ter o seu momento agonizante final com a devastação proporcionada pelo empreendimento do consórcio CGDI, PATRIMAR, SOMATOS, etc, com a construção do cassino, digo bairro, Bellagio. “Alea jacta est” ou a sorte está lançada, literalmente, a considerar o nome de batismo do empreendimento. Sem placas, sem responsabilidade técnica evidenciada, sem fiscalização, a obra corre ao sabor do clube de apostadores, digo, investidores.

O que significa esse adensamento populacional e a consequente devastação ambiental para as gerações atuais e futuras? É hora de apontar soluções honestas que deem retorno confiável aos seres (e não só ao humano) para cada árvore caída, encosta ocupada, toca desfeita, ou nascente d´água suprimida. Os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) não podem ficar circunscritos ao efeito estufa dos gases (industriais, sobretudo) e sua compensação pelos créditos de carbono (quase nunca cumpridos) em áreas distantes das comunidades que sofrem. A conta é de padaria, na compensação dessa devastação articulada com os cálculos do impacto ambiental gerados pelos novos empreendimentos em áreas urbanas, mas o cumprimento tem que ser espartano.

Print Friendly
  • SOMOS PRISIONEIROS EM NOSSA PRÓPRIA CASA!
  • 1
  1. Geraldo Lobo disse:

    Marcín, é um arre! Mas é só o que v está arrotando e as primeiras coisas não aparecem no seu grito de socorro, porque são óbvias, é claro, mas nunca de menos: falta de segurança, desvios da justiça com ou sem letra maiúscula, condições constitucionais de ir e vir, ô véi, isso tudo é coisa de primeiro mundo, onde eles lá sofrem junto com o principal do ar poluído aos extremos, as águas minguando ou apodrecidas (caso do Rio das Velhas que recebe o esgoto de belzonte e leva pro São Francisco… toma que o filho é teu!) O demais seria pra ser resolvido com um negócio chamado planejamento urbano, e não a suruba urbana que se apoderou de todos os brasileiros que pensam que aonde vivem não tem melhor lugar no mundo. A coisa no meu ver é generalizada; melhor mesmo que os CIEPs não tenham vingado aí. Foi um programa magnífico mas sem alma, se espírito humano, sem amor e carinho. Alguns muitos talvez ainda existam por aqui mas, vai-se lá saber porque! Tudo neles cedia à vontade maior de Darcy e de Niemeyer, gênios da raça: locais quentes no verão e frios no inverno sem poder colocar ar condicionado que não fosse central ($$$) pois os projetos eram e serão sempre imutáveis! E se fosse só isso… a acústica interna onde se pode ouvir uma professora ensinando a trinta ou mais metros de distância, que se dana todo quando chove e desandam as goteiras, as ditas quadras de esporte olímpicas (meu pirulito!) 90% delas fajutas, piscinas inclusive que em geral estão vazias!!! Esse Newton daí era um gênio, o Darcy daqui queria ser presidente junto com o Briza mas a rede G-roubo não deixou. V sabe da estória. E os espaços dos CIEPs fazem-nos todos visíveis — propaganda gratuita — a mais de dez quilômetros de distância. Por isso aviso: faça as coisas certas pelas razões certas! Um ou outro equívoco, momentâneo, corrigível, é aceitável. Mas fazer o errado pelas razões erradas é pular da ponte. Sem paraquedas.

    21/janeiro/2016 ás 12:59

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>