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SERÁ UM MILAGRE OU CIÊNCIA? Uma Molécula Anti-Obesidade Que Ajuda A Emagrecer

SERÁ UM MILAGRE OU CIÊNCIA? Uma Molécula Anti-Obesidade Que Ajuda A Emagrecer

Daniel Mendes Filho, Patrícia de Carvalho Ribeiro, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 5, N. 03, 7 de Dezembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.12.07.006

Hummm…. que docinho gostoso! Hummm… que pizza saborosa! Hummm… que barriguinha que não para de crescer! Por que comemos e engordamos tanto? Será que não há nenhuma molécula mágica que possa reduzir meu peso? Sim! Tem sim. Leia abaixo!

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Figura 1: Ao serem tratados com a molécula MIC-1/GDF-15, macacos e camundongos obesos perderam peso, além de melhorarem seus hábitos alimentares e reduzirem as taxas de açúcar e gorduras no sangue (Fonte: figura adaptada de https://nl.dreamstime.com/stock-foto-rat-met-kaas-image13113760)

O ato de se alimentar é um comportamento complexo, geralmente motivado pela fome ou apenas pelo prazer de comer (mesmo sem fome, quem não se sente motivado ao ver uma propaganda de rodízio de pizza?). Além de envolver vários órgãos, sistemas e hormônios, o comportamento alimentar é influenciado por fatores culturais e sociais. Dessa forma, o ser humano há muito deixou de se alimentar meramente para equilibrar a quantidade de energia em seu organismo e, cada vez mais, pessoas ingerem mais calorias do que gastam – o que, somado ao sedentarismo, resulta em uma população mundial cada vez mais pesada… 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se a tendência se mantiver, em 2025 o mundo terá 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e 75 milhões de crianças na mesma situação. Por isso, inúmeros cientistas têm se dedicado não só a compreender os mecanismos desse desequilíbrio energético (entre as calorias ingeridas e as gastas), mas a encontrar tratamentos eficazes para obesidade que não envolvam cirurgias invasivas. 

Usando camundongos obesos e magros para estudar proteínas com diferentes padrões de expressão em tecidos metabolicamente importantes (fígado e tecido adiposo, os quais participam diretamente no balanço energético), pesquisadores da companhia biofarmacêutica Amgen, nos EUA, podem ter encontrado uma “molécula anti-obesidade”. O resultado dessa análise demonstrou que a MIC-1/GDF-15 (fator de diferenciação 15/citocina 1 inibidora de macrófagos circulantes… melhor usar a sigla, né?) se apresenta aumentada nos animais obesos. Em outro experimento, foram dosadas e comparadas as quantidades de MIC-1/GDF-15 em amostras de sangue de humanos, ratos e camundongos obesos – observou-se que a quantidade dessa molécula no sangue de obesos é maior do que nas amostras de indivíduos magros. 

A fim de entender o papel fisiológico dessa misteriosa molécula, os cientistas aplicaram uma versão modificada dela em camundongos e macacos obesos (essa modificação foi feita para que o tempo de ação da molécula no organismo fosse estendido). Os resultados observados ao longo de 5 a 6 semanas, após as injeções subcutâneas ou intravenosas de MIC-1/GDF-15 foram, no mínimo, incríveis!

Quando oferecidos aos animais ração e leite condensado, em 80% das vezes que iam se alimentar, aqueles animais não tratados com MIC-1/GDF-15 escolhiam o leite condensado (quem não faria o mesmo?). Por outro lado, os animais tratados com a molécula mudaram sua preferência alimentar: em 55% das vezes escolhiam o leite condensado – o que os ajudou a perder peso. Além disso, os pesquisadores notaram que a MIC-1/GDF-15 retardou o esvaziamento gástrico (o que prolonga a sensação de saciedade), reduziu a glicemia, o colesterol e os triglicerídeos sanguíneos. Todos estes são fatores que reduzem a propensão à comorbidades da obesidade, como diabetes e doenças cardiovasculares. O mais interessante é que as elevadas taxas de MIC-1/GDF-15 empregadas no tratamento não geraram efeitos colaterais negativos, conforme análises feitas em vários órgãos de animais tratados (foram analisados cérebro, fígado, coração, pulmões, rins e outros).

Entretanto, antes de se entregar a uma dieta rica em fast food complementada com sedentarismo, saiba que, até que a MIC-1/GDF-15 se torne um tratamento para obesidade são necessárias muitas pesquisas a fim de se conhecer em detalhes como essa molécula atua e, se seu uso, é seguro em seres humanos. O tempo desta pesquisa não deve levar mais que alguns anos, pois ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos há investimento em ciência, tecnologia e inovação, inclusive verba proveniente do setor privado! 

Mesmo com essa possibilidade de cura sem dieta ou cirurgia é importante prevenir a obesidade seguindo os velhos conselhos de se alimentar de forma equilibrada e se exercitar regularmente.

É a ciência transformando nossos hábitos alimentares para uma vida saudável! Invista você também em ciências!

Referências

ELIAS, Carol Fuzeti; BITTENCOURT, Jackson Cioni. Controle neuroendócrino do comportamento alimentar. In: AIRES, Margarida de Mello. Fisiologia. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, Cap.26. p. 361-376, 2012.

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e distúrbios metabólicos (ABESO). Mapa da obesidade. Disponível em: http://www.abeso.org.br/atitude-saudavel/mapa-obesidade. Acesso em: 30/10/2017.

Yumei Xiong, Kenneth Walker, Xiaoshan Min et al. Long-acting MIC-1/GDF15 molecules to treat obesity: Evidence from mice to monkeys. Science Translational Medicine 18 Oct 2017: Vol. 9, Issue 412, eaan8732. DOI: 10.1126/scitranslmed.aan8732

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