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SERÁ QUE O RISCO DE CÂNCER DE PELE IMPULSIONA A EVOLUÇÃO DE PELE NEGRA EM SERES HUMANOS?

SERÁ QUE O RISCO DE CÂNCER DE PELE IMPULSIONA A EVOLUÇÃO DE PELE NEGRA EM SERES HUMANOS?

Edição Vol. 2, N. 10, 07 de Abril de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.04.06.005

Uma nova análise sugere que a pele negra pode ter evoluído no ser humano como medida de proteção contra o câncer de pele.

Anteriormente, o câncer de pele tinha sido desconsiderado como uma influência na evolução da pele negra em seres humanos. Isto é baseado na crença de que o câncer de pele só raramente causa a morte em idades juvenis o suficiente para afetar a reprodução (1).

Charles Darwin pensava que a variação na cor da pele era de nenhum valor adaptativo e outros cientistas descartaram o câncer como uma força seletiva na evolução, provavelmente pela corrente escravocrata à época, que não queriam perder sua falsa supremacia pela tez branca.

Mas os dados clínicos sobre as pessoas com albinismo, particularmente na África, fornecem um forte argumento que os cânceres letais pode muito bem ter desempenhado um papel importante na evolução humana precoce como um fator importante no desenvolvimento da pele rica em pigmentação escura – em eumelanina (1, 2).

Eumelanina é a versão marrom-escura da melanina – a substância natural que dá cor à pele, cabelos e à íris do olho e que protege a pele do sol (1, 2). Eumelanina é muito mais eficaz do que outras variantes de melanina na prevenção do dano ao DNA que resulta em câncer da pele.

COMO É QUE A PELE HUMANA EVOLUI EM RESPOSTA À EXPOSIÇÃO AOS RAIS ULTRA-VIOLETAS (UV)?

A pele humana evoluiu para ser rica em melanina entre 1,2 milhões e 1,8 milhões de anos atrás na Savanna do Leste Africano.

Pensa-se que os primeiros seres humanos evoluíram para a perda de uma cobertura completa dos pêlos do corpo para facilitar a perda de calor, e que tinham a pele pálida contendo feomelanina – uma variante vermelho-amarelada da melanina encontrada em chimpanzés, nossos parentes genéticos mais próximos.

Os seres humanos migraram do norte da África para a Europa 50-80.000 anos atrás, em um momento da história da Terra, quando houve uma redução substancial da radiação ultravioleta (UV). Pode ter havido uma vantagem seletiva em ter a pele mais pálida para os primeiros europeus – possivelmente para se obter mais vitamina D.

Embora os cientistas em geral concordam que a característica de pele negra de eumelanina prosperou em humanos devido à capacidade da eumelanina em absorver a radiação UV, a extensão em como isso poderia ter protegido os primeiros seres humanos contra doenças letais é discutível (2).

PESSOAS COM ALBINISMO EM SITUAÇÃO DE RISCO DE CÂNCER DE PELE FATAL EM REGIÕES EQUATORIAIS

Na análise do Prof. Mel Greaves, ele cita estudos que mostram que 80% ou mais das pessoas com albinismo de países africanos equatoriais – como a Tanzânia e Nigéria – desenvolveram câncer de pele fatal antes da idade de 30 anos (3).

Outros países tropicais com alta exposição aos raios UV do sol durante todo o ano, como o Panamá, também relatam altos níveis de câncer de pele em pessoas com albinismo (3).

O albinismo é causado por uma mutação nos genes que impede a produção da melanina.

O Prof. Greaves acredita que porque as pessoas com albinismo desenvolveram câncer na idade reprodutiva, isto significa que, no início, os seres humanos de pele clara enfrentaram pressão evolucionária para desenvolver pele rica em melanina que protegem contra o câncer (3).

Pessoas de pele branca ou clara são cerca de 1.000 vezes mais propensas ao câncer de pele do que as pessoas de pele escura.

A exposição solar excessiva é geralmente aceita em ser a principal causa para os cânceres de pele de carcinoma basocelular (ou câncer de células basais), carcinoma espinocelular (ou carcinoma de células escamosas) e melanoma maligno – coletivamente os cânceres mais comuns vivenciados por nós, seres humanos.

Referências

1. Jablonski NG, Chaplin G. The evolution of human skin coloration. Journal of human evolution. 2000;39(1):57-106.

2. Brenner M, Hearing VJ. The protective role of melanin against UV damage in human skin. Photochemistry and photobiology. 2008;84(3):539-49.

3. Greaves M. Was skin cancer a selective force for black pigmentation in early hominin evolution? Proceedings Biological sciences / The Royal Society. 2014;281(1781):20132955.

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