SENDO UM ADULTO INTELIGENTE, ENQUANTO CRIANÇA ATLETA!

SENDO UM ADULTO INTELIGENTE, ENQUANTO CRIANÇA ATLETA!

Daniel Mendes Filho, Patrícia de Carvalho Ribeiro, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 4, N. 15, 27 de Setembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.09.27.004

Frequentemente somos alertados por educadores físicos, médicos e outros profissionais da saúde da importância de nos exercitarmos com regularidade. O corpo humano não foi feito para o sedentarismo – logo, a ausência de atividades físicas regulares (aliada a uma alimentação ruim) cobra um preço caro! 

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Dentre as consequências do sedentarismo pode-se citar: aumento da incidência de diabetes tipo 2, estresse, doenças cardiovasculares, depressão e obesidade. O mais grave é que o sedentarismo afeta cada vez mais crianças e adolescentes (jogos eletrônicos, salgadinhos e refrigerantes costumam ser mais atraentes do que exercícios físicos e frutas). Por conseguinte, pela primeira vez na história, as próximas gerações podem viver menos que as anteriores. Mesmo com todas essas informações amplamente disponíveis e divulgadas o estilo de vida sedentário é adotado por muitas crianças (e seus pais, de quem elas copiam este péssimo exemplo!). 

Pode ser difícil desligar a TV/computador/vide-game e por um tênis para ir jogar bola, mas a ciência dá mais um motivo para as crianças começarem a se exercitar: ter uma boa memória quando adultas!

A fim de avaliar os impactos de exercícios na infância sobre a memória e o aprendizado na vida adulta, os cientistas canadenses Olga Shevtsova, Martin Wojtowicz e colegas, compararam dois grupos de ratos jovens (1 mês de idade): um grupo de “corredores” e outro de sedentários. Os jovens corredores ficaram em gaiolas com uma rodinha para se exercitarem quando quisessem por 6 semanas. Ao contrário da maioria das crianças humanas, os pequenos ratos se mostraram bons atletas: correram voluntariamente todos os dias e, em média, 45 km por semana! Já os sedentários ficaram em gaiolas simples, sem “academia”, tendo se ocupado apenas com comida, água e descanso – como muita gente faz durante as férias. 

Quatro meses depois, todos os animais, agora adultos entre 6 e 7 meses de idade, passaram por testes de memória associativa e aprendizado, além de terem seus hipocampos (região do cérebro que participa no processo da memória) analisados. Observou-se que os animais que começaram a se exercitar na infância, mesmo tendo parado as atividades mais tarde, apresentaram capacidade de aprendizado melhor do que os sedentários – isso demonstra um efeito em longo prazo do exercício físico na infância. Ademais, a análise do hipocampo revelou atividade neuronal aumentada nos ratos corredores (Figura 1). 

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Figura 1: Ratos que se exercitaram regularmente na infância apresentaram maior atividade de neurônios no hipocampo quando adultos (Figura adaptada de: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=292 e http://revistafrontal.com/cultura/a-sindrome-de-harrison/)

Em conjunto, esses resultados sugerem que exercícios físicos na infância colaboram para aumentar a reserva cognitiva (que é a capacidade da mente de se regenerar diante do envelhecimento, de doenças ou acidentes) na idade adulta. Apesar de a pesquisa ter sido feita com ratos é bem provável que os efeitos de ser um atleta na infância também se apliquem aos seres humanos. Mais um bom motivo para estimular as crianças a se exercitarem: se tornarem adultos com boa memória e menos risco de desenvolverem doenças neurodegenerativas como as doenças de Alzheimer e de Parkinson. 

Por fim, vale lembrar que a criança deve praticar uma atividade física que goste, adaptada a sua idade (não precisa ser 45 Km por semana como os ratinhos fizeram, podem ser 30 minutos de caminhada 3 vezes por semana!) e, sobretudo, que tenha incentivo dos pais.

Acompanhe seu filho! Isso trará benefícios para a saúde e a relação de vocês!).

Referência

Olga Shevtsova, Yao-Fang Tan, Christina M. Merkley, Gordon Winocur e J. Martin Wojtowicz. Early-Age Running Enhances Activity of Adult-Born Dentate Granule Neurons following Learning in Rats. eNeuro 14 August 2017, ENEURO.0237-17.2017; DOI: https://doi.org/10.1523/ENEURO.0237-17.2017

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