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RISCO DE MELANOMA, CÂNCER DA PELE, É AUMENTADO EM 80% EM ADOLESCENTES

RISCO DE MELANOMA, CÂNCER DA PELE, É AUMENTADO EM 80% EM ADOLESCENTES

Edição Vol. 2, N. 11, 28 de Abril de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.04.27.006

Com taxas crescentes de incidência de melanoma durante os últimos 30 anos, não é de se estranhar que se a pessoa tiver cinco ou mais bolhas de queimaduras solares antes dos 20 anos pode ter o risco de melanoma aumentado em 80%.

Quem não adora ir ao clube ou à praia aos fins de semana e passar o dia todo curtindo uma piscina ou o mar? Ah, sim, você não gosta de água fria, mas ficar deitada na espreguiçadeira tomando sol deve achar uma delícia. Tanto um como noutra situação a exposição excessiva ao sol, ou mesmo uma breve exposição ao sol das 10 da manhã às 16 horas aumenta o risco de se ter o melanoma, o câncer de pele.

Um estudo publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention (CEBP) propõe que em uma coorte, população analisada, de 108.916 mulheres brancas, aquelas que tiveram um mínimo de 5 incidentes de queimaduras solares graves entre as idades de 15 e 20 anos tinham um risco aumentado de todos os tipos de cânceres de pele (1) (Figura 1).

Com um risco de vida de 2% (1 em 50), o melanoma é mais do que 20 vezes mais comum em americanas brancas do que afro-americanas.

O câncer de pele é o câncer mais comum, respondendo por quase metade de todos os casos de câncer nos EUA. É o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país (2). Embora o câncer de pele melanoma representa menos de 2% dos casos, é mais agressivo do que outros cânceres de pele e é responsável por mais de 9.700 dos cerca de 13 mil mortes por câncer de pele a cada ano (nos EUA) (3).

A Sociedade Americana para o Câncer (American Cancer Society) estima que 76.100 novos casos de melanomas (cerca de 43.890 em homens e 32.210 em mulheres) serão diagnosticados nos EUA em 2015 e 9.710 pessoas (cerca de 6.470 homens e 3.240 mulheres) deverão morrer desta doença.

risco-melanoma

Figura 1: À esquerda representações da anatomia da pele e o surgimento do melanoma, o câncer de pele. À direita o grau e a evolução do câncer de pele.

O estudo utilizou-se de dados coletados durante 20 anos a partir do Estudo de Saúde II das Enfermeiras (Nurses´ Health Study II, um programa de acompanhamento da saúde de enfermeiras americanas), que analisava enfermeiras com idades entre 25 e 42 anos em 14 estados americanos em 1989.

O questionário base do estudo perguntava às participantes sobre o número de queimaduras solares graves experimentadas que resultaram em bolhas entre as idades de 15-20 anos, juntamente com a história pessoal de melanoma ou câncer de pele de células basais ou de células escamosas, história familiar de melanoma e do número de moles, ou pintas, entre os joelhos e tornozelos nas duas pernas.

As participantes receberam um questionário de acompanhamento a cada 2 anos com perguntas sobre a doença e temas relacionados com a saúde, algumas relacionadas com possíveis fatores de risco do câncer de pele – como atualizações do histórico familiar da doença, frequência de uso de bronzeamento artificial, tabagismo, consumo de álcool e do índice de massa corporal (IMC) que serve para se avaliar se a pessoa está ou não obesa (4, 5) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/estilo-de-vida-que-proteje-o-coracao-tambem-reduz-o-risco-de-cancer/).

O estudo, liderado pelo prof. Dr. Abrar A. Qureshi, professor e presidente do Departamento de Dermatologia da Warren Alpert Medical School da Universidade Brown e Rhode Island Hospital, ambos em Providence, nos EUA, diz que o padrão de exposição ao sol não foi uniformemente associado com o risco de todos os três tipos principais de câncer de pele nos Estados Unidos, sugerindo que existem algumas diferenças na fisiopatologia desses cânceres de pele.

O risco de uma pessoa em desenvolver câncer de pele depende de dois fatores: do risco ambiental e do risco pessoal. Pessoas com traços de alto risco, como a cor do cabelo vermelho, um maior número de moles ou pintas e alta suscetibilidade à queimaduras solares devem prestar mais atenção para evitar a exposição excessiva ao sol, especialmente no início da vida (6).

A etiologia do câncer de pele está associada à idade, sexo, tipos de pele, cor dos olhos e do cabelo, condições genéticas e história familiar. No entanto, o maior percentual de casos são considerados estarem ligados às escolhas de estilo de vida, incluindo a exposição à radiação ultravioleta (UV) do sol, a radiação UV a partir de camas de bronzeamento, a obesidade, a exposição às cinzas de carvão, fuligem, óleos minerais e óleos de xisto, arsênico e compostos inorgânicos de arsênio.

80% A MAIS DE RISCO DE MELANOMA PARA ADOLESCENTES GRAVEMENTE QUEIMADOS

Depois que os dados foram analisados ​​a partir do estudo de 20 anos, os pesquisadores descobriram que os indivíduos com 5 ou mais queimaduras com bolhas quando tinham entre 15 a 20 anos de idade tiveram um risco aumentado de 68% para o carcinoma basocelular ou câncer de pele de células basais (do inglês, basal cell carcinoma, BCC) e carcinoma espinocelular ou câncer de pele de células escamosas (do inglês, squamous cell carcinoma, SCC), com um risco acrescido de colossais 80% de melanoma. Este foi comparado com aquelas pessoas expostas a maiores quantidades de radiação UV cumulativa na idade adulta que não tinham um risco aumentado para melanoma, mas um risco aumentado em 2,35 e 2,53 vezes para BCC e SCC, respectivamente (1).

Estes resultados sugerem que a exposição ao sol, tanto na infância quanto na vida adulta, foram preditivos de câncer de pele não-melanoma, enquanto que o risco de melanoma foi predominantemente associado com a exposição ao sol no início da vida em uma coorte de mulheres jovens.

Das 108.916 enfermeiras participantes, cerca de 24% tiveram bolhas de queimaduras dolorosas de exposição ao sol no início da vida, 10% tiveram 5 ou mais bolhas de queimaduras e 24% já haviam utilizado as camas de bronzeamento. Do total de participantes havia 6.955 casos diagnosticados com BCC, 880 com SCC e 779 com diagnóstico de melanoma. Dos casos com melanoma, 445 tiveram câncer invasivo (1).

Os pais precisam ser aconselhados a prestar mais atenção à proteção contra a exposição ao sol no início da vida de seus filhos, a fim de reduzir a probabilidade de desenvolver melanoma à medida que crescem. Os indivíduos mais velhos também devem ter cuidado com a sua exposição ao sol, porque a exposição solar cumulativa também aumenta o risco de câncer de pele.

Regulamentações recentes do órgão de controle de alimentos e medicamentos dos EUA (Food and Drug Administration, FDA), a ANVISA brasileira, em produtos de proteção solar propõe que a rotulagem de protetor solar deva ser expandida para incluir um sistema de classificação de 4 estrelas, informando aos consumidores quão bem um produto protege contra a radiação da luz ultravioleta A (UVA), além de fornecer informações sobre maneiras alternativas de que as pessoas possam limitar seus riscos da superexposição à luz solar, tais como limitar seu tempo em luz direta ou vestindo roupas de proteção.

As medidas estão sendo tomadas para ajudar a proteger os consumidores contra os danos do sol, evitar queimaduras solares, e reduzir os riscos de câncer de pele e envelhecimento precoce da pele.

A FDA também quer fazer alterações em matéria de proteção contra a radiação da luz ultravioleta B (UVB) com uma proposta para alterar a sua regra existente em produtos UVB para aumentar o fator de proteção de queimadura solar máxima do FPS 30+ para FPS 50+.

Uma boa maneira de se reduzir o risco do câncer de pele é não tomar o sol entre 10 e 16 horas. Sempre usar protetor solar e, ao se molhar, repor o protetor. Lembre-se de beber bastante água durante todo o dia e bom divertimento!

Referências

1. Wu S, Han J, Laden F, Qureshi AA. Long-term ultraviolet flux, other potential risk factors, and skin cancer risk: a cohort study. Cancer epidemiology, biomarkers & prevention : a publication of the American Association for Cancer Research, cosponsored by the American Society of Preventive Oncology. 2014;23(6):1080-9.

2. INCA. Instituto Nacional do Cancer. Estimativa 2012: Incidência de Câncer no Brasil Rio d Janeiro: Ministério da Saùde; 2012 [cited 2013 Junho 2013]. Available from: http://www.inca.gov.br/estimativa/2012/index.asp?ID=1.

3. Inc. ACS. Cancer Facts & Figures 2014.: Atlanta; 2014. 100 p.

4. Lacerda LHG, Resende RR. ESTILO DE VIDA QUE PROTEJE O CORAÇÃO TAMBÉM REDUZ O RISCO DE CÂNCER. Nanocell News. 2014;1(10).

5. Silva AG, Resende RR. O AUMENTO DO AÇÚCAR PODE PREDISPOR AO CÂNCER DE MAMA. Nanocell News. 2014;1(17).

6. Resende RR. SERÁ QUE O RISCO DE CÂNCER DE PELE IMPULSIONA A EVOLUÇÃO DE PELE NEGRA EM SERES HUMANOS? Nanocell News. 2015;2(10).

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