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Giovana F. Maciel1, Marcello R. Brito Júnior1, Raysa T. V. Souza1, Pedro H. G. Santana1, Ricardo C. Parreira2

1Acadêmico(a) do Curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Campus Trindade-GO, Brasil.

2Professor do Curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Campus Trindade-GO, Brasil.

Edição Vol. 8, N. 9, 17 de Setembro de 2021

O baço é um órgão linforeticular, o que significa que ele ajuda na proteção do corpo contra invasores, como bactérias e vírus. Ele se localiza na parte superior esquerda do abdome, abaixo do diafragma (um músculo sob os pulmões e que separa tórax e o abdome), pesa entre 100 g e 200 g, tem comprimento de 10 a 12 e largura de 6 a 8 centímetros e um formato parecido com um grão de café (1).

Até meados do século passado, pouco se sabia sobre as funções desse órgão, o que levava a pensar que seria possível viver sem o baço normalmente. Nesse sentido, existem relatos do século III depois de Cristo sobre retiradas cirúrgicas do baço (esplenectomias) com o objetivo de melhorar o desempenho dos atletas, mesmo sem comprovação cientifica (1).

Em virtude do desenvolvimento da Ciência, atualmente, sabe-se que ele atua produzindo anticorpos, retirando bactérias invasoras do corpo, removendo células velhas ou anormais da circulação e ajudando na regulação do volume do sangue no corpo. Ademais, caso haja um desequilíbrio em suas ações, ele produzirá mais danos que benefícios, é quando a retirada cirúrgica do órgão poderá ser indicada. Muitas dessas disfunções ocorrem em doenças hemodinâmicas (alteração nas células ou nos órgãos que produzem o sangue). Nesses casos, o baço pode provocar ainda mais distúrbios, destruindo mais células do sangue que o necessário, provocando, por exemplo, anemia e dor local (2,3).

Além disso, é um órgão muito vascularizado, recebe cerca de 25% do sangue que sai do coração, e as células que o formam são relativamente frágeis. Desse modo, o baço é corriqueiramente lesionado em acidentes contusos, como os automobilísticos, e por armas brancas, nesses casos é preferível fazer cirurgia para retirá-lo para evitar significativas perdas sanguíneas, que poderiam levar o paciente à óbito (1, 2, 4).

As principais indicações para a remoção cirúrgica do baço são (5):

  • Lesão do baço com sangramento;
  • Presença de pus no baço decorrente de infecções;
  • Doenças hematológicas;
  • Alguns tipos de anemias graves;
  • Aumento considerável do tamanho do baço com consequente aumento da sua função;
  • Aneurisma na artéria que irriga o baço;
  • Presença de cisto ou massa tumoral no baço.

Como é possível viver sem o baço?

Na ausência do baço, o fígado passa a desempenhar grande parte das suas funções, uma forma adaptativa que o corpo encontra de tentar manter-se em equilíbrio. O sistema imune também conta com inúmeros linfonodos (conhecidos popularmente como íngua quando estão inflamados atuando contra infecções), que tentam compensar a falta do órgão (2).

Ressalta-se que a esplenectomia, como qualquer outra cirurgia, possui riscos e deve ser feita por profissionais capacitados em um ambiente estéril, com cuidados pré, intra e pós-operatórios. Além disso, a longo prazo, esses pacientes têm risco aumentado de contrair infecções por microrganismos, principalmente os chamados encapsulados, como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Por isso, recomenda-se vacinação periódica contra esses e outros agentes e maior atenção com sinais e sintomas que possam sugerir infecções, como febre, buscando sempre os serviços de saúde para, quando indicado, fazer uso de medicamentos antimicrobianos de forma preventiva (1, 2, 3).

Outra possiblidade, a fim de reduzir as complicações infecciosas, é a retirada parcial, de aproximadamente 80 a 90% do baço. Essa é uma alternativa para os pacientes que farão cirurgias previamente programadas, como no caso de doenças hemodinâmicas, principalmente em pacientes com menos de 6 anos. Todavia, é importante salientar que esse tipo de conduta tem mais riscos e só é indicada se não houver outros riscos à vida (2, 3).

Portanto, nota-se que o baço tem funções importantes, mas existem situações nas quais retirá-lo implicará em maiores benefícios que mantê-lo doente ou lesionado. Desse modo, a indicação cirúrgica deve ser individualizada e o procedimento feito por equipe capacitada em ambiente adequado.

Fonte: Adaptado de REVISTA ABRALE ON-LINE (6) e MOORE, Keith (7).

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) pelo projeto aprovado no EDITAL 01/DEACEC/EXTENSÃO/2021.

Referências

1. Goffi FS. Técnica cirúrgica: bases anatômicas, fisiopatológicas e técnicas da cirurgia. 4. ed. Atheneu, 2007.

2. Weledji EP. Benefits and risks of splenectomy. International journal of surgery. 2014;12(2):113-9.

3. Iolascon A, Andolfo I, Barcellini W, Corcione F, Garcon L, De Franceschi L, et al. Recommendations regarding splenectomy in hereditary hemolytic anemias. Haematologica. 2017;102(8):1304-13.

4. Huang GS, Chance EA, Hileman BM, Emerick ES, Gianetti EA. Laparoscopic Splenectomy in Hemodynamically Stable Blunt Trauma. JSLS : Journal of the Society of Laparoendoscopic Surgeons. 2017;21(2).

5. Minter RM, Doherty GM. Current procedimentos: Cirurgia. 1. Ed. AMGH Editora; 2012.

6. REVISTA ABRALE ON-LINE. Cirurgia oncológica: como funciona e para quem é indicada. Disponível em: https://revista.abrale.org.br/cirurgia-oncologica-o-que-e/. Acesso em: 12 set. 2021.

7. MOORE, Keith. Anatomia orientada para a clínica. 8ª. Ed. Editora: Grupo Gen – Guanabara; 2019.

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