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REATIVANDO ARTIFICIALMENTE MEMÓRIAS POSITIVAS PODE-SE REVERTER DEPRESSÃO

REATIVANDO ARTIFICIALMENTE MEMÓRIAS POSITIVAS PODE-SE REVERTER DEPRESSÃO

Edição Vol. 4, N. 7, 16 de Março de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.03.16.004

Existem momentos que não estamos muito bem conosco mesmo e com outras pessoas. Porém, existem aqueles momentos que nada nos faz levantar da cama, se alimentar, se mover. É preciso uma dose a mais de coragem extra para se executar qualquer ação, enquanto nossos pensamentos se afundam, reverberam e relutam contra a própria vontade de pensar em morte e largar a vida, deixar tudo, por um fim em uma existência melancólica e sem razão. E é nesse momento que nos deparamos com uma depressão profunda e os psiquiatras nos trazem toneladas de psicotrópicos para aliviar a dor de uma existência vazia e nefasta. Mas, calma lá. A ciência está aí para contornar essas situações e nos trazer de volta ao mundo e sermos capazes de nos relacionarmos com ele. Uma luz no meio do túnel é do que precisamos e nossos cientistas nos mostram o caminho para uma vida mais fascinante! É a pesquisa básica trazendo alternativas para o tratamento clínico! Veja como…

 

As descobertas oferecem uma possível explicação para o sucesso de psicoterapias em que os pacientes com depressão são encorajados a recordar de experiências agradáveis. Eles também sugerem novas maneiras de se tratar a depressão manipulando as células cerebrais onde as memórias são armazenadas (Figura 1). Os pesquisadores, liderados pelo Prof. Dr. Susumu Tonegawa, do Centro RIKEN-MIT de Genética de Circuitos Neurais do Instituto Picower de Aprendizagem e Memória do MIT, acreditam que este tipo de abordagem pode ter menos efeitos colaterais do que a maioria dos antidepressivos existentes, que acabam promovendo suas ações sobre todo o cérebro.

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Figura 1: Ao reativar artificialmente as memórias felizes que foram formadas antes do início da depressão, neurocientistas do MIT mostraram que elas podem curar os sintomas da depressão em camundongos.

Uma vez que se identifica os sítios específicos no circuito de memória que não estejam funcionando bem, ou cujo reforço trará uma consequência benéfica, existe a possibilidade de inventar uma nova tecnologia médica onde a melhoria será direcionada para a parte específica do circuito, em vez de administrar uma droga (um antidepressivo, por exemplo) e deixa-la que atue em todo o cérebro.  

Embora este tipo de intervenção ainda não seja possível em seres humanos, este tipo de análise dá informações sobre a forma de direcionar distúrbios específicos, o que quer dizer que não está limitada somente à depressão, mas também como outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, podendo ativar as lembranças esquecidas e o Parkinson, realimentando as vias colino-dopaminérgicas, que controlam os movimentos dos músculos.

CONTROLE DA MEMÓRIA

Em 2012, os pesquisadores Dr. Tonegawa e seus colegas relataram pela primeira vez que podiam rotular e reativar grupos de células cerebrais que armazenam memórias específicas, e que as chamaram de engramas (1). Mais recentemente, eles mostraram que poderiam plantar memórias falsas, como se uma estória (falsa) e, portanto, que nunca existiu, passa-se a ser uma história (verdadeira), acreditando que realmente tenha acontecido. Acrescido ainda da possibilidade de que poderiam mudar as associações emocionais de uma memória particular de positiva para negativa, e vice-versa. É como se uma memória ruim (negativa) fosse desligada e, em seu lugar, uma memória boa (positiva) plantada e ativada, assim a pessoa se lembraria somente de coisas boas do passado, mesmo que nunca houvessem existido. Uma lavagem cerebral para o bem.

Em seu novo estudo, os cientistas procuraram descobrir se sua capacidade de reativar as memórias existentes poderia ser explorada para tratar a depressão.

Para fazer isso, os pesquisadores expuseram os camundongos a uma experiência prazerosa. Neste caso, todos os camundongos eram do sexo masculino e a experiência prazerosa consistia em passar tempo com camundongos fêmeas (como poderiam não gostar? O inverso também seria muito bom…). Durante este período, as células no hipocampo que codificam o engrama da memória foram marcadas com uma proteína sensível à luz que ativa o neurônio em resposta à luz azul.

Depois que a memória positiva foi formada, os pesquisadores induziram sintomas de depressão nos camundongos, expondo-os ao estresse crônico. Estes camundongos demonstram sintomas que imitam aqueles de pessoas que estão sofrendo de depressão, como desistir facilmente quando confrontados com uma situação difícil e não ter prazer em atividades que são normalmente agradáveis.

No entanto, quando os camundongos foram colocados em situações projetadas para testar esses sintomas, os pesquisadores descobriram que eles poderiam melhorar drasticamente os sintomas, reativando os neurônios que armazenaram a memória de uma experiência passada agradável. Esses camundongos começaram a se comportar como camundongos que nunca estiveram deprimidos – mas apenas enquanto a memória agradável permaneceu ativada (1).

Em outro conjunto de experimentos, os pesquisadores descobriram que eles poderiam alcançar uma melhora mais duradoura, reativando as células de memória positiva durante 15 minutos, duas vezes por dia, durante cinco dias, antes que os camundongos fossem submetidos aos testes de comportamento depressivo. Desta vez, as memórias não foram reativadas durante o teste, mas os camundongos se comportaram exatamente como camundongos que nunca estiveram deprimidos (1).

Os cientistas descobriram que a ativação repetida da memória provocou a formação de novas células cerebrais em uma parte do hipocampo chamada giro dentado. Isso não aconteceu durante as breves ativações durante os testes comportamentais; Em vez disso, o comportamento depressivo foi superado pela ativação de um circuito conectando células engramáticas localizadas no hipocampo, amígdala e núcleo accumbens (1).

“APROVEITANDO O PODER DO CÉREBRO”

Curiosamente, os pesquisadores descobriram que permitir aos camundongos que se envolvam em experiências prazerosas após se tornarem deprimidos não melhorou seus sintomas quase tanto como reativar uma memória antiga.

As pessoas que sofrem de depressão têm essas experiências positivas no cérebro, mas as peças do cérebro necessárias para recuperá-las estão quebradas. O que os cientistas fizeram, em camundongos, é ignorar esse circuito e forçá-lo a ser iniciado. Eles estão aproveitando o poder do cérebro de dentro de si e forçando a ativação daquela memória positiva, enquanto que se você der uma memória positiva natural à pessoa ou ao animal, a depressão que eles têm os impede de encontrar essa experiência gratificante. São esses exemplos de estudos que se faz jus o estudo com animais, para que nós, seres humanos, possamos ter uma melhor qualidade de vida.

O estudo sugere uma possível explicação científica para a razão pela qual a psicoterapia funciona para alguns pacientes deprimidos. De alguma forma, este estado de depressão suprime a capacidade da pessoa em recordar experiências positivas, e o que o psiquiatra está fazendo é tentar substituir isso e ajudá-los a lembrar das boas recordações.

Esse é um grande passo para ajudar a melhorar a saúde mental. Compreender não só os circuitos subjacentes para uma doença realmente grave como a depressão, mas também os circuitos que estão subjacentes ao tratamento. Os resultados também oferecem novas abordagens possíveis para o desenvolvimento de novos tipos de tratamentos para a depressão. Se os cientistas pudessem desenvolver uma forma não invasiva de estimular circuitos cerebrais específicos, eles poderiam conseguir os mesmos efeitos vistos neste estudo usando optogenética. Uma maneira de conseguir isso poderia ser uma forma mais direcionada de estimulação cerebral profunda, que requer a implantação de um marcapasso cerebral que envia impulsos elétricos para partes específicas do cérebro. A estimulação cerebral profunda é usada algumas vezes para tratar a doença de Parkinson, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo, entre outras doenças. O problema é que a estimulação cerebral profunda é grosseira e ativa uma grande área do cérebro. Você poderia imaginar no futuro que se você pudesse induzir a estimulação do cérebro profundo, as partes mais internas do cérebro, não a grandes áreas cerebrais, mas a conjuntos específicos de células que acredita-se estarem mantendo uma memória positiva, então ela oferece uma nova via terapêutica. 

Fonte: Anne Trafton, MIT NewsImage: MIT; IStock

Referência

1.Ramirez S, Liu X, MacDonald CJ, Moffa A, Zhou J, Redondo RL, et al. Activating positive memory engrams suppresses depression-like behaviour. Nature. 2015;522(7556):335-9.

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