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QUAL A RELAÇÃO ENTRE A MEMÓRIA RUIM E A MENOPAUSA?

QUAL A RELAÇÃO ENTRE A MEMÓRIA RUIM E A MENOPAUSA?

Edição Vol. 4, N. 2, 22 de Novembro de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.11.22.003

Meu Deus! Que calor é esse? Está pagando fogo e não entendo de onde sai tanto ferror! Pior é minha memória que já não está tão boa assim. Mas tão boa desde quando ela não está?…

Uma pesquisa do Brigham and Women’s Hospital revela que o estágio reprodutivo, e não apenas a idade cronológica, pode contribuir para mudanças na memória e função cerebral para as mulheres.

Muitas mulheres relatam o esquecimento e mudanças na memória enquanto transicionam para a menopausa. Mas estudos que têm como alvo participantes com idades de 65 anos ou mais são dotados de grande viés científico, não podendo considerar mudanças cognitivas que podem ocorrer décadas antes na vida de uma mulher, principalmente se essas mudanças de atividades cerebrais ocorrem 20 anos antes.

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Ao estudar mulheres com idades entre 45 e 55 anos, os cientistas do Brigham and Women’s Hospital (BWH) afiliados da Harvard School, liderados pela Dra  Emily Jacobs, descobriram que o estágio reprodutivo, e não apenas a idade cronológica, pode contribuir para mudanças na memória e na função cerebral (Figura 1) (1).

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Figura 1: Uma ressonância magnética funcional (fMRI) mostra a rede de regiões cerebrais que suportam a memória. O declínio no hormônio estradiol, um hormônio esteróide sexual que diminui durante a menopausa, altera a atividade cerebral nesta rede (1).

Eles começaram a estudar o envelhecimento cognitivo a partir da perspectiva da saúde das mulheres. Uma das alterações hormonais mais profundas na vida de uma mulher é a transição para a menopausa. Deslocando o foco para este período de meia-idade, foram detectadas mudanças precoces em circuitos de memória que são evidentes décadas antes da faixa etária tradicionalmente alvejada por estudos de neurociência cognitiva sobre o envelhecimento. O envelhecimento não é um processo que começa de repente aos 65. Alterações neurais e cognitivas sutis acontecem mais cedo. Considerar o sexo de uma pessoa e seu status reprodutivo – acima e além da idade numérica – é crítico para detectar essas mudanças.

A equipe de pesquisa estudou 200 homens e mulheres, usando ressonância magnética funcional para analisar mudanças regionais e de nível de rede nos circuitos de memória do cérebro (1). Os participantes realizaram uma tarefa que testou sua memória verbal: Foram mostrado a eles duas palavras em uma tela e pedido para formar uma frase usando essas duas palavras, em seguida, foram mais tarde testados em sua memória para aquelas palavras. Os pesquisadores também coletaram informações sobre o status da menopausa dos participantes do sexo feminino e mediram os níveis de hormônios esteróides, incluindo 17β-estradiol, um hormônio esteróide sexual que declina durante a menopausa (1).

Em geral, os pesquisadores descobriram que quando os níveis de estradiol eram menores, foram observadas alterações mais pronunciadas no hipocampo – uma das regiões primárias do cérebro implicadas na aprendizagem e na memória – e os participantes com níveis mais baixos do hormônio apresentaram pior desempenho na tarefa de memória (1).

A equipe também avaliou mulheres pós-menopausa com alto desempenho, descobrindo que exibiam padrões de atividade cerebral que lembravam a atividade de mulheres pré-menopausa (1).

Essas descobertas sublinham a incrível variabilidade do cérebro à medida que envelhecemos e a importância crítica e complexidade do impacto do sexo sobre o envelhecimento, incluindo o papel único dos hormônios esteróides sexuais na função da memória. A manutenção da função da memória intacta com a idade é um dos maiores desafios de saúde pública do nosso tempo e a aplicação de uma lente dependente do sexo ao estudo do envelhecimento dos circuitos de memória ajudará a identificar os antecedentes precoces do futuro declínio da memória e do risco de doença de Alzheimer.

O QUE FAZER PARA NÃO ESQUECER?

Rever o regime alimentar e assegurar que esteja repleto de ómega 3 (peixe) que melhora os níveis de consciência e concentração; fruta e legumes (os antioxidantes e vitaminas B, C, D e E presentes nestes alimentos potenciam a memória). Aumentar o consumo de água e diminuir a ingestão de álcool e cafeína.

Assegurar que tem tempo de qualidade para si, para aliviar o stress (através de exercício físico, por exemplo) e relaxar (através de atividades como a meditação, pilates ou ioga); sem esquecer uma noite de sono tranquilo de pelo menos 7 ou 8 horas.

Manter o cérebro ativo através de jogos e exercícios mentais diversos (palavras cruzadas, sudoku, jogos de tabuleiro e de estratégia…).

Se a mudança de alguns destes hábitos não produzir os efeitos desejados, é importante consultar o seu médico que lhe pode receitar a terapia de substituição hormonal, ou seja, o tratamento base para uma mulher menopáusica.

Fonte: Haley Bridger, Brigham e Women’s Hospital Communications

Referências

1.Jacobs EG, Weiss BK, Makris N, Whitfield-Gabrieli S, Buka SL, Klibanski A, et al. Impact of Sex and Menopausal Status on Episodic Memory Circuitry in Early Midlife. The Journal of neuroscience : the official journal of the Society for Neuroscience. 2016;36(39):10163-73.

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