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QUAL A NATUREZA HUMANA? Boa Ou Ruim?

QUAL A NATUREZA HUMANA? Boa Ou Ruim?

Edição Vol. 2, N. 08, 24 de Fevereiro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.02.24.002

É uma questão que a humanidade tem-se repetidamente perguntado, e uma maneira de se descobrir é dando uma olhada mais de perto no comportamento dos bebês. … E usar fantoches.

Basicamente falando, são os seres humanos bons ou ruins? É uma questão que tem sido repetidamente feita ao longo da história da humanidade (1) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/qual-e-a-natureza-humana-qual-a-natureza-da-corrupcao-parte-1/). Por milhares de anos, os filósofos têm debatido se temos basicamente uma boa natureza que é corrompida pela sociedade, ou basicamente uma má natureza que é tida em xeque pela sociedade. A psicologia descobriu algumas evidências de que poderiam dar um fôlego ao velho debate.

Uma maneira de perguntar sobre as nossas características mais fundamentais é olhar para bebês. As mentes dos bebês são uma vitrine maravilhosa para a natureza humana. Os bebês são seres humanos com o mínimo de influência cultural – eles não têm muitos amigos, nunca foram à escola e nunca leram nenhum livro. Eles não podem sequer controlar suas próprias mãos, e muito menos falar a língua, sendo assim suas mentes estão o mais próximo da inocência que uma mente humana pode chegar.

O único problema é que a falta de linguagem torna complicado avaliar as suas opiniões. Normalmente nós pedimos às pessoas para participar em experiências, dando-lhes instruções ou pedindo-lhes para responder a perguntas, sendo que ambos requerem linguagem. Os bebês podem ser mais bonitinhos de se trabalhar, mas eles não são conhecidos por sua obediência. O que um psicólogo ou um neurocientista curioso pode fazer?

Felizmente, você não necessariamente tem que falar para revelar suas opiniões. Os bebês irão atrás das coisas que eles querem ou gostam, e eles tendem a olhar mais para as coisas que lhes surpreende. Experimentos engenhosos realizados na Universidade de Yale, Texas, nos EUA, usaram estas medidas para “olhar” para as mentes dos bebês, ou entender como eles pensam. Seus resultados sugerem que até mesmo os seres humanos mais jovens têm um senso de certo e errado, e, além disso, um instinto de preferência para o bem sobre o mal (2).

Como poderiam os experimentos dizer isso? Imagine que você é um bebê. Não precisa fazer dengo e nem ser um adulto mimado. Desde que você tenha um pequeno espaço para manter a atenção, o experimento será mais curto e será mais divertido do que a maioria dos experimentos de psicologia. Era basicamente uma espécie de teatro de fantoches; o palco de uma cena com um morro verde brilhante ao fundo, e os bonecos eram formas recortadas com vara nos olhos vacilantes; um triângulo, um quadrado e um círculo, cada um em suas próprias cores brilhantes. O que aconteceu depois foi um jogo curto, com uma das formas tentando subir o morro, tentando e caindo novamente para baixo. Em seguida, as outras duas formas se envolveram, com um ajudando o alpinista a subir o morro, empurrando-o por trás, e o outro dificultando o alpinista, empurrando-o de volta a partir de cima (2).

Já algo incrível, psicologicamente, está acontecendo aqui. Todos os seres humanos são capazes de interpretar os acontecimentos no jogo em termos de história que eu descrevi. Claro, ao menos, aqueles que não querem se fazer de desentendidos. Que é o ocorre no meio do governo. Ninguém sabe, ninguém entende, ninguém quer ver… Os bonecos são apenas formas. Eles não fazem sons ou demonstram emoções humanas. Eles apenas se movimentam, e ainda assim todo mundo lê esses movimentos como intencional, e reveladora de seus personagens, revelando seu caráter. Você pode argumentar que essa “leitura da mente”, mesmo em bebês, mostra que é parte de nossa natureza humana para acreditar em outras mentes.

GRANDES EXPECTATIVAS

O que aconteceu depois diz-nos ainda mais sobre a natureza humana. Depois do show, foi dada às crianças a escolha de pegar tanto a forma que ajudava ou dificultava a forma alpinista, e descobriu-se que elas eram muito mais propensas a escolher pela que ajudava. Isso pode ser explicado se os bebês estão lendo os eventos do show em termos de motivações – as formas não estão apenas se deslocando de forma aleatória, mas elas mostraram às criança que a forma empurrando morro acima “queria” ajudar (e por isso é boa) e da forma empurrando morro abaixo “queria” causar problemas (e por isso é desagradável).

Os pesquisadores usaram um segundo teste para confirmar estes resultados. Os bebês viram uma segunda cena em que a forma alpinista fez uma escolha de se mover para a forma ajudadora ou para a forma que atrapalhava. O tempo gasto pelas crianças olhando para cada um dos dois casos revelou o que elas achavam do resultado. Se o alpinista movia-se para o que atrapalhava as crianças olhavam significativamente por mais tempo do que se o escalador movia-se para o que ajudava. Isso faz sentido se as crianças ficaram surpresas quando o escalador se aproximou do que atrapalhava. Movendo-se para a forma ajudante seria o final feliz, e, obviamente, era o que os bebês esperavam. Se o alpinista movia-se para o que atrapalhava isso causava uma surpresa, tanto quanto você ou eu ficaríamos surpresos se nós víssemos alguém dar um abraço a um homem que o tinha acabado de derruba-lo (2). Veja bem, a informação dada não qualifica o que o amor pode trazer de bom, mas sim o que a natureza atrai no ser humano. Dar a outra face a alguém que lhe ofendeu, ou responder com amor a alguém que lhe insultou é uma das mais graciosas virtudes do ser humano. E isso, não é visto em crianças, e atualmente, nem na maioria dos adultos. Elas agem pelo impulso negativo, em que a ação dada reflete uma reação de igual ou maior força e sentido contrário.

A maneira de se dar sentido a este resultado é se as crianças, com seus cérebros pré-culturais tinham expectativas sobre como as pessoas deveriam agir. Não só elas interpretam o movimento das formas como resultante de motivações, mas elas preferem ajudar as motivações sobre aquelas que entravam. E isso é, basicamente, o que muitos pretendem durante a vida, desde que a ambição não faça parte de seus interesses, pois, daí em diante, o que o ser humano faz é criar empecilhos ou tentar impedir que outro alcance seus objetivos primeiro. Simples caso, ou na universidade, aonde os mais velhos que não chegaram a lugar algum ou que acham que chegaram, tentam impedir os que querem chegar, ou os políticos corruptos que de tudo fazem para se manter no poder. Não precisa ficar preso em um modelo, em qualquer situação de poder, quem lá está não quer o deixar.

Isso não resolve o debate sobre a natureza humana. Alguém diria que isso só mostra que crianças são auto-interesseiras e esperam que os outros o possam ser da mesma maneira. Também é um fato que a criança usa de todos os meios, quando aprende, para adquirir o que ela quer _ chama a atenção com choro, gritos, ou mesmo, mimos. No mínimo, porém, mostra que firmemente ligada dentro da natureza de nossas mentes em desenvolvimento está a capacidade de fazer sentido do mundo em termos de motivações, e um instinto básico a preferir intenções amigáveis sobre os maliciosas. O que é de se esperar mesmo dos adultos. Quem um dia iria querer alguém para compartilhar ou dividir um sucesso, ou mesmo um recurso desviado, se já soubesse que este alguém o trairia? Claro, no mundo do egoísmo e da política como um todo, não exclusivo de Brasília, quando se assina a alma já está vendida. E quanto mais em débito, mais difícil de emergir, atolando-se e puxando outros mais para que se afoguem na lama da corrupção. É sobre esta base que a moralidade adulta é construída.

Referências

1. Lois CS. QUAL É A NATUREZA HUMANA? QUAL A NATUREZA DA CORRUPÇÃO? (Parte 1). Nanocell News. 2015 02/08/2015;2(7). Epub 02//08/2015.

2. Hamlin JK, Wynn K, Bloom P. Social evaluation by preverbal infants. Nature. 2007 Nov 22;450(7169):557-9. PubMed PMID: 18033298. Epub 2007/11/23. eng.

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  • QUAL A NATUREZA HUMANA? Boa Ou Ruim?
  • 1
  1. Joao Wesley disse:

    A Universidade de Yale não fica no Texas. Ela é um dos ícones da Nova Inglaterra e fica em New Haven, Connecticut.

    29/março/2015 ás 19:10

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