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PROMESSAS DA IMUNOTERAPIA PARA ANIQUILAR O CÃNCER

PROMESSAS DA IMUNOTERAPIA PARA ANIQUILAR O CÃNCER

Edição Vol. 4, N. 3, 13 de Dezembro de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.12.13.005

Câncer é uma palavra que a maioria das pessoas não querem nem ouvir falar. Seja por já terem tido alguma variação da doença ou por terem perdido algum ente querido. E diversas pessoas e instituições mundo a fora vêm trabalhando para sanar essa doença que, a cada ano, se alastra ainda mais, muitas vezes pelo descaso com a própria saúde ou pelo descaso de governos corruptos que matam mais do que guerras genocidas. Uma das estratégias em foco seria a produção de vacinas terapêuticas contra o câncer. É isso mesmo, uma vacina que pode tanto ter o efeito profilático de inibir que a pessoa venha a ter o câncer, como mesmo destruí-lo, caso já o tenha. Veja por si mesmo!

Usando uma combinação de quatro terapias diferentes, os pesquisadores do MIT revelam um novo tratamento que destrói tumores em camundongos.

Aproveitar o próprio sistema imunológico do corpo para destruir tumores é uma tentadora perspectiva que ainda tem de realizar todo o seu potencial. No entanto, um novo avanço do MIT, liderado pelos professores Darrell Irvine e Dane Wittrup, professores de engenharia biológica e de ciência dos materiais e engenharia, e um membro da Instituto Koch do MIT para a Pesquisa Integrativa do Câncer, pode trazer esta estratégia, conhecida como imunoterapia do câncer, mais perto de se tornar realidade.

No novo estudo, os pesquisadores usaram uma combinação de quatro diferentes terapias para ativar ambos os ramos do sistema imunológico, produzindo um ataque coordenado que levou ao desaparecimento completo de grandes tumores agressivos em camundongos.

Tem sido demonstrado que a combinação de certos sinais podem induzir ao sistema imunológico endógeno para que possa rotineiramente superar grandes tumores imunossupressores.

Essa abordagem, que poderia ser usada para direcionar muitos tipos diferentes de câncer, também permite que o sistema imunológico “lembre-se” do alvo e destrua novas células cancerosas que possam vir a aparecer após o tratamento original (Figura 1).

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Figura 1:A transferência adotiva de células T visa aumentar a capacidade das células imunes do paciente em reconhecer e atacar as células cancerosas. (1) as células T são extraídas do sangue do paciente, (2) geneticamente manipuladas para produzir uma molécula que reconhece as células cancerosas e cultivadas no laboratório, e (3) infundidas de volta para o paciente para (4) melhorar a resposta imune. (Crédito: LUNGevity Foundation)

ATAQUE MULTIDIRECIONADO

As células tumorais secretam frequentemente substâncias químicas que suprimem o sistema imunológico, tornando difícil para o corpo atacar tumores por conta própria. Para superar isso, os cientistas têm tentado encontrar maneiras de provocar o sistema imunológico para que entre em ação, com a maioria focando seus esforços em um ou outro dos dois braços da imunidade – o sistema imune inato e o sistema imunológico adaptativo.

O sistema inato consiste de defesas inespecíficas, tais como peptídeos antimicrobianos, moléculas indutoras de inflamação e células, tais como macrófagos e células assassinas naturais ou Natural Killer. Os cientistas tentaram ativar este sistema para atacar tumores, fornecendo anticorpos que se ligam em células tumorais e recrutam as outras células e produtos químicos necessários para um ataque bem sucedido.

Em 2015, Wittrup mostrou que a liberação de anticorpos e IL-2, uma molécula de sinalização que ajuda a aumentar as respostas imunes, poderia interromper o crescimento de tumores agressivos de melanoma em camundongos durante o tempo em que o tratamento foi administrado. No entanto, este tratamento funcionou muito melhor quando os pesquisadores também forneceram células T, juntamente com a terapia de seu anticorpo-IL2. As células T – células imunes que são direcionadas para encontrar e destruir um antígeno particular – são fundamentais para o segundo braço do sistema imunológico, o sistema adaptativo.

Por volta do mesmo período, o laboratório de Irvine desenvolveu um novo tipo de vacina de células T que as direciona para um passeio direto aos gânglios linfáticos ao se prender à proteína albumina, encontrada na corrente sanguínea. Uma vez nos gânglios linfáticos, estas vacinas podem estimular a produção de um grande número de células T contra o alvo da vacina.

Depois que ambos os estudos saíram, Irvine e Wittrup decidiram ver se combinando suas terapias poderiam produzir uma resposta ainda melhor.

Eles tinham esta vacina que direciona as células T aos linfonodos que conduziria à uma resposta de imunidade adaptativa muito forte, e eles tinham essa combinação que estava recrutando a resposta da imunidade inata de maneira muito eficiente. A pergunta então era se ambos poderiam unir estas duas estratégias e tentar gerar uma resposta imune mais integrada que unisse todos os braços do sistema imune contra o tumor (1).

O tratamento resultante consiste em quatro partes: um anticorpo dirigido ao tumor; Uma vacina dirigida ao tumor; IL-2; e uma molécula que bloqueia PD1, um receptor encontrado em células T. A PD-1 é a proteína de morte celular programada 1, também conhecida como CD279. A PD-1, que funciona como um ponto de controle imunológico, desempenha um papel importante na subregulação do sistema imunitário, impedindo a ativação das células T, o que por sua vez reduz a auto-imunidade e promove a auto-tolerância. O efeito inibitório de PD-1 é conseguido através de um mecanismo duplo de promoção da apoptose (morte celular programada) em células T específicas do antígeno nos linfonodos (ou gânglios linfáticos) enquanto simultaneamente reduz a apoptose em células T reguladoras (células T supressoras).

Cada uma destas moléculas desempenha um papel crítico no aumento da resposta imune global ao tumor. Os anticorpos estimulam o recrutamento de células imunes adicionais que ajudam a ativar as células T; A vacina estimula a proliferação de células T que podem atacar o tumor; A IL-2 ajuda a população de células T a expandir-se rapidamente; E a molécula anti-PD1 ajuda as células T a permanecerem ativas durante mais tempo.

ELIMINAÇÃO TUMORAL

Os pesquisadores testaram este tratamento de combinação em camundongos nos quais foram implantados com três tipos diferentes de tumores – melanoma, linfoma e câncer de mama. Estes tipos de tumores manipulados são muito mais difíceis de se tratarem do que tumores humanos implantados em camundongos, porque eles suprimem a resposta imune contra eles.

Os pesquisadores descobriram que em todas essas estirpes de camundongos, cerca de 75% dos tumores foram completamente eliminados (1). Além disso, seis meses depois, os pesquisadores injetaram células tumorais nos mesmos camundongos e descobriram que seus sistemas imunológicos eram capazes de eliminar completamente as células tumorais (1) (Figura 2).

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Figura 2: As células T – células imunes que são direcionadas para encontrar e destruir um antígeno particular – são fundamentais para a resposta imune adaptativa, aquela resposta que é construída pelo sistema imune da pessoa quando do primeiro contato com o antígeno. Nesta imagem, a linha superior mostra poucas células T em camundongos não tratados, enquanto as linhas inferiores mostram muitas células T produzidas após o tratamento com imunoterapia. Fonte (1).

“Para nosso conhecimento, ninguém foi capaz de tomar tumores tão grandes e curá-los com uma terapia consistindo inteiramente em injetar drogas de biomoléculas em vez de transplante de células T”, diz Wittrup.

A exploração do repertório de células T endógenas, normais e existentes, que reconhecem antígenos dos tumores do camundongo (ou do ser humano) supera a necessidade de transferência de células T, tornando a terapia mais prontamente aplicável na clínica.

Em geral, trata-se de uma terapia de combinação altamente sofisticada e projetada de maneira inteligente com muitas propriedades únicas que resultam em atividade antitumoral muito poderosa. Depois de celebrar esta emocionante realização, ainda há muito trabalho a ser feito para traduzir as lições aprendidas e os princípios observados em uma terapêutica para pacientes com câncer.

Usando esta abordagem como modelo, os pesquisadores poderiam substituir outros tipos de anticorpos e vacinas para direcionar aos diferentes tumores. Uma outra possibilidade em que o laboratório de Irvine está trabalhando é que está desenvolvendo os tratamentos que poderiam ser usados contra os tumores mesmo quando os cientistas ainda não saibam de um alvo específico para a vacina contra esse tipo específico de tumor.

Fonte: Anne Trafton, MIT Notícias

Referências

1.Moynihan KD, Opel CF, Szeto GL, Tzeng A, Zhu EF, Engreitz JM, et al. Eradication of large established tumors in mice by combination immunotherapy that engages innate and adaptive immune responses. Nat Med. 2016;22(12):1402-10.

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