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PRODUTOS DOMÉSTICOS COMUNS PODEM CAUSAR REDUÇÃO DA INTELIGÊNCIA EM CRIANÇAS

PRODUTOS DOMÉSTICOS COMUNS PODEM CAUSAR REDUÇÃO DA INTELIGÊNCIA EM CRIANÇAS

Edição Vol. 2, N. 06, 12 de Janeiro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.01.14.005

Um estudo Escola Mailman de Saúde Pública da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, nos EUA, revela que a exposição a produtos químicos domésticos comuns durante a gravidez está associada a uma queda no QI das crianças.

Olha que gracinha, a criança passa baton, esmalte, brinca com spray de cabelo, cuida da boneca e, põe tudo na boca! Ah, isso não tem problema, é a lei dos 3 segundos _ bactérias não sobem se você recolher o que caiu no chão em menos de 3 segundos _ claro que isso é uma piada, mas o problema não são as bactérias, o corpo mesmo desenvolve mecanismos de defesa contra elas. O problema são os produtos químicos presentes nestes produtos de cuidado pessoal de adultos! Mais ainda, até a mãe grávida, quando faz uso destes produtos que apresentam ftalatos, que são utilizados como aditivo para deixar o plástico mais maleável, pode causar danos irreversíveis em seus fetos!

Crianças expostas durante a gravidez a níveis elevados de dois produtos químicos comuns encontrados em casa _ di-n-butil-ftalato (DNBP) e di-isobutil-ftalato (DIBP) _ tiveram uma pontuação de QI, o score que mede a quantificação de inteligência de uma pessoa, em média, mais de seis pontos a menos do que as crianças expostas em níveis mais baixos, de acordo com pesquisadores da Escola Mailman de Saúde Pública da Universidade de Columbia, liderados pelos professores Dr. Pam Fator-Litvak e Dr. Robin Whyatt.

Publicamos anteriormente no NANOCELL NEWS, dois artigos relacionados, alertando e informando os perigos que os ftalatos causam à saúde, não somente das crianças e fetos, mas dos adultos também (1, 2) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/contaminantes-emergentes-1o-capitulo-bisfenol-a-e-analogos/ e http://www.nanocell.org.br/contaminantes-emergentes-2o-capitulo-ftalatos-e-parabenos/). Trabalhos realizados pelo grupo do professor Fernando Barbosa Júnior, da USP de Ribeirão Preto.

O estudo é o primeiro a relatar uma ligação entre a exposição pré-natal aos ftalatos e o QI em crianças em idade escolar. Os resultados foram publicados em Dezembro de 2014 na revista online PLoS ONE (3).

DNBP e DIBP são encontrados em uma ampla variedade de produtos de consumo, desde dryer sheets (que são toalhinhas, papéis especiais, embebidos em amaciante para roupas), passando por borrachas de apagar lápis até tecidos de vinil, de produtos de cuidados pessoais como batom, spray de cabelo, esmalte, até mesmo alguns sabonetes. Tal grupo de compostos é tido como cancerígeno, podendo causar danos ao fígado, rins e pulmão, além de anormalidade no sistema reprodutivo, também provocam alterações hormonais. Desde 2009, vários ftalatos foram proibidos em brinquedos infantis e outros artigos de cuidados com crianças nos Estados Unidos. No entanto, não foram tomadas medidas para proteger o feto em desenvolvimento, alertando as mulheres grávidas para exposições potenciais. Nos EUA, os ftalatos são raramente mencionados como ingredientes em produtos em que são usados. Imaginem por aqui… Nem proibido não o foram… Não é um caso de descrédito ao que é de nosso país. É o caso de alertar aos governantes, deputados, senadores aos perigos aos quais expomos, sem nem mesmo saber, nossas crianças diante de produtos que são de uso rotineiro. Uma legislação que proíbe o uso destes compostos químicos em itens de uso de rotina deve ser elaborada.

Os pesquisadores acompanharam 328 mulheres e suas crianças de comunidades de baixa renda em Nova Iorque. Eles avaliaram a exposição das mulheres a quatro ftalatos _ DNBP, DIBP, di-2-etilexil-ftalato, e dietil-ftalato _ no terceiro trimestre de gravidez pela medida dos níveis de metabólitos dos produtos químicos presentes na urina. As crianças passaram por testes de QI aos 7 anos (3).

Filhos de mães expostas durante a gravidez à concentrações 25% mais altas de DNBP e DIBP tinham QI 6,6 e 7,6 pontos, respectivamente, inferiores, do que os filhos de mães expostas à concentrações 25% menores, após o controle de fatores como QI materno, escolaridade materna e qualidade do ambiente de casa que são conhecidos por influenciar as pontuações de QI de crianças. A associação também foi vista para aspectos específicos do QI, como raciocínio perceptual, memória de trabalho, e velocidade de processamento. Os pesquisadores não encontraram associações entre os outros dois ftalatos e o QI em crianças (3).

Bom, a princípio poderia até se pensar: “Ah, ter um QI 7 a 8 pontos menores não é um problema…”. Mas, é a diferença para a criança se adaptar em sala de aula; é a diferença para a criança saber diferenciar o que é uma brincadeira de uma maldade feita por um coleguinha e isso não ficar enraizado em toda sua vida de maneira traumatizante, de maneira que possa ser um adulto frustrado; é a diferença de saber que seu filho poderia não ter déficit de atenção e que consegue aprender de maneira rápida sem cometer os mesmos erros por anos a fio…

A gama de exposições de metabólitos de ftalatos medidos nas mães não era incomum: foi dentro do que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças observaram em uma amostra nacional.

As mulheres grávidas nos Estados Unidos são expostas aos ftalatos quase diariamente, muitos em níveis semelhantes aos que foram encontrados e foram associados a reduções substanciais no QI das crianças. Em várias partes do mundo essa exposição chega a ser entre 2 a 10 vezes superior! Não é de se estranhar que nesses países onde a exposição é muitas vezes superior são países pobres ou em desenvolvimento, como é o caso de muitos países do continente Africano e da América Latina, incluindo o Brasil!

A magnitude dessas diferenças de QI é preocupante. A queda de seis ou sete pontos no QI pode ter consequências substanciais para o desempenho acadêmico e potencial profissional.

Embora tenha havido algum regulamento que proíba a presença de ftalatos nos brinquedos das crianças, ao menos nos EUA, não há nenhuma legislação que rege a exposição durante a gravidez, que é o período mais sensível para o desenvolvimento do cérebro. Na verdade, os ftalatos não são obrigados a estar na rotulagem dos produtos. Infelizmente!

Os pesquisadores ainda recomendam que as mulheres grávidas tomem medidas para limitar a exposição aos ftalatos, por exemplo, não colocar alimentos em plásticos no micro-ondas, evitando, tanto quanto possível, produtos perfumados, incluindo purificadores de ar, dryer sheets, e não usar plásticos recicláveis rotulado como 3, 6, ou 7.

Os resultados reforçam pesquisas anteriores, de observações semelhantes por parte dos pesquisadores de associações entre a exposição pré-natal a DNBP e DIBP com relação ao desenvolvimento e comportamento cognitivo e motor de crianças em idade de até 3 anos (4). Em setembro de 2014, eles relataram uma ligação entre a exposição pré-natal aos ftalatos e risco de asma na infância.

Não se sabe, ainda, como ftalatos afetam a saúde da criança. No entanto, vários estudos mostram que eles perturbam a ação dos hormônios, incluindo a testosterona e o hormônio da tireoide (5). A inflamação e estresse oxidativo podem, também, desempenhar algum papel (6).

 

Referências

1. Rocha BA, Barbosa Júnior F. CONTAMINANTES EMERGENTES (1º Capítulo): Bisfenol A e análogos. Nanocell News. 2014 10/01/2014;2(1). Epub 09/29/2014.

2. Souza JMO, Azevedo LF, Rocha BA, Barbosa Júnior F. CONTAMINANTES EMERGENTES (2º Capítulo): Ftalatos e Parabenos. Nanocell News. 2014 11/11/2014;2(3). Epub 11/10/2014.

3. Factor-Litvak P, Insel B, Calafat AM, Liu X, Perera F, Rauh VA, et al. Persistent Associations between Maternal Prenatal Exposure to Phthalates on Child IQ at Age 7 Years. PLoS One. 2014;9(12):e114003. PubMed PMID: 25493564. Pubmed Central PMCID: 4262205. Epub 2014/12/11. Eng.

4. Whyatt RM, Liu X, Rauh VA, Calafat AM, Just AC, Hoepner L, et al. Maternal prenatal urinary phthalate metabolite concentrations and child mental, psychomotor, and behavioral development at 3 years of age. Environmental health perspectives. 2012 Feb;120(2):290-5. PubMed PMID: 21893441. Pubmed Central PMCID: 3279439. Epub 2011/09/07. eng.

5. Boas M, Frederiksen H, Feldt-Rasmussen U, Skakkebaek NE, Hegedus L, Hilsted L, et al. Childhood exposure to phthalates: associations with thyroid function, insulin-like growth factor I, and growth. Environmental health perspectives. 2010 Oct;118(10):1458-64. PubMed PMID: 20621847. Pubmed Central PMCID: 2957929. Epub 2010/07/14. eng.

6. Meeker JD, Calafat AM, Hauser R. Urinary bisphenol A concentrations in relation to serum thyroid and reproductive hormone levels in men from an infertility clinic. Environmental science & technology. 2010 Feb 15;44(4):1458-63. PubMed PMID: 20030380. Pubmed Central PMCID: 2823133. Epub 2009/12/25. eng.

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