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PROBLEMA: BOA VONTADE

PROBLEMA: BOA VONTADE 

Jorge Antônio Monteiro de Lima

Edição Vol. 2, N. 04, 02 de Dezembro de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.12.02.001

Há alguns meses atrás procurei no centro da cidade uma relojoaria para tentar arrumar um relógio importado que havia dado defeito. Um relógio com os ponteiros em braile. O relógio havia sofrido uma pancada e os ponteiros não funcionavam direito. O relojoeiro era um rapaz de seus 30 anos, disse que morou fora, que era viajado e falou de suas aventuras pelo mundo. Pegou o relógio, olhou pensou e sem examinar o problema disse: procure a assistência técnica, é um bom relógio mas não vou mexer nele… Não sei direito com este tipo de modelo.

E falou de uma série de problemas, de dificuldades, sem abrir o relógio para ver o que era… Reclamou do pouco movimento, da pouca clientela, que ia voltar para os Estados Unidos por que a vida aqui era muito difícil.

Esta semana levo o mesmo relógio em outro relojoeiro mais velho. Ele abre o relógio sem medo, testa a bateria e em cinco minutos descobre o problema resolvendo toda questão. Eu na hora fiquei aturdido e questionando o outro relojoeiro que me disse que tinha de mandar o relógio para o exterior, que aqui ninguém ia saber mexer com ele, que não sabia como funcionava o relógio…

Depois desta epopeia pensei nos burocratas, naquela senhora da repartição pública que nunca tem solução pros problemas que temos, no político que desfigura a realidade, que maquia os números para perpetuar sua ineficácia, pensei na desculpa esfarrapada do aluno relapso que nos procura no final do curso pedindo a nota da disciplina que ele não assistiu. Já viu isto?

Nossa sociedade é dividida. A massificação tem esta característica básica que funde comodismo com falta de curiosidade, com pensamento padronizado na especialidade de ver defeitos e em raros momentos tentar achar uma solução. E um individuo massificado perde sua capacidade criativa, sua identidade, sua capacidade de resolver problemas, de ousar, de pensar diferente, de questionar. Como o primeiro relojoeiro desta história pra que pensar em solução se posso idolatrar um problema?

Pra que tentar se é mais fácil desistir?

Hoje vejo inúmeras pessoas reclamando de governo, de dificuldade, de endividamento, do estado que não presta, com muita conversa fiada e rara ação. A mesma retórica de promessa eleitoral de campanha política, muito discurso e inação.

Para mim o ocorrido do relógio foi bem significativo. Pensei nas várias vezes que sem questionar ou prestar atenção reclamei e desisti, algo comum em nossa cultura. Pensei na vida dos amigos e conhecidos e do quanto isto tem sido comum em nosso subdesenvolvimento.

Reclamar e desistir são atitudes fáceis; tentar fazer diferente e agir… seu bolso, sua vida profissional e social, sua existência vão agradecer.

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  1. Aline Cristina Pinheiro Amorim de Melo disse:

    Adorei o texto! Parabéns pela reflexão!!

    04/dezembro/2014 ás 15:59

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