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PREVENDO A DEPRESSÃO POR ESTUDOS DE IMAGEM

Patrícia de Carvalho Ribeiro, Daniel Mendes Filho, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 5, N. 10, 10 de Abril de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.04.10.005

Uma pesquisa apontou que pode ser possível prever a probabilidade de adolescentes desenvolverem depressão, anos antes de ser diagnosticada, através de imagem por ressonância magnética.

A depressão é uma das doenças mais comuns, representando grande problema de saúde pública. Ela comumente se inicia na fase de adolescência, apresenta perfil crônico (ou seja, a doença é duradoura) e causa diversos danos psicossociais. Acredita-se que o motivo de seu início se dar na adolescência esteja no amadurecimento do sistema de recompensa que se dá nesta fase da vida. Os sintomas presentes nos adolescentes em geral são semelhantes aos observados nos adultos, porém apresentam algumas particularidades, como: irritação, instabilidade (ao invés da típica queixa e demonstração de tristeza crônica), perda de energia, apatia, desinteresse, baixo desempenho escolar, baixa auto-estima, dores físicas, ideias e tentativas de suicídio, e problemas comportamentais.

Pesquisando sobre o assunto, Pedro Mario Pan e outros pesquisadores de diversas Universidades brasileiras, acompanharam adolescentes por três anos a fim de tentar encontrar relação entre o sistema de recompensa nesta fase da vida e o risco de desenvolvimento de depressão. 

Para tanto, foram estudadas 637 crianças e adolescentes entre 6 e 12 anos de idade. Eles foram submetidos à realização do exame de imagem por ressonância magnética (em repouso, sem que fosse solicitado para que realizassem uma tarefa em específico). As imagens obtidas foram analisadas e os pacientes foram acompanhados ao longo de três anos a fim de tentar identificar a correlação entre as imagens e o risco de desenvolvimento de depressão.

Como resultado, os autores puderam observar que a imagem por ressonância magnética do corpo estriado ventral pode prever a probabilidade de adolescentes virem a desenvolverem um quadro de depressão. Muitos estudos associam a sinalização dopaminérgica de áreas do corpo estriado ventral (uma região em nosso cérebro) com o sistema de recompensa, reconhecido em diversos trabalhos como importante na depressão (Figura 1). A ressonância magnética funcional realizada em repouso permite que essa região seja estudada através de imagens e possibilitou aos pesquisadores observar que aumentos na conectividade do estriado ventral esquerdo aumentam também as chances de desenvolvimento de quadros depressivos ao longo do período de 3 anos de observação, em aproximadamente 50%.

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Figura 1: Representação de estriado ventral esquerdo (LVS) e de outras regiões no cérebro importantes no sistema de recompensa (Fonte: PAN PM et al, 2017)

Esses dados sugerem que alterações no sistema de recompensa podem não ser simplesmente consequências da depressão, mas sim podem anteceder a doença. Este trabalho de pesquisadores brasileiros possibilitou a obtenção de informações valiosas para o melhor entendimento da doença. O próximo passo agora é a realização de novos estudos para que, no futuro, os exames de imagem possam ser usados como biomarcadores específicos e seguros que indiquem a probabilidade de adolescentes desenvolverem depressão.

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Referências

Pan PM, Sato JR, Salum GA, Rohde LA, Gadelha A, Zugman A, et al. Ventral Striatum Functional Connectivity as a Predictor of Adolescent Depressive Disorder in a Longitudinal Community-Based Sample. Am J Psychiatry. 2017 Nov 1;174(11):1112-1119.

Bahls S, Bahls FRC. Depressão na adolescência: características clínicas. Interação em Psicologia. 2002; 6(1): 49-57.

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