web analytics

Aída Rita Tedesco e Silva1, Ricardo Cambraia Parreira1

1 Laboratório de Neurofarmacologia e Neuroquímica do Departamento de Farmacologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brazil

Edição Vol. 6, N. 10, 01 de Novembro de 2019

O Nobel de Física de 2019 laureou duas pesquisas distintas que ajudaram a humanidade a entender melhor seu lugar no universo: o trabalho de Didier Queloz e de Michel Mayor, que descobriram em 1995 o primeiro planeta orbitando um sistema solar que não o nosso, e o de James Peebles, por uma vida de descobertas teóricas no âmbito da cosmologia.

James Peebles é um cosmologista da Universidade de Princeton, cujas investigações teóricas partiram de dois pontos essenciais. Primeiro, da hipótese do Big Bang: a ideia de que o universo está em expansão e de que ele era, em seu inicio, um ponto pequeno, denso e muito quente. Em segundo lugar, da detecção da radiação cósmica de fundo, realizada em 1965 por Arno Penzias e Robert Wilson, que é umremanescente deste passado distante – como o calor que restou de uma fogueira que já se apagou. Uma das primeiras tarefas de Peebles foi correlacionar o achado experimental da radiação de fundo com a teoria cosmológica do Big Bang, mas ele foi além: teorizou sobre a formação de galáxias e da matéria, assim como sua distribuição, e descobriu que alguma coisa estava faltando nos cálculos de todos os cientistas. Essa “coisa” misteriosa é chamada hoje de “matéria e energia escuras”. Atualmente, essa hipótese teóricalevantada pelos cálculos de Peebles foi amplamente aceita e faz parte das descrições do universo dos astrônomos e cosmólogos, que consideram que a matéria e energia escuras representam 95% do universo. Trata-se, sem dúvidas, de um dos maiores mistérios e desafios atuais para o conhecimento humano.

Figura 1: A composição do universo aceita atualmente, após as pesquisas de James Peebles, 5% de matéria e energia tal como conhecemos; 69% de energia escura e 26% de matéria escura. Fonte: https://www.nobelprize.org/uploads/2019/10/fig2_fy_en_backgroundradiation.pdf

As contribuições de Michel Mayor e Didier Queloz, um físico da Universidade de Geneva e um astrônomo em Geneva e em Cambridge, não deixaram por menos. Essa dupla anunciou, em 1995, a descoberta do primeiro planeta fora do sistema solar – o 51 Pegase b. Para entender o tamanho do desafio que eles enfrentaram, basta nos lembrarmos que os planetas não emitem luz e nos perguntarmos: como enxergar um ponto escuro a milhões de quilômetros de nós, em uma outra galáxia? A maneira que a dupla de pesquisadores encontrou para fazê-lo foi prodigiosa: olhar para as estrelas, que emitem luz, e lembrar de um princípio básico que todos aprendemos na escola. Trata-se do princípio de que massa atrai massa, e que um planeta, ao orbitar em torno de uma estrela, a faz oscilar bem pouquinho em torno do centro de massa comum aos dois. O que eles fizeram, então, foi isso: medir as oscilações minúsculas da posição de uma estrela em outra galáxia causada pelas revoluções do planeta em volta dela. Para isso, utilizaram mudanças no comprimento de onda da luz emitida por elas (efeito Doppler), que também é nosso velho conhecido: pensemos em como o comprimento de onda das sirenes das ambulâncias muda quando elas estão se aproximando (ficam mais agudas) ou se afastando (ficam mais graves) de nós. Para fazer essa medição, os dois cientistas desenvolveram um novo espectrógrafo, estabeleceram um novo método para detectar planetas e renovaram radicalmente a forma como a humanidade vê o universo!

Anos depois, eles participaram ainda do desenvolvimento de um método que mede a variação da quantidade de luz de estrelas que é detectada quando planetas passam na sua frente, confirmando, com outro método, suas descobertas iniciais. Agora sabemos que o sistema solar não é o único sistema com planetas do universo. Desde então, mais de 4000 exoplanetas na via Láctea foram descobertos e catalogados, e muitos cientistas foram desafiados a revisar suas teorias sobre os processos físicos que estão na origem dos planetas.

Figura 2: Esquema mostrando método utilizado por Mayor e Queloz para detectar o primeiro exoplaneta. Fonte: Adaptado de https://www.nobelprize.org/uploads/2019/10/fig4_fy_en_radialvelocitymethod.pdf

REFERÊNCIAS

  1. The Nobel Prize in Physics 2019. NobelPrize.org. Nobel Media AB 2019. Sun. 27 Oct 2019. Site: https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2019/press-release/
  2. Site: https://www.nobelprize.org/uploads/2019/10/popular-physicsprize2019.pdf
  3. https://www.nytimes.com/2019/10/08/science/nobel-physics.html

admin_cms

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*

Anuncie
Seja um parceiro do Nanocell News. Saiba como aqui.

Inscrição Newsletter

Deseja receber notícias de divulgação científica em seu e-mail?

Aqui você irá encontrar as últimas novidades da ciência com linguagem para o público leigo. É a divulgação científica para os brasileiros! O cadastro é gratuito!

Alô, Escolas!

Alô, Escolas! é um espaço destinado ao diálogo com as escolas, públicas e privadas, seus professores e alunos de todas as áreas (humanas, exatas ou ciências) do ensino médio e superior. A seção Desperte o cientista em você traz notícias, dicas de atividades e experimentos para uso em sala. Aqui você encontra também informações sobre a coleção de livros publicados pelo NANOCELL NEWS sobre ciências e saúde, e sobre o Programa Instituto Nanocell de Apoio à Educação.

Edições Anteriores

Curta a nossa página

css.php