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POSSÍVEL VACINA CONTRA O HIV A CAMINHO: Injetando Anticorpos Periodicamente

POSSÍVEL VACINA CONTRA O HIV A CAMINHO: Injetando Anticorpos Periodicamente

Edição Vol. 3, N. 10, 13 de Maio de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.05.16.002

Imagine tomar uma injeção de anticorpos em vários tempos diferentes e que essas injeções pudessem neutralizar o vírus HIV. Tal injeção pode vir a ser a próxima melhor alternativa para uma vacina contra o HIV, que vem se provando o mestre do escape até hoje.

Pesquisadores americanos e alemães têm demonstrado que a injeção com anticorpos neutralizantes do HIV em macacos, levou a um sucesso na proteção dos símios contra a infecção pelo HIV durante um período de até seis meses. Isso quer dizer que, mesmo se o macaco tivesse contato com o vírus nesse período de seis meses, eles não seriam infectados. As próprias células de defesa do animal promoveriam a limpeza do vírus.

RESPOSTA IMUNE

Após a infecção, o HIV (vírus da imunodeficiência humana, em inglês, Human Immunodeficiency Virus) metodicamente enfraquece o sistema imune, infectando as células do sistema imunológico (os linfócitos), alterando seu funcionamento e reduzindo sua contagem. Isso faz com que a capacidade de combater doenças seja comprometida gradativamente. Ao longo dos anos, com a multiplicação do vírus e a diminuição das células T CD4+ a níveis críticos, o organismo fica vulnerável às infecções chamadas oportunistas, que comumente não acontecem em quem tem uma boa imunidade. As mais comuns são nos pulmões, no trato intestinal, no cérebro e nos olhos. Nesse estágio, o paciente possui a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Com o sistema imunológico enfraquecido, até mesmo um resfriado simples pode tornar-se uma pneumonia fatal. Os medicamentos usados no tratamento atuam no sistema imunológico, porque bloqueiam o HIV nas diferentes fases do seu ciclo, reduzindo a quantidade do vírus no corpo. 

Mas e se fosse possível dar ao seu corpo uma chance de aviso da infecção pelo HIV com uma certa antecedência, treinando seu sistema imunológico com anticorpos anti-HIV?

Este foi o raciocínio dos cientistas por trás do estudo. Eles purificaram quatro anticorpos produzidos por pacientes infectados com HIV, e, em seguida, os macacos foram injetados cada um com um tipo diferente de anticorpo (1).

Os macacos foram então expostos a um vírus que é equivalente ao HIV em macacos, com o nome apropriado de SIV (vírus da imunodeficiência de símio, em inglês, Simian Immudeficiency Virus). Os resultados mostraram que os anticorpos foram capazes de fornecer proteção aos macacos de três a seis meses, mesmo quando os macacos foram repetidamente expostos ao SIV (1).

Embora a pesquisa fora realizada em um modelo de macaco, os resultados mostraram uma promessa na prevenção de novas infecções por HIV em humanos.

Isto é potencialmente significativo. O estudo indica que um produto comercializável de anticorpo injetável que, se administrado uma vez a cada três ou quatro meses, poderia efetivamente proteger os indivíduos de alto risco da infecção pelo HIV. Uma ciência básica realizada com anticorpos pode-se tornar em um produto comercializável e clinicamente relevante. Isto prova, mais uma vez, aos nossos governantes, que o investimento em ciência básica traz retornos tanto à saúde da população quanto econômico para o país. Em um país cujos políticos são condenáveis e impedidos pelas corrupções e atos assassinos, roubos bilionários e assaltos à bancos e verbas da merenda, se realizassem investimento na pesquisa teríamos uma nação, rica e com educação.

Embora seja uma possível vacina, mesmo que fraca e tendo de ser injetada de 3 em 3 meses, o que tornou a pesquisa uma novidade foi o uso de um modelo de macaco do gênero Macaca, evolutivamente mais próximo ou mais parecido com os seres humanos, para avaliar cada anticorpo separadamente.

De fato, isto parece muito impressionante, nomeadamente a proteção da infecção em macacos mesmo após múltiplos desafios com o HIV.

No entanto, a abordagem de utilização de anticorpos neutralizantes para, preventivamente, preparar o sistema imunológico não é nova. Como disse, é uma ciência básica e, aqui mesmo no Nanocell News já discutimos tecnologias semelhantes (veja mais em AVANÇOS PARA UMA FUTURA VACINA CONTRA O HIV: sucesso em macacos (2), NOVA TÉCNICA AJUDA A VENCER A AIDS E OUTRAS DOENÇAS INFECCIOSAS (3))

A potência de cada um destes anticorpos foi relatada antes. Houve uma explosão de trabalhos sobre anticorpos neutralizantes nos últimos anos, in vitro [em modelos celulares], em camundongos e em macacos, e também em seres humanos.

Além disso, o estudo fornece apenas uma pequena fração das respostas para se desenvolver um tratamento altamente eficaz contra o HIV.

Atualmente, há poucos dados clínicos e estes são muito limitados quanto à eficácia de anticorpos anti-HIV transfundidos passivamente para proteger contra novas infecções pelo HIV e, mais importante, contra repetidas exposições ao HIV (Figura 1).

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Figura 1: Anticorpos neutralizantes injetados em ser macacos protegem da infecção pelo vírus SIV, o relacionado ao HIV em humanos. (Figura modificada de http://www.the-scientist.com/?articles.view/articleNo/34586/title/Antibody-Dependent-Enhanced–ADE–Immunity/)

Ainda não se sabe qual a dosagem de anticorpo é necessária para proteger contra a infecção pelo HIV ou se estes anticorpos injetáveis ​​estão disponíveis em tecidos humanos, tais como a mucosa.

De acordo com a Prof Palmer, o próximo passo serão ensaios adicionais de prova-de-conceito em seres humanos (1).

“Eles são necessários para fornecer dados importantes quanto à eficácia destes anticorpos na prevenção da infecção pelo HIV-1″, disse ela.

ESTRADA LONGA

O estudo demonstrou como uma estratégia de utilização de anticorpos neutralizantes também pode proteger contra a infecção pelo HIV durante um período de tempo limitado após uma dose única, embora num modelo animal.

Mas a necessidade de injeções contínuas a cada oito semanas demonstrou que as injeções de anticorpos ainda tinham suas limitações.

É possível que estes anticorpos ainda possam ser usados com uma única administração passiva na prática. O próximo passo lógico para o estudo seria gerar os mesmos níveis de resposta e níveis de anticorpos sem ele, diminuindo ao longo do tempo, como ocorreu com sucesso com a história da vacina contra a hepatite A.

É preciso encontrar uma maneira de ter o anticorpo continuamente presente no corpo, sem ter que tomar repetidas injeções.  Um possível estudo de ciência básica que se pode tornar clínica e faturar milhões é o uso em conjunto com a técnica CRISPR (veja mais em CRISPR: A TÉCNICA DE ENGENHARIA GENÉTICA QUE PODE MUDAR O MUNDO! (4)).

Quem quiser investir nesse projeto, o Instituto Nanocell produzirá a pesquisa.

Fonte: Ivy Shih, Editor, The Conversation

Referências

1.Gautam R, Nishimura Y, Pegu A, Nason MC, Klein F, Gazumyan A, et al. A single injection of anti-HIV-1 antibodies protects against repeated SHIV challenges. Nature. 2016;533(7601):105-9.

2.Medeiros RVB, Resende RR. AVANÇOS PARA UMA FUTURA VACINA CONTRA O HIV: sucesso em macacos. Nanocell News. 2013;1(3).

3.Parreira RC, Resende RR. NOVA TÉCNICA AJUDA A VENCER A AIDS E OUTRAS DOENÇAS INFECCIOSAS. Nanocell News. 2015;2(13).

4.Resende RR. CRISPR: A TÉCNICA DE ENGENHARIA GENÉTICA QUE PODE MUDAR O MUNDO! Nanocell News. 2016;3(7).

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