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POSSÍVEL CURA PARA O MAL DE ALZHEIMER A CAMINHO: Nanotubos β-amilóide e seu receptor da proteína priônica

POSSÍVEL CURA PARA O MAL DE ALZHEIMER A CAMINHO: Nanotubos β-amilóide e seu receptor da proteína priônica

Fernanda Maria Policarpo Tonelli, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 4, 14 de dezembro de 2013

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2013.12.16.006

O Mal de Alzheimer, Doença de Alzheimer (DA) ou simplesmente Alzheimer, é uma doença degenerativa, atualmente incurável, mas que possui tratamento.Cada paciente de Alzheimer sofre a doença de forma única, mas existem pontos em comum, por exemplo, o sintoma primário mais comum é a perda de memória. Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com problemas de idade ou de estresse. Quando a suspeita recai sobre o Mal de Alzheimer, o paciente é submetido a uma série de testes cognitivos e radiológicos. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas, como confusão mental, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória em longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade. Antes de se tornar totalmente aparente, o Mal de Alzheimer vai-se desenvolvendo por um período indeterminado de tempo e pode manter-se não diagnosticado e assintomático durante anos.

O tratamento permite melhorar a saúde, retardar o declínio cognitivo, tratar os sintomas, controlar as alterações de comportamento e proporcionar conforto e qualidade de vida ao idoso e sua família. A Doença de Alzheimer foi descrita, pela primeira vez, em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. É a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos no Brasil e em Portugal, sendo cerca de duas vezes mais comum que a demência vascular, sendo que em 15% dos casos ocorrem simultaneamente. Atinge 1% dos idosos entre 65 e 70 anos, mas sua prevalência aumenta exponencialmente com os anos – de 6% aos 70, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos.

A doença de Alzheimer encontra-se relacionada à agregação ou ligação indesejada de peptídeos β-amiloide (lê se, peptídeos beta-amiloide, Aβ). Esses peptídeos são pequenas proteínas, ou sequências curtas de aminoácidos que, quando se acumulam, agregam, formando placas que parecem ser a causa da doença ou mal de Alzheimer. Na tentativa de estudar os eventos de sinalização que a desencadeiam, foram desenvolvidos agregados de Aβ sintéticos de arranjo nanotubular1, ou seja, os peptídeos β-amiloide foram produzidos em foram tubular, só que em dimensões nanomoleculares, ou cem mil vezes menores que um fio de cabelo.

No entanto, com os avanços das pesquisas científicas, ainda persistia a dificuldade de associação de estrutura tóxica caracterizável estruturalmente gerada pelos Aβ, com receptores específicos no desencadear do processo patológico, isto é, ainda não havia sido identificado como as placas do peptídeo beta-amiloide poderiam ativar a sinalização celular, desencadeando o efeito de demência nos pacientes.

O receptor PrP (príon protein, ou proteína priônica) foi sugerido em 2009 pelo grupo do professor Stephen M. Strittmatter, da Yale University School of Medicine, New Haven, dos EUA, como um possível sítio de ligação do peptídeo Aβ2. Sendo depois confirmado que realmente eram os sítios ou locais de ligação pelos cientistas Freir e colaboradores da University College Dublin de Dublin (República Irlanda). Eles verificaram que, quando o peptídeo Aβ liga-se ao receptor PrP, leva à inibição do potencial de longa duração (LTP, do inglês, long term potentiation)3, que é um dos mecanismos aceitos para o armazenamento de memórias em seres vivos.

Em 2012, o mesmo grupo do professor Stephen M. Strittmatter observou que após o peptídeo Aβ se ligar ao receptor da proteína priônica (PrP) houve a sinalização através de um outra proteína, Fyn, que limitava ou comprometia a função neuronal4, porém, nestes trabalhos, o tamanho e a estrutura do peptídeo Aβ não haviam sido elucidados ou caracterizados. Assim sendo, a heterogeneidade ou diversidade de peptídeos Aβ sintéticos (produzidos pelo homem) em formulações usadas nos experimentos5 é um grande problema para se definir uma estrutura específica que seja capaz de induzir neurotoxicidade ou danos cerebrais através de um determinado receptor, e um agente complicador ou que gera mais problemas na reprodução dos resultados.Neste ano de 2013, no entanto, um trabalho do grupo do professor John Collinge do Medical Research Council Prion Unit da UCL Institute of Neurology, de Londres, Inglaterra, conseguiu quantificar a ligação do peptídeo Aβ ao receptor da proteína priônica (PrP) em diferentes períodos de agregação. Estes pesquisadores conseguiram produzir conjuntos de peptídeos Aβ em quantidades suficientes de cada forma em que eles se apresentam, ou seja, em cada uma de suas formas agregadas não monoméricas ou não isoladas: alguns peptídeos juntos adquirem forma de minúsculas bolinhas, ou oligômeros globulares, outros ficam em forma de minúsculos bastõezinhos, ou protofibrilas e fibrilas maduras. De posse destas formas específicos dos peptídeos, minúsculas bolinhas ou bastõezinhos, realizaram-se testes de ligação ao receptor PrP, nos quais os cientistas observaram que6:

  • Os oligômeros globulares do peptídeo Aβ são a forma de ligação ao receptor da proteína priônica (PrP) menos intensa, que é incapaz de inibir a LTP, ou seja, as minúsculas bolinhas não inibem o processo de armazenar as memórias, consequentemente, não têm efeito severo sobre o cérebro, não podendo ser o causador da doença de Alzheimer.

 

  • As fibrilas inibem a LTP, mas de maneira PrP independente, ou seja, os minúsculos bastõezinhos mais simples inibem o armazenamento de memória, porém, não precisam ligar-se ao receptor da proteína priônica (PrP). Então, só por existirem poderiam causar o Mal de Alzheimer independente do receptor PrP.

 

 

  • E as protofibrilas inibem a LTP de maneira PrP dependente, ou seja, os minúsculos bastõezinhos agregados podem inibir a memória, ligando-se através do receptor PrP, causando o Mal de Alzheimer diretamente ligado ao receptor da proteína priônica.

Desta maneira, o estudo foi capaz de demonstrar qual a forma de agregação de Aβ é a responsável pela sinaptotoxicidade ou dano da conversa entre os neurônios (Figura 1) e ainda caracterizou estruturalmente esta forma de maneira detalhada (o que não havia antes sido realizado).Sendo assim, estes cientistas elucidaram a conformação em tripla hélice e nanotubular das protofibrilas do peptídeo Aβ e comprovaram sua capacidade de se ligar ao receptor da proteína priônica (PrP) e inibir o processo de armazenamento da memória (LTP), causando o Mal de Alzheimer6.

Assim, passa-se a ter um alvo conhecido e a partir destas informações pode-se tentar novas estratégias de tratamento, como a inibição da formação das protofibrilas, ou de sua interação com o receptor, o que poderá ser a cura para o Mal de Alzheimer e, possivelmente, esses grupos receberão o prêmio Nobel em um futuro próximo.

nanotubos-ALZHEIMER

Figura 1: Diferentes maneiras de agregação ou formato do peptídeo Aβ, sua interação com o receptor da proteína priônica (PrP) e seus efeitos sobre o LTP, ou potencial de longa duração, o processo de armazenamento de memória. A inibição do LTP causa a falta de memória nos pacientes com Mal de Alzheimer.

Referências

1- Jan, A. et al. Preparation and characterization of toxic Aβ aggregates for structural and functional studies in Alzheimer’s disease research. Nat. Protoc. 5, 1186–1209 (2010).

2- Lauren, J. et al. Cellular prion protein mediates impairment of synaptic plasticity by amyloid-β oligomers. Nature 457, 1128–1132 (2009).

3- Freir, D. B. et al. Interaction between prion protein and toxic amyloid-β assemblies can be therapeutically targeted at multiple sites. Nat. Commun. 2, 336 (2011).

4- Um, J. W. et al. Alzheimer amyloid-β oligomer bound to postsynaptic prion protein activates Fyn to impair neurons. Nat. Neurosci. 15, 1227–1235 (2012).5- Benilova, I. et al. The toxic Aβ oligomer and Alzheimer’s disease: an emperor in need of clothes. Nat. Neurosci. 15, 349–357 (2012).

6- Nicoll, A.J. et al. Amyloid-β nanotubes are associated with prion protein-dependent synaptotoxicity. Nat. Commun. 4, (2013).

 

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  1. FRANCISCO disse:

    Meus amigos,

    Eu estou com meu pai com mal de alzheimer na primeira faze, quem souber se já existe uma cura par este mal me mande um e-mail. Esta ajudando uma pessoa muito boa de coração.

    Fique com Deus,

    Atenciosamente

    Francisco

    23/fevereiro/2014 ás 13:50
  2. Rodrigo Resende disse:

    Estamos na busca, caro Francisco, porém ainda não chegamos lá. Continuaremos na luta.

    abçs
    Prof. Rodrigo Resende

    17/março/2014 ás 13:39
  3. Angelo Marcio disse:

    Prof. bom dia! tenho um caso na familia, minha mãe. pode me informar se tem algum laboratorio no Brasil que estão realizando testes para cura.

    12/maio/2014 ás 17:33
  4. Caro Angelo, no Brasil, por enquanto, ainda não há testes com humanos, somente com roedores. No entanto, alguns colegas estão fazendo nos EUA, mas são testes preliminares em fase 2 de pesquisa. Ao todo são 4 fases e cada uma pode levar de 3 a 6 anos de estudo. Manterei vocês informado com novas notícias.

    grande abç
    Prof. Rodrigo Resende

    21/junho/2014 ás 19:38
  5. Arlete Paulino disse:

    Gostaria de saber se realmente a casca da romã pode ser usada no tratamento do Alzheimer, e se pode, qual é a forma de usar? Tenho uma pessoa na familia que esta apresentando os sintomas iniciais.

    Obrigada!

    Arlete

    19/julho/2014 ás 13:27
  6. Ronaldo disse:

    Qual a melhor maneira se de tratar sem demência ?

    31/julho/2014 ás 13:31
  7. Olá Arlete,

    Segundo Maressa Morzella, engenheira de alimentos que desenvolveu a pesquisa durante seu mestrado, a casca da romã tem grande quantidade de antioxidantes – compostos essenciais para prevenir doença de Alzheimer. “A casca é riquíssima em flavonoides, antioxidantes que impedem a ação de radicais livres e evitam a morte de neurônios”, explica.

    Na doença neurodegenerativa, a produção de radicais livres aumenta por conta da ligação de substâncias tóxicas chamadas oligômeros aos neurônios. Esses radicais livres provocam perda de função e morte dessas células. “O cérebro é altamente susceptível ao ataque de radicais livres já que, entre outros aspectos, tem pouca glutationa, um antioxidante natural do corpo humano”, diz Morzella.
    De acordo com o estudo, a ingestão de 2,48 miligramas de extrato da casca de romã consegue fazer com que a atividade da acetilcolinesterase caia pela metade, o que permite o funcionamento de neurônios que usam esse neurotransmissor para se comunicar. Atualmente, o mal de Alzheimer já é tratado com medicamentos que inibem a enzima, mas que são caros e provocam efeitos colaterais como náusea e vômito.

    De acordo com a orientadora do estudo Jocelem Salgado, pesquisadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, as microcápsulas passarão por novos testes antes da comercialização. “No momento, estamos fazendo testes para detectar exatamente quais dos compostos presentes na casca apresentam maior contribuição para prevenir e tratar o mal de Alzheimer e, depois disso, serão desenvolvidos estudos com animais e humanos”, diz a pesquisadora.

    No momento não está em uso e não pode ser considerado como cura, mesmo porque já existem medicamentos que atuam com a mesma função da casca de romã. Pode ser usado, com cautela, mas não deixe nunca de consultar o médico e de tomar os medicamentos prescritos.

    abçs
    Prof. Rodrigo Resende

    31/julho/2014 ás 19:52
  8. Olá Ronaldo,
    antes que os sintomas apareçam, pela menos 3 atividades são essenciais que podem retardar a demência.
    1- atividade física. Fazer uma caminhada de 1 hora 5 vezes por semana já ajudaria muito. Claro, isso depende da idade e do condicionamento físico. Então, é melhor ter um acompanhamento médico para ver a situação do estado físico e da progressão do Alzheimer.
    Lembrando que a atividade física ajuda na formação de neurônios, as células nervosas que são perdidas com o Mal de Alzheimer.

    2- Leitura, exercícios de raciocínio e memória ajudam a retardar os efeitos deletérios do mal.

    3- Alimentação rica em antioxidantes. Por exemplo, frutas, verduras que tenham muito flavonoides, como a própria casca da romã, são antioxidantes que impedem a ação de radicais livres e evitam a morte de neurônios.

    Espero ter ajudado.

    abç
    Prof. Rodrigo

    31/julho/2014 ás 19:59
  9. Janderson disse:

    Queria saber se ja foi achado a cura para o mal de alzheimer e qual o melhor exame para detectar uma doença neurológica, meu psiquiatra me passou carbamazepina para epilepsia de grau leve tenho espasmos musculares, esqueço das coisas facilmente as vezes fico meio desligado, e acho que devo ter algum tipo de demência as vezes tenho atitudes de como se eu tivesse algum tipo de retardo mental, é como se eu não pensasse direito e fico até nervoso é como se essas doenças me dessem problemas psicológicos meu psquiatra colocou no meu laudo que tenho transtorno de personalidade paranóide

    12/março/2015 ás 20:23
  10. Janderson disse:

    Queria saber se ja foi achado a cura para o mal de alzheimer e qual o melhor exame para detectar uma doença neurológica meu psiquiatra me passou carbamazepina para epilepsia de grau leve, e colocou no laudo que tenho transtorno de personalidade paranóide, as vezes eu falo estranho como se tivesse algum tipo de retardo mental, eu ainda não passo no neurologista

    12/março/2015 ás 20:25
  11. Pamela disse:

    Olá Bom dia, gostaria de saber quais estruturas celulares são perdidas em um paciente com Mal de Alzheimer?

    30/março/2015 ás 11:07
  12. Gerusa Silveira dos Santos disse:

    Minha mãe, 58 anos está sendo medicada a 1 ano e meio com donepezina e memantina devido o diagnóstico de Alzheimer. Existem outros meios de retardar esta doença ou centros mais avançados para que possamos leva-la?
    Muito grata,
    Gerusa

    30/abril/2015 ás 15:00
  13. Hélyston Castro Dias disse:

    Espero respostas sobre os estudos e pesquisas, nas possibilidade de cura através da utilização de sapos e pererecas e seus venenos no combate e cura do Alzheimer.

    18/agosto/2015 ás 13:41
  14. Leonidas Belli disse:

    Olá.

    Gostaria de saber se o tratamento com Peptína C é realmente eficaz contra o Alzheimer?

    Obrigado

    17/setembro/2015 ás 10:13
  15. Clarice disse:

    Prof Rodrigo Resende, tenho minha mãe com Alzheimer, é uma doença triste e silenciosa.
    Queria só deixar meu parabéns aqui para o sr, pois vi que responde a todas as dúvidas das perguntas das pessoas que assim como eu, tem um familiar com a doença e esse seu feedback às dúvidas, é muito importante para nós, é um carinho que sentimos em saber que não estamos sozinhos nessa luta.
    Muito obrigada por ser tão receptivo.

    12/maio/2016 ás 17:14
  16. Rodrigo disse:

    Veja o site do Instituto Nanocell sobre seus projetos de pesquisa e como participar como voluntário e ajudando financeiramente as pesquisas.

    http://Www.InstitutoNanocell.org.br

    11/agosto/2016 ás 02:05

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