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Adrieli Oliveira Raminelli 1, Cíntia Cristina Andrade 2

1 Enfermeira, Mestra em Ciências pela Universidade de São Paulo – USP, Ribeirão Preto – SP, Brasil.

2 Enfermeira, Especialista em Saúde do Adulto pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UTFM, Uberaba – MG, Brasil.

Edição Vol. 8, N. 10, 22 de outubro de 2021

Fonte: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-algumas-injecoes-doem-bem-mais-que-outras/

Você já deve ter se perguntado o motivo pelo qual algumas vacinas ou injeções doem mais que as outras e provavelmente deve conhecer alguém em que já foi administrada a famosa Benzetacil. A dúvida que fica é: quais são os fatores que podem contribuir para o desconforto no momento da administração de algumas vacinas e injeções? No entanto, antes de responder esta pergunta, precisamos nos lembrar de que ao longo dos anos, grandes descobertas foram realizadas pela humanidade e uma delas foi às próprias vacinas, que contribuem para redução da mortalidade provocada por doenças transmissíveis, como a varíola (1). A vacina antivariólica foi desenvolvida pelo médico inglês Edward Jenner, no século XVIII, após verificar que pessoas que ordenhavam vacas tinham contato com uma doença similar que acometia os bovinos, chamada de Cowpox ou pústula da vaca e isso despertou o interesse do médico que realizou vários testes a fim de entender como a proteção contra varíola estaria ocorrendo (2,3). Esta vacina não é a única oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), outras vacinas também são disponibilizadas conforme o Calendário Nacional de Vacinação.

Atualmente as vacinas BCG (preparada com bacilos vivos, a partir de cepas do Mycobacterium bovis, atenuadas); Hepatite B (composta por antígeno recombinante de superfície do vírus purificado); DTP (associação dos toxóides diftérico e tetânico com a bactéria Bordetella pertussis inativada); Pentavalente (DTP + Hib+ Hepatite B); VIP (Vacina Inativada Contra a Poliomielite contém cepas inativadas dos três tipos [1, 2 e 3] de poliovírus); VOP (Vacina Contra Oral Poliomielite, composta pelos vírus da pólio tipos 1, 2 e 3, vivos, mas “enfraquecidos”); Pneumocócica 10 valente (constituída de 10 sorotipos: 1, 4, 5, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19F e 23 F. Oito sorotipos do pneumococo são conjugados com a proteína D do Haemophillus influenza não tipável, 1 sorotipo ao toxóide diftérico e 1 sorotipo ao toxoide tetânico); Meningocócica C (polissacarídeos capsulares purificados da Neisseria meningitides do sorogrupo C conjugados a proteínas toxóide tetânico e mutante atóxico da toxina diftérica [CRM 197  ]); Meningocócica ACWY (composta por antígenos das cápsulas dos meningococos dos sorogrupos A, C, W e Y conjugados a uma proteína que, dependendo do fabricante, pode ser o toxoide tetânico, diftérico, ou o mutante atóxico da toxina diftérica); Hepatite A (composta pelo vírus da Hepatite A inativado); Tríplice viral (vacina atenuada, contendo vírus vivos “enfraquecidos” do sarampo, da rubéola e da caxumba); Tetra viral (composta por vírus vivos “enfraquecidos” do sarampo, da rubéola, da caxumba e da varicela); Varicela (composta pelo vírus vivo atenuado); Influenza (as vacinas disponibilizadas são H1N1 e H3N2, e Influenza B. A composição contém o vírus influenza fragmentado e inativado); HPV (vacina quadrivalente recombinante, inativada, constituída por proteínas L1 do HPV tipos 6, 11, 16 e 18) e mais recentemente, as vacinas contra COVID-19 (5,6) são todas disponibilizadas pelo SUS (7).

Agora, para responder a dúvida que tivemos no começo precisamos saber que dentre as inúmeras vacinas existentes, algumas são conhecidas por provocar dor no local da aplicação. Isso está relacionado à profundidade que a agulha atinge (durante a aplicação) e a composição química das vacinas ou injeções, por exemplo, a via de administração intramuscular é a que provoca mais dor porque a agulha atinge diretamente o músculo, enquanto a administração intradérmica é a que menos causa desconforto no momento da aplicação. Além disso, no local onde foram administradas as vacinas estão às células apresentadoras de antígenos que estão presentes no músculo, pele e outros tecidos e no momento em que detectam um corpo estranho, no caso a vacina, desencadeiam uma reação que irá produzir anticorpos e proteção duradoura contra patógenos específicos, sendo conhecido como resposta imune adaptativa, com duração de até duas semanas (8,9).

Alguns efeitos pós-vacinação podem ser observados e quando isso acontece nós chamamos de reatogenicidade que geralmente é ocasionada pelas estratégias e componentes presentes nas vacinas que podem envolver formas virais vivas e atenuadas ou de fragmentos virais e de vírus inativado. A primeira provoca de forma intencional discreta infecção e estimula a resposta imune inata, originando sintomas variados como a dor no braço, no segundo caso, o fragmento viral é misturado com adjuvantes, que serão responsáveis por aumentar a resposta imune adaptativa a partir das células apresentadoras de antígenos, responsáveis por iniciar a resposta imune (9).

Apesar do desconforto e dos eventos que possam surgir no momento da imunização ou após, a vacinação é um importante instrumento de proteção individual e coletiva. Conforme a quantidade de indivíduos vacinados aumenta em uma comunidade, a probabilidade da transmissão de patógenos reduz. Ou seja, quando a cobertura vacinal é alta, o risco de adoecimento de pessoas não imunes é semelhante ao de pessoas imunes, o que conhecemos como imunidade de rebanho (10, 11). Além da redução na taxa de transmissão, as vacinas possibilitam a queda do número de hospitalizações e de gastos com medicamentos, redução da mortalidade e até mesmo a erradicação de doenças como a poliomielite e a varíola (11).

Referências

  1. Larocca LM; Carraro TE. O mundo das vacinas – caminhos (des)conhecidos. Cogitare Enferm. Curitiba, v.5, n.2, p.43-50, 2000.
  2. Fernandes T. Vacina antivariólica: seu primeiro século no Brasil (da vacina jenneriana à animal). Hist. cienc. saude-Manguinhos, v.6, n.1, 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hcsm/a/ync9ZfnBHqqjgrMGpMGYj3m/?lang=pt#. Acesso em: 26/08/2021.
  3. Riedel S. Edward Jenner and the history of smallpox and vaccination. Proc (Bayl Univ Med Cent), v.18, n.1, p. 21-25, 2005. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1200696/. Acesso em: 26/08/2021.
  4. Quaresma PSA. Urbe em tempos de varíola: a cidade do Rio Grande (RS) durante a epidemia de 1904-1905. 2012. 186 f. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2012. Disponível em: http://guaiaca.ufpel.edu.br/bitstream/123456789/2148/1/Paulo_Sergio_Andrade_Quaresma_Dissertacao.pdf. Acesso em: 12/09/2021.
  5. Domingues CMAS, Fantinato FFST, Duarte E, Garcia LP. Vacina Brasil e estratégias de formação e desenvolvimento em imunizações. Epidemiol. Serv. Saúde, v. 28, n.2, 2019. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S167949742019000200001#B5. Acesso em: 12/09/2021.
  6. Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-de-vacinacao. Acesso em: 13/09/2021.
  7. Secretaria Estadual de Saúde. Guia prático de imunizações para trabalhadores da sala de vacinação. 10 ed., 2021. Disponível em: https://www.saude.go.gov.br/files/imunizacao/Guia.Pratico.Imunizacao.10ED.2021.pdf. Acesso em: 11/10/2021.
  8. Mesquita Júnior, D. Sistema imunitário – parte II: fundamentos da resposta imunológica mediada por linfócitos T e B. Artigo de Revisão. Rev. Bras. Reumatol. v. 50, n. 5, out 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbr/a/kPW8JNvSRfRy7RkdZVjW3tw/?lang=pt. Acesso em: 26/09/2021.
  9. Sohn, E. Por que razão o nosso braço pode ficar dorido após uma vacina. National Geographic. 2021. Disponível em: https://www.natgeo.pt/ciencia/2021/03/por-que-razao-o-nosso-braco-pode-ficar-dorido-apos-uma-vacina. Acesso em: 26/09/2021.
  10. Ferreira, ACB. Qual a importância das vacinas? Unilavras [internet], 2021. Disponível em: https://unilavras.edu.br/2021/05/14/importancia-das-vacinas-vacinacao/. Acesso em: 26/09/2021.
  11. Santos, VS. Importância da vacinação. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/saude-na-escola/importancia-vacinacao.htm. Acesso em: 08/09/2021.

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