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Patrícia de Carvalho Ribeiro1, Daniel Mendes Filho2, Rodrigo R Resende3, Ricardo Cambraia Parreira4

1 Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental (LITEX), Departamento de Medicina, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – FAMERP, São José do Rio Preto, SP, Brasil

2 Laboratório de Fisiologia Molecular, Departamento de Fisiologia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, FMRP – Universidade de São Paulo – USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil

3 Laboratório Sinalização Celular e Nanobiotecnologia, Departamento de Bioquímica e Imunologia, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil

4 Laboratório de Neurofarmacologia e Neuroquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Goiás – UFG, Goiânia, GO, Brasil

Edição Vol. 6, N. 4, 01 de Abril de 2019

Figura 1: Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Exercise_Treadmill_Convey_Motion.jpg

A prática de exercício físico pode nos trazer diversos benefícios, que vão desde contribuir para os processos fisiológicos que ocorrem em nosso organismo todos os dias, quanto nos ajudar a relaxar em momentos de estresse. É por isso que atividade física é uma das mais frequentes terapias prescritas, tanto para indivíduos saudáveis quanto para tratamento complementar de diversas doenças (1).

Devido ao amplo potencial do exercício para a saúde em geral, pesquisadores tem estudado também sua relação com o sistema nervoso, mais especificamente com a neurogênese. Neurogênese pode ser definida como o processo de geração de novos neurônios, a partir de células tronco neurais ou progenitoras neurais, o qual ocorre em regiões cerebrais como o giro denteado e ventrículos laterais (2). Ou seja, a partir de células tronco ou progenitoras, nosso cérebro é capaz de produzir novos neurônios, mesmo após alcançarmos a vida adulta.

Em um trabalho publicado em 1999, foi possível observar que a atividade física induzia proliferação celular e neurogênese no giro denteado de camundongos adultos (3). Em 2013, cientistas da Alemanha descreveram que apenas 4 dias da prática de exercício, na modalidade corrida, foram suficientes para causar aumento de tais células precursoras neurais na região do giro denteado (4). Porém os mecanismos envolvidos para tal aumento não puderam ser explicados, o que motivou esse mesmo grupo de pesquisadores a continuar seus estudos envolvendo neurogênese e atividade física.

Em março desse ano, foram então publicados novos resultados, dessa vez explicando por qual possível mecanismo ocorre a maior geração de neurônios quando não se é sedentário (5). A hipótese do estudo foi que, uma vez que a prática de exercício físico também é associada com alterações no sangue (como liberação de moléculas capazes de alterar ou melhorar funções de outras células), o contato das precursoras neurais com os vasos sanguíneos poderia então representar uma das maneiras pela qual a neurogênese ocorre.

Estudando as proteínas presentes no plasma após camundongos realizarem exercício físico, na modalidade corrida, os pesquisadores observaram que havia ativação de plaquetas e aumento da produção de proteínas relacionas a estas células. Tanto após um dia de corrida, quanto após 4 dias realizando corrida, era observado aumento da ativação das plaquetas. Para verificar se tal ativação estaria relacionada com a geração de novos neurônios, plaquetas ativadas foram cultivadas em conjunto com as células tronco e progenitoras neurais, e como esperado, houve aumento das células neurais. Ou seja, as plaquetas se tornavam ativadas com o exercício físico, mesmo em curto período de tempo, liberando moléculas que influenciavam a geração de novos neurônios.

Além disso, quando os pesquisadores induziram a depleção da plaquetas do sangue de camundongos, diminuindo o número destas células, não houve aumento das precursoras neurais quando atividade física era realizada, confirmando então seus resultados sobre neurogênese.

No entanto, após longos períodos de corrida, os níveis de ativação de plaquetas retornam ao normal, comparado aos animais sedentários, o que demonstra que tal efeito é agudo, e portanto, transitório.

Tais dados permitem o melhor entendimento dos processos envolvidos na neurogênese induzida por atividade física e nos deixa cada vez mais perto da completa compreensão sobre os benefícios que o exercício físico nos proporciona.

REFERÊNCIAS:

1. J Vina, F Sanchis-Gomar, V Martinez-Bello, and MC Gomez-Cabrera. Exercise acts as a drug; the pharmacological benefits of exercise. Br J Pharmacol. 2012 Sep; 167(1): 1–12.

2. A. Begega, P. Alvarez-Suarez, P. Sampedro-Piquero, M. Cuesta. Chapter 1 – Effects of Physical Activity on the Cerebral Networks. In: Watson RR. Physical Activity and the Aging Brain. Academic Press; 2017. p. 3-11.

3. van Praag H, Kempermann G, Gage FH. Running increases cell proliferation and neurogenesis in the adult mouse dentate gyrus. Nat Neurosci 1999; 2: 266–270.

4. Overall RW, Walker TL, Leiter O, Lenke S, Ruhwald S, Kempermann G. Delayed and transient increase of adult hippocampal neurogenesis by physical exercise in DBA/2 mice. PLoS One. 2013 Dec 20;8(12):e83797.

5. Leiter O, Seidemann S, Overall RW, Ramasz B, Rund N, Schallenberg S, et al. Exercise-Induced Activated Platelets Increase Adult Hippocampal Precursor Proliferation and Promote Neuronal Differentiation. Stem Cell Reports. 2019 April 9; 12: 1–13.

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