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PICUINHA

PICUINHA

Flávio Carvalho

Edição Vol. 4, N. 1, 01 de Novembro de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.11.01.006

– Vem, vem!

– Calma, não precisa me puxar! Vai dar na cara!

Marina não largou o braço de Sílvia. Muito pelo contrário, aproveitou para puxá-la com mais firmeza ainda:

– Anda logo, sua lerda!

As duas saíram do meio da pista e foram em direção às mesas dos padrinhos. Ao lado de uma delas dois rapazes pareciam se divertir observando um outro grupo tentando reanimar um cidadão escornado na cadeira. Marina puxou um deles pela gravata:

– Ei, Cláudio! Você conhece a Sílvia?

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O rapaz fez que não com a cabeça. Começou a estender a mão para cumprimentar a moça, mas Marina não estava ali para esperar:

– Então tá conhecendo agora! Sílvia, Cláudio. Cláudio, Sílvia. E então, meu bem? – disse ela, agora pegando o outro rapaz pela mão. – Estou louca pra saber se sua mãe já mexeu naquela receita dela do bolo de fubá! Vamos lá pra eu perguntar pra ela, vem!

Cléber olhou para os dois e se despediu com um aceno enquanto era puxado pelo braço:

– Que sutil, meu bem…

– Ah, quem lá quer saber de sutileza! Eu já falei com ela umas vinte vezes que ela tinha que conhecer o Cláudio… E é lógico que você também já tinha falado com ele, a gente tinha combinado. Não é?

– É, mas assim vai ficar forçado demais, olha lá… Eles já estão bem sem graça…

Marina parou onde estava e olhou para os dois. Eles estavam de frente um para o outro, ele trocando seu peso de uma perna para a outra e ela distribuindo meios sorrisos.

– Melhor eu ir lá resolver. – e voltou apressada até o casal. – Gente, desculpa! Deixei vocês aqui sem assunto, mas é a pressa, sabe como é, né? Bolo é bolo. Mas então, pra poder adiantar um pouquinho pra vocês… Sílvia, o Cláudio também joga tênis, tá? E Cláudio, a Sílvia foi quem me emprestou o “Guerra nas Estrelas”. Gente, fui! Beijos e até daqui a pouco!

Depois que Marina os deixou pela segunda vez, Cláudio reiniciou a conversa:

– Figuraça, né?

– Nossa, demais! Você precisa ver o que eu passo de vez em quando, viu!

– Imagino… Mas sério que você joga tênis também?

– Ah, hoje até que é pouquinho… Mas eu passei uns anos jogando fora, na faculdade! Foi bom demais!

– Nossa, jogava muito então! Eu era bem um juvenil bem ruinzinho, pra te falar a verdade…

– Até parece… Aposto que deve ser bem melhor que eu…

– Duvido! Mas a gente pode combinar de jogar…

– Podemos mesmo… Mas deixa eu te perguntar: você tem problema com cachorro? É que normalmente eu levo o meu quando eu vou pra quadra, sempre tem espaço pra ele correr depois e um monte de bolinha pra brincar…

– Claro que não! Eu adoro cachorros também!

– Jura? Ai, que alívio!

– Eu também tenho dois! Os meninos adoram fazer bagunça também!

– Não dá pra não gostar de cachorro, né? Eles são fofos demais!

– Com certeza… Os meus vão adorar conhecer um amigo novo!

O breve silêncio que se seguiu foi interrompido por Sílvia:

– Pelo jeito você também gosta de “Guerra nas Estrelas”, né? Eu adoro!

– Ah! Vejo que “Obi-Wan te ensinou bem”!

– “Em um lugar escuro nos encontramos, e um pouco mais de conhecimento ilumina nosso caminho.”

– “Junte-se a mim e juntos podemos dominar a galáxia!”

– Olha que eu aceito, hein?

Os dois riram um pouco. Foram interrompidos por Cléber, que estava com um microfone na mão ao lado do DJ:

– Essa é pra você, Cláudio!

Marina puxou o microfone da mão do seu namorado:

– E pra Sílvia também, viu? Eu sei que você também adora!

A música começou a tocar e já nos primeiros acordes Cláudio já reconheceu a canção:

– É House of the Rising Sun, né? – gritou Sílvia antes que ele dissesse.

– Isso aí!

– Eu amo ela também!

Cláudio então começou a cantar junto com o som:

“There is a house in New Orleans…”

“in Sin City…” – interveio Sílvia.

Os dois pararam de cantar e se encararam:

– Não, é New Orleans“There is a house in New Orleans”! – disse ele.

– De jeito nenhum! Só se for na versão da sua cabeça!

– Da minha cabeça? Tá bom, viu! Os Animals cantavam assim, todo mundo sabe que a versão certa é a deles!

– Versão certa? Ninguém nem sabe direito quem escreveu a música! E a versão do Five Finger Death Punch é muito, mas é muito melhor!

– Aquela barulheira? – disse ele, tapando os ouvidos. – Ah, me ajuda aí, vai! E você quer comparar o vocal do Eric Burton com o daquele sujeito lá?

– Ah, me ajuda você! Barulheira é aquela voz insuportável desse velho! Credo! Os caras são do tempo da raquete de madeira e esquerda de uma mão!

– Ei, calma aí! – disse ele. – O que você tem contra bater o backhand com uma mão?

– Eu nada, de jeito nenhum! Até gosto pros outros já que não funciona mesmo…

– Como assim? Tá louca? – ele então virou o corpo de lado, preparando um backhand imaginário. – Olha só! Tá vendo o tanto que eu alcanço mais longe do que se eu fosse com as duas?

– Alcança pra quê? Só se for pra passar de slice de volta, né? Isso não serve pra nada, caiu em desuso já… – enquanto ria do movimento do rapaz. – É tipo vosmecê, sabe? Ninguém usa isso mais não….

– Tá me chamando de ultrapassado? – e deu um passo pra trás com a mão apontando para o peito.

– Ultrapassado eu não sei… Mas é meio… clichê, talvez? Clássico… Tipo falar que o Han atirou primeiro ou que “O Império Contra-Ataca” é o melhor da saga, sabe?

– Como assim? Você não acha ele o melhor de todos?

– Lógico que não, querido! Aquele monte de bicho horroroso e mal feito? Qualquer um da trilogia nova é muito mais legal!

– Ah não! – respondeu ele com uma gargalhada forçada. – Corridinha de navezinha? Genocídio de Padawan? E isso é melhor do que “O Império Contra-Ataca”?

– Mas é muito melhor! É a saga do herói, cara… É o Darth Vader crescendo, lidando com problemas humanos…

– É o Darth Vader chorão e com problemas de menininho de primeiro mundo! Desculpa, não dá pra acreditar…

– Não dá mesmo…

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Cláudio coçou a cabeça algumas vezes e reiniciou a conversa:

– Sacanagem, achei que você ia achar legal que eu chamei meus meninos de Han e Chewie…

– Ah, mas é legal mesmo… O meu é o Jeremias… Ele é um vira-lata lindo que eu peguei na feira!

– Os meus são dois pit bulls que o Cléber me deu quando eram filhotes… Ainda quer levar o Jeremias pra conhecê-los? Você precisa ver o tanto que eles já estão enormes!

– Ah não…

– Que foi?

– Não tem condição, pit bull? Aí já é demais! Você não tem noção das coisas não? – gritou ela, agitada.

– Como assim?

– Esse bicho é violento demais! Dá medo!

– Eles são mansinhos… Não fazem nada com ninguém, isso é bobagem que o povo inventa!

– Não fazem até fazerem, né?

Marina surgiu entre os dois, colocando um braço em volta de cada um deles:

– E aí, casal! Já combinaram de sair amanhã? Sílvia, o Cláudio adora sorvete também! E Cláudio, leva ela pra tomar de morango, viu?

– Eu detesto morango… – resmungou.

Nesse momento, Sílvia puxou o braço da amiga e cochichou:

– Você acredita que ele tem pit bull? Aliás, dois pit bulls?

Ele puxou o outro braço e falou do outro lado:

– Como que você me apresenta alguém que não gosta dos Animals? Essa menina é louca!

– Louca? – Sílvia gritou por cima da cabeça da amiga. – Não sou eu que detesto morango!

– Ai, ai, ai! Você que prefere o Jar Jar ao Han Solo!

– E você que vive de slice?

– Vader chorão!

– Luke chorão!

– Jar Jar Binks!

– Ei! – berrou Marina entre os dois. – Dá licença, gente! – e voltou para perto do seu namorado. Cléber observava tudo alguns passos distantes dos três:

– Tá tudo bem por ali?

– Tá tudo perfeito! Eles foram feitos um para o outro!

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  • PICUINHA
  • 3
  1. Ariana disse:

    E tem gente que acredita que pirraça é coisa de criança…

    21/dezembro/2016 ás 21:23
  2. Geraldo Amarildo disse:

    Muito legal.

    Parabéns!

    21/dezembro/2016 ás 21:32
  3. Norma disse:

    Parabéns.

    23/dezembro/2016 ás 17:25

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