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Raphaela Almeida Chiareli1, Ricardo Cambraia Parreira2, Mauro Cunha Xavier Pinto1

1 Laboratório de Neurofarmacologia e Neuroquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Goiás – UFG, Goiânia, GO, Brasil

2 Centro Universitário de Mineiros, Câmpus Trindade, 75380-307, Trindade-GO, Brasil

Edição Vol. 8, N. 4, 19 de Março de 2021

Figura 1. Pré-diabetes: condição em que o açúcar no sangue está elevado, mas não o suficiente para ser classificado como diabetes do tipo 2 (Fonte: adaptado de https://www.selecoes.com.br/saude/pre-diabetes-glicemia-normal-nao-basta/)

O pré-diabetes é uma condição em que o açúcar no sangue está em torno de 100–125 mg/dL, porém não o suficiente para ser classificado como diabetes tipo 2 (DT2). Muitas pessoas com pré-diabetes não apresentam sintomas e nem procuram atendimento médico, o que se torna um grande problema, pois sem uma intervenção, é provável que o quadro evolua para DT2. A sua progressão é evitável, pois mudanças no estilo de vida, perda de peso e o tratamento com medicamentos, podem ser capazes de normalizar o nível de açúcar no sangue.

O impacto do pré-diabetes no cérebro é de grande importância para a saúde pública, considerando que metade dos adultos com 60 anos apresenta esta manifestação, mas a maioria não tem conhecimento.

Embora o DT2 seja um fator de risco conhecido para a doença de Alzheimer (DA), pouco se sabe sobre como seu precursor, o pré-diabetes, afeta a função neuropsicológica e a saúde do cérebro.

Existem também diferenças sexuais importantes e bem documentadas tanto na DA quanto nas manifestações de DT2. Em comparação com os homens, as mulheres apresentam uma prevalência de DA mais alta, elas tem uma taxa duas vezes mais rápida de declínio cognitivo e uma maior gravidade na demência da DA.

No DT2 as mulheres normalmente têm um perfil de risco para doenças cardiovasculares mais favorável que os homens, mas perdem essa vantagem com a chegada da menopausa ou com o início de DT2. Na verdade, o risco de eventos cardiovasculares entre indivíduos com DT2 é estimado 50% maior em mulheres do que em homens.

Com base nesse contexto, um estudo desenvolvido na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos, e publicado na Revista “Frontiers in Neurology” em fevereiro de 2021, examinou em pacientes se existe relação entre o estado de pré-diabetes, as alterações relacionadas com DA e o sexo do paciente.

Os resultados encontrados neste estudo são bastante interessantes e promissores. Eles sugerem que tanto homens quanto mulheres com idade mais avançada, no estado de pré-diabetes, apresentam efeitos deletérios no metabolismo cerebral, e também que, mudanças funcionais em estruturas cerebrais podem ser observadas antes mesmo das mudanças no volume cerebral, característica comumente observada em indivíduos com DT2.

Importante destacar que somente em mulheres, o pré-diabetes foi associado a uma piora na função executiva* geral e com o desempenho na linguagem, sugerindo que as mulheres podem ser mais suscetíveis do que os homens aos efeitos deletérios do pré-diabetes no cérebro e na cognição, e que esses efeitos adversos podem acelerar a progressão da DA.

Mais estudos são necessários para investigar as disparidades sexuais no efeito do pré-diabetes e DT2 em outros marcadores do cérebro, incluindo a integridade da substância branca e as taxas de progressão de demência. Um grande foco deve ser dado nos fatores de risco modificáveis (mudanças no estilo de vida, na perda de peso e tratamento medicamentoso) uma vez que ainda não temos nenhum tratamento estabelecido para o comprometimento cognitivo progressivo.

É de grande importância que os profissionais de saúde, principalmente os médicos, estejam conscientes ​​de que as mulheres com pré-diabetes podem ter maior risco de declínio cognitivo que os homens, e devem direcionar essa população para avaliação e intervenção mais cuidadosas que possam atrasar o início ou a progressão da DA.

*A função executiva é um termo abrangente para a gestão dos processos cognitivos, incluindo memória de trabalho, raciocínio, flexibilidade de tarefas e resolução de problemas, bem como o planejamento e execução de tarefas.

REFERÊNCIA:

SUNDERMANN, Erin E. et al. Prediabetes Is Associated With Brain Hypometabolism and Cognitive Decline in a Sex-Dependent Manner: A Longitudinal Study of Nondemented Older Adults. Frontiers in Neurology, v. 12, p. 144, 2021.

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