Ciência é INVESTIMENTO! Vamos tornar o Brasil em uma Nação rica e forte!

ONDAS CEREBRAIS GUIAM A FORMAÇÃO DA MEMÓRIA

ONDAS CEREBRAIS GUIAM A FORMAÇÃO DA MEMÓRIA

Edição Vol. 5, N. 05, 15 de Janeiro de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.01.28.002

No filme em que o Prof Xavier, dos X-men, parece ter morrido, e sua mente vai para o corpo de outra pessoa, tudo funciona por meio de ondas cerebrais. No momento em que Xavier entra no “CÉREBRO” e começa a busca por outros mutantes são as ondas cerebrais que ensinam ao cérebro de Xavier onde eles estão e com qual frequência (das ondas) para encontra-los. É parece que isso já não é mais estória de cinema, mas sim, uma História Real!!!

Nova pesquisa do MIT mostra que o hipocampo e o córtex pré-frontal usam duas frequências diferentes de ondas cerebrais para se comunicar à medida que o cérebro aprende a associar objetos não relacionados.

Nossos cérebros geram um constante impulso de atividade: quando os neurônios disparam, eles produzem ondas cerebrais que oscilam em diferentes frequências. Muito pensado em ser apenas um subproduto da atividade neuronal, estudos recentes sugerem que essas ondas podem desempenhar um papel crítico na comunicação entre diferentes partes do cérebro (Figura 1).

Sistema_limbico

 Figura 1: Duas áreas do cérebro – o hipocampo e o córtex pré-frontal – usam duas frequências de ondas cerebrais diferentes para se comunicar à medida que o cérebro aprende a associar objetos não relacionados. Fonte: http://www.guia.heu.nom.br/hipocampo.htm

Um novo estudo de neurocientistas do MIT, liderados pelo professor Dr Earl Miller, soma-se a essa evidência. Os pesquisadores descobriram que duas regiões do cérebro que são fundamentais para o aprendizado – o hipocampo e o córtex pré-frontal – usam duas frequências diferentes de ondas cerebrais para se comunicar à medida que o cérebro aprende a associar objetos não relacionados. Sempre que o cérebro liga corretamente os objetos, as ondas oscilam em uma frequência mais alta, chamada “beta”, e quando a suposição é incorreta, as ondas oscilam em uma frequência menor, “theta”.

É como se você estivesse jogando um jogo de computador e você conseguisse um ding quando você entendeu bem e um zumbido quando você entendeu errado. Essas duas áreas do cérebro estão jogando duas “notas” diferentes para suposições corretas e suposições erradas.

Além disso, essas oscilações podem reforçar as suposições corretas enquanto reprimem as suposições incorretas, ajudando o cérebro a aprender novas informações.

SINALIZAÇÃO CORRETA E ERRADA

Os cientistas examinaram a atividade no cérebro, pois forma um tipo de memória chamada memória explícita _ memória para fatos e eventos. Isso inclui vínculos entre itens como nomes e rostos, ou entre uma localização e um evento que aconteceu lá.

Durante a tarefa de aprendizagem, foram apresentadas aos animais pares de imagens que aprenderam gradualmente, por meio de tentativa e erro, cujos pares estavam juntos. Cada resposta correta foi sinalizada com uma recompensa.

À medida que os pesquisadores registraram ondas cerebrais no hipocampo e no córtex pré-frontal durante esta tarefa, perceberam que as ondas ocorreram em diferentes frequências, dependendo se a resposta dada foi correta ou incorreta. Quando a suposição estava correta, as ondas ocorreram na frequência beta, cerca de 9 a 16 hertz (ciclos por segundo). Quando incorreta, as ondas oscilaram na frequência theta, cerca de 2 a 6 hertz.

Estudos anteriores do Dr Mark Bear, do MIT, também um membro do Picower Institute, descobriram que neurônios em fatias de cérebro estimulados com frequências beta fortalecem as conexões entre os neurônios, enquanto que, estimulando os neurônios nas frequências de theta enfraquecem as conexões.

Miller acredita que o mesmo está acontecendo durante essa tarefa de aprendizagem.

Quando o animal adivinha corretamente, o cérebro soa na nota de resposta correta, e essa frequência reforça o fortalecimento das conexões. Quando o animal adivinha incorretamente, o zumbido “errado” soa, e essa frequência é o que enfraquece as conexões, então é basicamente dizer ao cérebro que se esqueça do que acabou de fazer.

Os resultados representam um passo importante para revelar como as memórias são formadas.

Este estudo oferece uma história muito específica e detalhada sobre o papel das diferentes direções de fluxo, quem está enviando informações para quem, em que frequências e como esse feedback contribui para a formação da memória.

O estudo também destaca o significado das ondas cerebrais na função cognitiva, que recentemente foi descoberta por Miller e outros.

As ondas cerebrais foram ignoradas por décadas na neurociência. Foi pensado como um zumbido de um motor de carro. O que estamos descobrindo através deste experimento e outros é que essas ondas cerebrais podem ser a infra-estrutura que apóia a comunicação neural.

Melhorando a memória

Os pesquisadores estão agora investigando se eles podem acelerar o aprendizado, fornecendo estimulação elétrica não invasiva que oscila em frequências beta quando a resposta correta é dada e nas frequências theta quando a resposta incorreta é dada. A ideia é que você faça as suposições corretas se sentirem mais corretas para o cérebro, e que as suposições incorretas se sintam mais incorretas.

Esta forma de estimulação elétrica de baixa tensão já foi aprovada para uso em humanos.

Esta é uma técnica que as pessoas já usaram em seres humanos, então, se funcionar, poderia potencialmente ter relevância clínica para melhorar a memória ou tratar distúrbios neurológicos, como a Doença de Alzheimer.

Pelo visto, a capacidade de nosso cérebro aprender pelas ondas cerebrais é uma porta aberta para que ele, ou melhor, nós aprendamos como nos comunicarmos com outras pessoas à distância! Em breve, Xavier dos X-men será tão real quanto você e eu conversando lado a lado…

Invista você também em ciências! Transformando os filmes de nossas vidas em realidade!

Fonte: Anne Trafton, MIT News

Imagem: Jose-Luis Olivares / MIT

Referência

Brincat, S., & Miller, E. (2015). Frequency-specific hippocampal-prefrontal interactions during associative learning Nature Neuroscience DOI: 10.1038/nn.3954

Print Friendly

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>