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OBESIDADE DA MÃE DURANTE A GRAVIDEZ, OU DO PAI, ANTES DA GRAVIDEZ, PODE AUMENTAR AS CHANCES DE TER FILHO COM AUTISMO

OBESIDADE DA MÃE DURANTE A GRAVIDEZ, OU DO PAI, ANTES DA GRAVIDEZ, PODE AUMENTAR AS CHANCES DE TER FILHO COM AUTISMO

Edição Vol. 2, N. 11, 28 de Abril de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.04.27.002

Pesquisa sugere que obesidade durante a gravidez pode aumentar as chances de ter um filho com autismo.

O problema não é o autismo em si, mas o que fazemos durante a gravidez, ou mesmo antes dela, é que pode proporcionar que nossos filhos venham a ter problemas futuros que poderiam simplesmente ter sido evitados por nossa causa . Já apresentamos em edições anteriores que o autismo em crianças pode estar relacionado à obesidade dos pais (veja mais em http://www.nanocell.org.br/autismo-e-obesidade-estao-ligados-a-genetica-mutacoes-raras-no-cromossomo-16-esta-ligada-ao-autismo-e-a-obesidade/ e http://www.nanocell.org.br/estudo-implica-pais-obesos-em-risco-de-autismo-infantil/)) (1, 2).

Primeiramente, vamos esclarecer o que é o autismo.

O QUE É O AUTISMO?

O autismo é fundamentalmente uma forma particular de se situar no mundo e, portanto, de se construir uma realidade para si mesmo. Pode estar associado ou não a causas orgânicas, o autismo é reconhecível pelos sintomas que impedem ou dificultam seriamente o processo de entrada na linguagem para uma criança, a comunicação e o laço social. Em outras palavras, é uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas). Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes conhecidas como transtorno global do desenvolvimento (TGD), embora também seja cunhado o termo transtorno do espectro autista (TEA).

O autismo é o mais grave dos transtornos incluídos no chamado espectro do autismo, uma desordem global do desenvolvimento caracterizada por afetar o desenvolvimento da fala e das interações sociais. No passado, os especialistas acreditavam que o autismo afetava quatro a cinco de cada 10 mil crianças. Porém, um relatório do Centro para Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), divulgado em 2007, mostrou que aproximadamente uma em cada 150 crianças norte-americanas de oito anos tem autismo, Além disso, uma em cada seis crianças é diagnosticada com um transtorno neurológico relacionado (3).

Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam sérios problemas no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a rígidos e restritos padrões de comportamento. Os diversos modos de manifestação do autismo também são designados de espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas do autismo. Atualmente já há a possibilidade de detectar a síndrome antes dos dois anos de idade em muitos casos (4, 5).

Certos adultos com autismo são capazes de ter sucesso na carreira profissional. Basta ver o jogador 4 vezes eleito o melhor do mundo, Lionel Messi. Porém, os problemas de comunicação e socialização causam, frequentemente, dificuldades em muitas áreas da vida. Adultos com autismo continuarão a precisar de encorajamento e apoio moral na sua luta para uma vida independente. Pais de autistas devem procurar programas para jovens adultos autistas bem antes dos seus filhos terminarem a escola.

O autismo afeta, em média, uma em cada 88 crianças nascidas nos Estados Unidos, segundo o CDC (sigla em inglês para Centro de Controle e Prevenção de Doenças), do governo daquele país, com números de 2008, divulgados em março de 2012 (6). No Brasil, porém, ainda não há estatísticas a respeito do TEA (7). Em 2010, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 2 de abril, a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem (8). O aumento dos números de prevalência de autismo levanta uma discussão importante sobre haver ou não uma epidemia da síndrome no planeta, ainda em discussão pela comunidade científica. No Brasil, foi realizado o primeiro estudo de epidemiologia de autismo da América Latina, publicado em fevereiro de 2011 — com dados de 2010 –, liderado pelo psiquiatra da infância Marcos Tomanik Mercadante (1960-2011) e pela professora Dra. Cristiane Silvestre de Paula, psicóloga e epidemiologista da Universidade Presbiteriana Mackenzie, num projeto-piloto com amostragem na cidade paulista de Atibaia (9), aferiu a prevalência de um caso de autismo para cada 368 crianças de 7 a 12 anos. Outros estudos estão em andamento no Brasil.

Um dos mitos comuns sobre o autismo é de que pessoas autistas vivem em seu mundo próprio, interagindo com o ambiente que criam; isto não é verdade. Se, por exemplo, uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem, não é porque ela necessariamente está desinteressada nessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo. Pode ser que essa criança simplesmente tenha dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa, muitos cientistas atribuem esta dificuldade à Cegueira Mental (10), uma compreensão decorrente dos estudos sobre a Teoria da Mente.

Outro mito comum é de que, quando se fala em uma pessoa autista, geralmente se pensa em uma pessoa retardada ou que sabe poucas palavras (ou até mesmo que não sabe alguma). Problemas na inteligência geral ou no desenvolvimento de linguagem, em alguns casos, podem realmente estar presentes, mas como dito acima nem todos são assim. Às vezes é difícil definir se uma pessoa tem um déficit intelectivo, se ela nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente. Na verdade, alguns indivíduos com autismo possuem inteligência acima da média.

A ciência, pela primeira vez falou em cura do autismo em novembro de 2010, com a descoberta de um grupo de cientistas nos EUA, junto do pesquisador brasileiro Alysson Muotri, na Universidade da Califórnia, que conseguiu “curar” um neurônio “autista” em laboratório. O estudo, que se baseou na Síndrome de Rett (um tipo de autismo com maior comprometimento e com comprovada causa genética) (11) , foi coordenado por mais dois brasileiros, Cassiano Carromeu e Carol Marchetto e foi publicado na revista científica Cell.

A causa exata do autismo não é conhecida, mas a pesquisa do CDC chamou a atenção para possíveis fatores, incluindo genética, certos tipos de infecções e problemas ocorridos no nascimento. Já se constatou que muitas crianças autistas são geneticamente deficientes na produção de glutationa, um antioxidante gerado no cérebro que ajuda a eliminar o mercúrio do corpo. E que fatores ambientais também podem desempenhar um papel. Outros estudos encontraram anomalias em várias regiões do cérebro, sugerindo que o autismo resultaria de uma interrupção precoce do desenvolvimento cerebral, ainda no útero. E é exatamente este o ponto em que destacamos essa outra pesquisa. Se o feto ainda está no útero, então os responsáveis pelo autismo em nossas crianças possamos ser nós mesmos! Veja bem, esta é uma associação, mas não necessariamente precisamos passar por isso para descobrir… Então, é melhor cuidar de sua saúde, antes que seu filho pague o preço.

O ESTUDO

Este é um dos primeiros estudos que associam os dois, obesidade e autismo, e apesar de não provar que a obesidade causa o autismo, os autores dizem que seus resultados levantam preocupações de saúde pública por causa do alto nível de obesidade no país.

As mulheres do estudo, que eram obesas durante a gravidez, eram cerca de 67% mais propensas do que as mulheres de peso normal em ter filhos autistas. Elas também encararam o dobro do risco de ter filhos com outros atrasos no desenvolvimento (12). Incluindo ter filhos homessexuais!

Em média, as mulheres com peso normal tiveram um risco de 1 em 88 chances de ter um filho com autismo; os resultados sugerem que a obesidade durante a gravidez aumentaria o risco de 1 em 53 chances (12).

Uma vez que mais de um terço das mulheres americanas em idade de ter filhos estão obesas, os resultados são potencialmente preocupantes e somam mais um incentivo em se manter um peso normal.

Pesquisas anteriores e recentes ligam ainda mais a obesidade durante a gravidez com natimortos, partos prematuros e alguns defeitos de nascimento (13-15).

O estudo, coordenado pelo professor Dr. Daniel Coury, chefe da pediatria de desenvolvimento e comportamentais no Hospital Infantil Nationwide, em Columbus, Ohio, nos EUA, disse que os resultados levantam muita preocupação.

Ele observou que as taxas de autismo dos EUA aumentaram junto com as taxas de obesidade e disse que a pesquisa sugere que pode ser mais do que uma coincidência.

SAIBA MAIS SOBRE O AUTISMO

Mais pesquisas são necessárias para confirmar os resultados. Mas, se a obesidade das mães está mesmo relacionada ao autismo, seria apenas um dentre muitos fatores que contribuíram.

A genética tem sido associada ao autismo, e os cientistas estão examinando se as doenças e uso de certos medicamentos das mães, durante a gravidez, podem também desempenhar um papel.

O estudo envolveu cerca de 1.000 crianças da Califórnia, com idades entre 2 a 5. Quase 700 tinham autismo ou outros atrasos no desenvolvimento, e 315 não têm esses problemas.

As mães foram questionadas sobre a sua saúde. Registros médicos estavam disponíveis para mais da metade das mulheres e confirmou as suas condições. Não está claro como a obesidade das mães pode afetar o desenvolvimento fetal, mas os autores oferecem algumas teorias.

Obesidade, geralmente cerca de 35 quilos acima do peso, está relacionada com a inflamação e, por vezes, os níveis elevados de açúcar no sangue. O excesso de açúcar no sangue e substâncias relacionadas à inflamação no sangue da mãe podem atingir o feto e danificar o cérebro em desenvolvimento.

O estudo carece de informações sobre exames de sangue durante a gravidez. Também não há informações sobre dietas de mulheres e outros hábitos durante a gravidez que pode ter influenciado o desenvolvimento fetal.

Não houve diferenças em relação ao grau de educação ou diferenças étnicas raciais entre mães de crianças autistas e crianças não afetadas, que poderiam ter influenciado os resultados.

Então, somente uma solução para evitar que aumente as chances de seu filho venha a ter autismo, cuide-se! Caminhe dentre 4 ou 5 vezes por semana. Cada caminhada tendo pelo menos 30 minutos. Alimente-se com frutas e verduras. Ah, não gosta? E de seu filho ter algum problema no desenvolvimento, gostaria?

Engana-se quem acredita que é só a mãe que possa controlar essa situação, o pai também pode contribuir em muito para que seu filho também venha a ter problemas no desenvolvimento. Papai gordinho também está relacionado a filhos com autismo!

Solução: caminhem os dois juntos! Uma vida saudável a dois para uma família feliz!

Dicas para se ter saúde veja em (16, 17) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/o-aumento-do-acucar-pode-predispor-ao-cancer-de-mama/ ou http://www.nanocell.org.br/estilo-de-vida-que-proteje-o-coracao-tambem-reduz-o-risco-de-cancer/).

MÉTODOS PARA SE IDENTIFICAR O AUTISMO

Uma coisa é importante antes de apresentar algumas características em nossas crianças para se saber se elas têm ou não algum autismo. Mesmo em crianças com algum grau de autismo, comportamentos normais podem também estar presentes, mas numa quantidade muito menor, descreverei aqui algumas diferenças de qualidade de comportamentos existentes “facilmente” vistos nos bebês:

  1. olham menos para a mãe e outras pessoas, em todas as situações esperadas como nos momentos livres de contato puro e simples, na amamentação, nos momentos de higiene pessoal do bebê, etc.;

  2. há menos trocas comunicativas aos encontros com a mãe e outros e o olhar nos olhos como forma de comunicar é ausente ou rara, mesmo quando pede algo;

  3. não acompanham com o olhar a movimentação da mãe, mas o fazem com objetos;

  4. o aconchego físico pode ser rejeitado com a demonstração de se sentir melhor no berço quando fica sozinha;

  5. pode não levantar os braços para ser retirado do berço;

  6. pode não demonstrar alegria com mudanças da mímica facial e corporal e nem emissão de sons às brincadeiras usuais de beijos, cócegas, música, etc. – a mímica não modifica de acordo com as situações que estão acontecendo;

  7. pode não demonstrar alegria ao ver a mãe/cuidador;

  8. pode não reagir à voz da mãe e de pessoas próximas, assim como a um barulho próximo;

  9. pode haver pouco sono noturno e diurno, e alterações na alimentação (muita ou não chorar para alimentar);

  10. a partir dos cinco meses não reage/responde ao nome – não se reconhece pelo som de seu nome (este sinal é o mais fácil de ser percebido por qualquer um);

  11. por volta dos oito meses não aponta o que quer;

  12. por volta de um ano não aponta para partilhar interesses;

  13. há um atraso nas brincadeiras de esconde-esconde dessa idade (em Minas Gerais isso se chama de “pudi”);

  14. a fala geralmente não surge na quantidade esperada;

  15. pode haver movimentos de mãos e braços sem finalidade aparente, usualmente mãos na frente dos olhos;

  16. quando já anda, pega o outro pela mão e o leva para fazer algo – usa outros como ferramentas;

  17. quando fala, usa o terceiro pronome (ele) para se nomear, ao invés do primeiro (eu).

O questionário de triagem de nome M-CHAT, indicado para utilização aos 18 meses, que é de fácil uso, possui 23 itens, dos quais seis são os mais importantes, a saber:

  1. interessa-se pelas outras crianças;

  2. aponta para mostrar algo de seu interesse;

  3. alguma vez lhe trouxe objetos (brinquedos) para lhe mostrar;

  4. imita o adulto;

  5. responde/olha quando o(a) chamam pelo nome;

  6. se apontar para um brinquedo do outro lado da sala, a criança acompanha com o olhar.

Como se pode verificar já nessa idade, há sinais de prejuízo das três áreas (interação, comunicação e comportamentos) que formam os critérios clássicos de diagnóstico de autismo infantil – Classificação Internacional de Doenças e o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais.

Referências

1. Resende RR. ESTUDO IMPLICA PAIS OBESOS EM RISCO DE AUTISMO INFANTIL. Nanocell News. 2015;2(7).

2. Resende RR. AUTISMO E OBESIDADE ESTÃO LIGADOS À GENÉTICA: Mutações Raras No Cromossomo 16 Está Ligada Ao Autismo E À Obesidade. Nanocell News. 2015;2(6).

3. Prevalence of Autism Spectrum Disorders – Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, United States, 2006. Surveillance Summaries. MMWR, vol. 58, SS-10 p.1-20, 2009. 2009.

4. Kleinman JM, Ventola PE, Pandey J, Verbalis AD, Barton M, Hodgson S, et al. Diagnostic stability in very young children with autism spectrum disorders. Journal of autism and developmental disorders. 2008;38(4):606-15.

5. Kleinman JM, Robins DL, Ventola PE, Pandey J, Boorstein HC, Esser EL, et al. The modified checklist for autism in toddlers: a follow-up study investigating the early detection of autism spectrum disorders. Journal of autism and developmental disorders. 2008;38(5):827-39.

6. (ASDs) ASD. Data & Statistics Centers of Disease Control and Prevention. 2012.

7. MERCADANTE MT, KLIN A. Autismo e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. Rev Bras Psiquiatr. 2006;28:S3-S11.

8. Fombonne E. Epidemiological trends in rates of autism. Molecular psychiatry. 2002;7 Suppl 2:S4-6.

9. Paula CS, Ribeiro SH, Fombonne E, Mercadante MT. Brief report: prevalence of pervasive developmental disorder in Brazil: a pilot study. Journal of autism and developmental disorders. 2011;41(12):1738-42.

10. Frith U. Mind blindness and the brain in autism. Neuron. 2001;32(6):969-79.

11. Marchetto MC, Carromeu C, Acab A, Yu D, Yeo GW, Mu Y, et al. A model for neural development and treatment of Rett syndrome using human induced pluripotent stem cells. Cell. 2010;143(4):527-39.

12. Krakowiak P, Walker CK, Bremer AA, Baker AS, Ozonoff S, Hansen RL, et al. Maternal metabolic conditions and risk for autism and other neurodevelopmental disorders. Pediatrics. 2012;129(5):e1121-8.

13. Zuckerman KE, Hill AP, Guion K, Voltolina L, Fombonne E. Overweight and obesity: prevalence and correlates in a large clinical sample of children with autism spectrum disorder. Journal of autism and developmental disorders. 2014;44(7):1708-19.

14. Suren P, Gunnes N, Roth C, Bresnahan M, Hornig M, Hirtz D, et al. Parental obesity and risk of autism spectrum disorder. Pediatrics. 2014;133(5):e1128-38.

15. Gillette ML, Stough CO, Beck AR, Maliszewski G, Best CM, Gerling JK, et al. Outcomes of a weight management clinic for children with special needs. Journal of developmental and behavioral pediatrics : JDBP. 2014;35(4):266-73.

16. Silva AG, Resende RR. O AUMENTO DO AÇÚCAR PODE PREDISPOR AO CÂNCER DE MAMA. Nanocell News. 2014;1(17).

17. Lacerda LHG, Resende RR. ESTILO DE VIDA QUE PROTEJE O CORAÇÃO TAMBÉM REDUZ O RISCO DE CÂNCER. Nanocell News. 2014;1(10).

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