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Lara Vento Moreira Lima1, Rubens Rezende Ferreira 1, Joice Teixeira de Almeida2, Fabrícia Ramos Rezende3

1 Acadêmicos do curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros – Campus Trindade

2 Fisioterapeuta pela Unigoyazes

3 Fisioterapeuta, mestre e doutora em Ciências da Saúde pela UFG e docente da UNIFIMES em Trindade-GO, Brasil

Edição Vol. 8, N. 11, 15 de novembro de 2021

Fonte: Agência Brasil

Cannabis sativa é o nome cientifico da popularmente conhecida maconha, e essa planta possui um composto chamado canabidiol. Alguns estudos analisaram sua estrutura e foi descoberto que essa parte não apresenta efeitos psicoativos e não é um composto intoxicante. Essa substância atua em várias funções na sinalização cerebral e também foi identificado que o organismo humano possui um sistema com receptores chamados endocanabinoides, que estão bem distribuídos nas células do sistema nervoso. Esse sistema está relacionado a diversas funções do corpo humano como, apetite, dor e memória, e quando esses receptores estão baixos, os indivíduos podem apresentar doenças neurológicas. (1)

Doenças neurodegenerativas é um termo usado para abranger inúmeras doenças que atacam o sistema nervoso, como o Alzheimer, Parkinson a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Algumas dessas doenças são mais prevalentes em pessoas idosas, e como a população brasileira e mundial vem sofrendo um crescimento na curva de envelhecimento, o tratamento de doenças crônico-degenerativas se mostra cada vez mais importante. (2)

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca a deterioração da cognição e da memória, como também sintomas neuropsiquiátricos e alterações no comportamento. Em 2017 foi realizado um estudo que relatou que o Canabidiol (CBD) protegeu células que são chamadas de PC12 da ação prejudicial de um peptídeo denominado Aβ, que é o principal causador dessa doença, uma vez que ele estimula o estresse oxidativo das placas senis. O CBD induz a redução da produção de Aβ. Logo, os resultados mostram que o CBD pode ter um importante uso farmacológico nessa patologia, uma vez que é capaz de diminuir as respostas neurodegenerativas e neuro inflamatórias que são causadas pelo peptídeo Aβ (1).

Já o Parkinson é uma doença neurológica que afeta os movimentos das pessoas acometidas, assim como o surgimento de tremores, sendo este o sintoma mais comum. Isso se deve à perda de alguns neurônios dopaminérgicos presentes no mesencéfalo, e como consequência os gânglios que precisam de dopamina atrofiam e as respostas são afetadas, resultando, por exemplo, em uma maior lentidão nos movimentos (2). As drogas atuais para essa doença não se mostram tão eficazes, e estudos envolvendo o CBD para o Parkinson mostraram que a substância possui efeitos que podem ser utilizados no tratamento, como antiinflamatórios, anti-excitotóxicos, antioxidantes, antipsicóticos e sedativos, o que resulta em uma diminuição das quedas, das dores e uma melhora dos movimentos e do sono (1).

Assim, vale ressaltar que o CBD não apresenta efeitos psicoativos nem tóxicos e possui várias propriedades terapêuticas potenciais, como efeito antioxidante e anti-inflamatório, e participa na ação de inúmeros receptores e canais do cérebro relacionados ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. No entanto, no Brasil há um tabu em torno do uso do medicamento, associando-o a planta por inteiro, e não apenas como um componente com benefícios terapêuticos, e o seu uso no país ainda é muito limitado. Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) liberou seu uso para fins medicinais há alguns anos, no entanto há uma enorme burocracia em torno do seu uso, já que a medicação precisa ser importada através de uma solicitação médica e com um termo de responsabilidade. Dessa forma, a partir de doenças como o Alzheimer e o Parkinson, que possuem atualmente medicamentos pouco eficazes, mostra-se necessário e de suma importância uma maior opção de fármacos para o tratamento dessas patologias (1).

REFERÊNCIAS:

1.BEZERRA, Larissa Rezende; DA SILVA, Natalia Milena; DE SOUZA, Pâmella Grasielle Vital Dias. Medicamento derivado da maconha: Canabidiol e seus efeitos no tratamento de doenças do sistema nervoso. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 12, p. 94755-94765, 2020.

2.BARBOSA, Antony et al. O potencial terapêutico do Canabidiol em doenças neurodegenerativas. Acta Farmacêutica Portuguesa, v. 10, n. 1, p. 84-103, 2021.

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