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O RECEPTOR P2Y1, NOVO ALVO FARMACOLÓGICO PARA O TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

Bruno Marques Lemes*, Mauro Cunha Xavier Pinto*

* Laboratório de Neuroquímica e Neurofarmacologia-Neurolab, Departamento de Farmacologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Goiás.

Edição Vol. 5, N. 11, 13 de Agosto de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.08.13.005

Pesquisadores do German Center for Neurodegenerative Diseases, na Alemanha, demonstraram o potencial de novos alvos farmacológicos para o tratamento da Doença de Alzheimer. Os resultados são promissores em modelos animais da doença.

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, ou seja, causa a degeneração do sistema nervoso central, e é caracterizada pelos sintomas de declínio cognitivo, como perda de memória, dificuldades no aprendizado, orientação e até mesmo na linguagem. Ela é comumente encontrada em idosos com mais de 60 anos de idade, porém, existem casos em que a doença se desenvolve precocemente, na fase adulta. Segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), existem cerca de 1 milhão de idosos diagnosticados com Alzheimer no Brasil, porém, com o aumento da expectativa de vida, esse número tende a subir, tendo em vista que a doença é correlacionada com o envelhecimento.

O mecanismo exato com o qual a doença se instala no sistema nervoso ainda não é totalmente compreendido, contudo, pesquisadores apontam que processos inflamatórios no cérebro, mediados por células imunes especializadas chamadas de micróglia, são importantes para o desenvolvimento progressivo do Alzheimer e seus sintomas. Além disso, outra célula muito importante para a evolução da doença é o astrócito, célula constituinte da neuróglia que, em condições normais, tem como função o suporte e a nutrição dos neurônios, bem como a regulação da concentração de diversas substâncias que podem causar danos neuronais quando estão em excesso, como o íon Ca2+.

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Figura 1: Interações entre as células da glia e os neurônios

Buscando estudar como essa interação entre os astrócitos e neurônios afetam o progresso da Doença de Alzheimer, pesquisadores do German Center for Neurodegenerative Diseases, na Alemanha, conseguiram demonstrar como o processo de neuroinflamação desencadeia uma resposta de hiperativação do astrócito via ativação de um receptor purinérgico chamado P2Y1R.

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Figura 2: Representação esquemática dos receptores P2Y1 em astrócitos e sua ativação mediada por ADP liberado em processos inflamatórios.

Os pesquisadores administraram de forma crônica, isto é, prolongada, um inibidor destes receptores em modelos animais da Doença de Alzheimer, com o propósito de avaliar se há melhorias cognitivas e nas sinapses. Para tal tarefa, os cientistas utilizaram um modelo transgênico de camundongo (APP/PS1) que apresenta as alterações neuronais análogas à Doença de Alzheimer, como a neuroinflamação e consequente prejuízo da memória.

Os pesquisadores demonstraram que o tratamento de 6 semanas com inibidores de P2Y1R restaurou o equilíbrio neurônio-astrócito no modelo da Doença de Alzheimer, gerando uma diminuição significativa na hiperativação dos astrócitos causada pela neuroinflamação. Eles também demonstraram que a inibição de P2Y1R não alterou os níveis de ativação de astrócitos em camundongos normais tratados por 6 semanas, demonstrando, dessa forma, que o fármaco não produziu efeitos tóxicos para os astrócitos e neurônios em condições fisiológicas. Estas ações permitiram ao tratamento restaurar a integridade estrutural sináptica dos neurônios do hipocampo, região do cérebro importante para memória e orientação espacial, e consequentemente, o tratamento levou a uma melhora na memória e aprendizado dos animais no modelo da Doença de Alzheimer.

Este estudo proporciona uma ampliação dos conhecimentos da patologia da doença de Alzheimer e aponta para um novo alvo farmacológico (inibição de P2Y1R) que pode ser usado no tratamento da Doença de Alzheimer. No futuro, novas drogas capazes de melhorar os sintomas de perca de memória e capazes de prevenir a morte de neurônios serão utilizadas para o tratamento desta doença neurodegenerativa.

REFERÊNCIAS

REICHENBACH, N. et al. P2Y1 receptor blockade normalizes network dysfunction and cognition in an Alzheimer’s disease model. Journal of Experimental Medicine, [S.L], v. 215, n. 5, mai./dez. 2018.

Carrasquero LMG, Delicado EG, Jiménez AI, Pérez-Sen R, Miras-Portugal MT. Cerebellar astrocytes co-express several ADP receptors. Presence of functional P2Y13-like receptors. Purinergic Signalling. 2005;1(2):153-159. doi:10.1007/s11302-005-6211-3.

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