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O QUE É HIPERTENSÃO? (1º Capítulo)

O QUE É HIPERTENSÃO? (1º Capítulo)

Leandro H G Lacerda, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 13, 24 de Junho de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.06.24.006

O que muitas pessoas, amigos e parentes, nos perguntam é, afinal o que é Hipertensão? Como pessoas magras e que parecem saudáveis podem ter uma pressão arterial tão alta quanto ao nosso colega do lado que pesa quase 100, ou mais, quilos? Bom, poderíamos a priori, pensar que pressão alta é sinônimo de pessoas obesas, os pesos pesados, mas não é bem assim.

Nesta nova série, o NANOCELL NEWS, convida a você, saber um pouco mais sobre o que é hipertensão? Quais os tipos de hipertensão? Existe algum tratamento? Como posso evitar e ter uma vida saudável? Essas e outras perguntas, assim como relatos de vários pacientes poderão tornar nossa vida muito mais tranquila de se viver!

Vamos montar uma área no Instituto Nanocell para que você acompanhe a sua evolução no seu peso, alimentação, pressão, gravidez, e outros quesitos de saúde que podem ajudar no seu dia-a-dia e fugir do sedentário que há em cada um de nós! Mas, isso, são cenas para os próximos capítulos.

Hipertensão

Hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma condição na qual ocorre um aumento persistente da pressão sanguínea nas artérias. Toda vez que o coração humano bate, ele bombeia sangue para todo o corpo através das artérias.

A pressão arterial é a força com que o sangue exerce na parede das artérias e dos vasos sanguíneos (Figura 1). Quanto maior a pressão mais dificuldade o coração tem para bombear.

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Figura 1: A seta indica a pressão ou força com que o sangue circula sobre os vasos sanguíneos, entre eles as artérias.

A hipertensão pode levar a danos em órgãos e ao desenvolvimento de várias doenças, tais como insuficiência renal, aneurisma, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco. Pesquisadores da UC Davis, Califórnia, EUA relataram no Jornal da Academia Americana de Neurologia que a elevação da pressão arterial durante a meia-idade pode aumentar o risco de declínio cognitivo mais tarde na vida, isto é, podemos ter um decréscimo no nosso QI! (Figura 2).

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Figura 2: Complicações da hipertensão arterial. A hipertensão pode levar a danos em órgãos e ao desenvolvimento de várias doenças, tais como insuficiência renal, aneurisma, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco.

Pressão sanguínea normal consiste em um valor igual ou inferior à 120/80 mmHg (milímetros de mercúrio) onde 120 representa a medição da pressão arterial sistólica (pressão máxima nas artérias, aquela em que há a contração dos músculos do coração para bombear o sangue através do corpo) e 80 representa a medição da pressão arterial diastólica (pressão mínima nas artérias, em que há o relaxamento do músculo cardíaco). Denomina-se pré-hipertensos aqueles indivíduos que apresentam pressão arterial entre 120/80 e 139/89 mmHg (este estágio indica um risco aumentado de desenvolvimento de hipertensão). Considera-se hipertensão ou hipertenso, indivíduos com pressão arterial igual ou superior a 140/90 mmHg. Vejam a Tabela 1 abaixo para maior facilidade de visualização dos estágios de hipertensão.

Tabela 1: Classificação da pressão arterial e da hipertensão arterial

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Você sabia que existem vários tipos de hipertensão?

A hipertensão pode ser classificada como essencial ou secundária. A hipertensão essencial é o termo utilizado para aumento dos níveis pressóricos (pressão) de origem desconhecida. Esta condição é responsável por cerca de 95% dos casos. A hipertensão secundária é o termo utilizado para aumento dos níveis pressóricos por uma causa conhecida, como no caso de doença renal, tumores ou uso de pílulas anticoncepcionais.

Cerca de 70 milhões de adultos nos Estados Unidos são afetados pela hipertensão. A condição também afeta cerca de dois milhões de adolescentes e crianças. De acordo com um relatório emitido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em setembro de 2012, mais da metade de todos os americanos com hipertensão não têm a sua pressão arterial sob controle. Mas, e no Brasil?

Segundo o levantamento Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2011), a hipertensão arterial atinge 22,7% da população adulta brasileira. O diagnóstico em mulheres (25,4%) é mais comum do que entre os homens (19,5%) (1).

A frequência da doença avança com o passar dos anos. Se entre 18 e 24 anos, apenas 5,4% da população relatou ter sido diagnosticada hipertensa, aos 55 anos a proporção é dez vezes maior, atingindo mais da metade da população estudada, 50,5%. A partir dos 65 anos, a mesma condição é observada em 59,7% dos brasileiros. A maior frequência de diagnóstico em mulheres ocorre em todas as faixas etárias.

O que causa a hipertensão?

Embora as causas exatas da hipertensão sejam, geralmente desconhecidas, há vários fatores que foram altamente associados com esta condição. Estes incluem:

  • Fumar;

  • Obesidade ou excesso de peso;

 

  • Obesidade e/ou sobrepeso infantil – uma equipe de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, EUA, descobriu que as crianças obesas e/ou sobrepeso são muito mais propensas a sofrer de hipertensão durante a vida adulta;

 

  • Diabetes;

 

  • Sedentarismo ou falta de atividade física;

 

  • Consumo excessivo de sal (sensibilidade ao sódio) – De acordo com a American Heart Association (AHA), o consumo de sódio deve ser limitado a 1.500 mg (miligramas) por dia, o que significa em termos práticos 1 sachê e meio de sal, e isso inclui todos, mesmo as pessoas saudáveis (sem a pressão arterial elevada), diabetes ou doenças cardiovasculares. O Diretor-presidente da AHA, Nancy Brown disse: “Nossa recomendação é simples no sentido de que se aplica a toda a população dos EUA e não apenas os grupos de risco. Americanos de todas as idades, independentemente de fatores de risco individuais, podem melhorar a saúde do coração e reduzir o risco de doença cardiovascular restringindo o seu consumo diário de sódio para menos de 1.500 mg diárias”. A recomendação foi publicada na Circulation Reseach em 5 de novembro de 2012.

 

  • Consumo insuficiente de cálcio, potássio e magnésio;

 

  • Deficiência de vitamina D;

 

  • Consumo excessivo de álcool;

 

  • Estresse;

 

  • Envelhecimento;

 

  • Uso de pílulas anticoncepcionais;

 

  • Fatores genéticos e história familiar de hipertensão arterial – Em maio de 2011, os cientistas da Universidade de Leicester, Inglaterra, publicaram na Hypertension Research que alguns genes presentes (expressos) nos rins podem contribuir para a hipertensão;

 

  • Doença renal crônica;

 

  • Problemas nas glândulas supra-renais e tireóide ou tumores;

 

As estatísticas dos EUA indicam que os afro-americanos têm uma maior incidência de desenvolver hipertensão do que outras etnias.

Quais são os sintomas da hipertensão?

Não há garantia de que uma pessoa com hipertensão apresentará todos os sintomas da doença. Cerca de 33% das pessoas realmente não sabem que têm pressão arterial elevada e isto pode durar anos. Por esta razão, recomenda-se realizar exames periódicos para aferir (medir) a pressão arterial, mesmo quando não estão presentes os sintomas.

Pressão extremamente elevada pode levar a alguns sintomas, que incluem:

  • Fortes dores de cabeça;

  • Fadiga ou confusão;

 

  • Vertigem;

 

  • Náuseas;

 

  • Problemas de visão;

 

  • Dores no peito;

 

  • Problemas respiratórios;

 

  • Batimento cardíaco irregular;

 

  • Sangue na urina;

 

Como é que a hipertensão é diagnosticada?

A hipertensão pode ser diagnosticada por um profissional de saúde que mede a pressão arterial com o auxílio de um aparelho chamado esfigmomanômetro – um dispositivo com a braçadeira, manguito, bomba e válvula (Figura 3). Os valores das pressões sistólica e diastólica serão registrados e comparados com uma tabela de valores pré-definida. Se a pressão for maior do que 140/90 mmHg, o indivíduo será considerado hipertenso.

hipertensao4Figura 3: Esfigmomanômetro

Claro, para se medir a pressão não basta colocar o aparelho no braço e aferir a pressão. Há pessoas que sofrem só em ver um avental branco, quem dirá de um médico! Parece piada? Meu sogro Antônio é assim… Em virtude do estresse sofrido no momento do exame, a medição da pressão arterial pode ser falsa. A fim de realizar um diagnóstico mais completo, os médicos costumam realizar exame físico e pedir o seu histórico médico e de sua família. Médicos terão de saber se você tem qualquer um dos fatores de risco para a hipertensão, como tabagismo, colesterol elevado ou diabetes.

Se há suspeita de hipertensão, o médico solicitará outros exames para uma avaliação mais completa, tais como testes de eletrocardiograma (ECG) e ecocardiograma que medem a atividade elétrica do coração e para avaliar a estrutura física do coração, respectivamente. Exames de sangue adicionais também serão necessários para identificar as possíveis causas de hipertensão secundária e para medir a função renal, determinar os níveis de eletrólitos (sódio, potássio, magnésio e outros sais mineirais), os níveis de açúcar e os níveis de colesterol.

Como é tratada a hipertensão?

O principal objetivo do tratamento para a hipertensão é reduzir a pressão arterial para níveis inferiores a 140/90 mmHg ou até menores, em alguns grupos, como as pessoas com diabetes e as pessoas com doenças renais crônicas. O tratamento da hipertensão é importante para reduzir o risco de acidente vascular cerebral, ataque cardíaco e insuficiência cardíaca.

A pressão arterial elevada pode ser tratada clinicamente, modificando fatores de estilo de vida ou uma combinação dos dois. Mudanças no estilo de vida importantes incluem perder peso, parar de fumar, ter uma dieta saudável, reduzir a ingestão de sódio, fazer exercícios regularmente e limitar o consumo de álcool.

As opções de medicamentosas para tratar a hipertensão incluem várias classes de drogas dentre elas os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRAII), beta-bloqueadores, diuréticos, bloqueadores de canais de cálcio (BCC)*, bloqueadores alfa-adrenérgicos e vasodilatadores periféricos são as principais drogas utilizadas no tratamento. Estes medicamentos podem ser utilizados isoladamente ou em combinação e em alguns casos são apenas usados ​​em combinação. Além disso, alguns destes fármacos são preferidos a outros, dependendo das características do paciente (presença de diabetes, gravidez, etc).

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Se a pressão arterial é reduzida com sucesso, é aconselhável realizar exames frequentes e tomar medidas preventivas para evitar uma recaída da doença.

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Como a hipertensão pode ser prevenida?

Os principais componentes para a prevenção da hipertensão consistem em mudanças no seu estilo de vida, dieta adequada e prática de exercícios físicos regulares. É importante manter um peso saudável, reduzir a ingestão de sal, reduzir a ingestão de álcool e reduzir o estresse.

A fim de evitar danos aos órgãos e condições críticas, tais como acidente vascular cerebral, ataque cardíaco e insuficiência renal que podem ser causadas pela pressão arterial elevada, é importante diagnosticar, tratar e controlar a hipertensão em seus estágios iniciais. Isso também pode ser feito através do aumento da consciência pública e o aumento da frequência de exames para identificar a doença (Figura 4).

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Figura 4: Como tratar e controlar a hipertensão arterial em seus estágios iniciais.

Hipertensão acelera o envelhecimento do cérebro

Cientistas da UC Davis, Califórnia, EUA, relataram na revista The Lancet em 2 de Novembro de 2012 que pessoas jovens e de meia idade com pressão arterial elevada têm um maior risco de envelhecimento cerebral acelerado.

O risco parece estar lá, mesmo para aqueles cuja pressão arterial elevada não é considerado suficiente para a intervenção médica.

Os autores dizem que suas descobertas devem incentivar os médicos a controlar a pressão arterial dos pacientes no início, mesmo os pré-hipertensos.

A equipe, liderada pelo professor Charles DeCarli, disseram que encontraram evidências de danos estruturais em matéria branca, e também o volume de massa cinzenta entre as pessoas com pressão arterial elevada, incluindo os pacientes pré-hipertensos em seus 30 e 40 anos de idade. Eles escreveram que “a lesão cerebral desenvolve insidiosamente ao longo da vida com efeitos discerníveis”.

Por isso, se quiserem viver mais e com consciência do que se passa ao seu redor é melhor reduzir na quantidade de sal, de bebidas alcóolicas e iniciar uma caminha de 40 minutos pelo menos 4 vezes por semana! Nos próximos capítulos iremos montar uma área para que você possa acompanhar sua evolução pela internet através do Instituto NANOCELL. Referências: 1. Vigitel. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Saúde EeIe, editor: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.; 2011.

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  • O QUE É HIPERTENSÃO? (1º Capítulo)
  • 3
  1. cecília disse:

    Achei ótimo o artigo sobre Hipertensão arterial, deveria ser amplamente divulgado entre os ginecologistas, pois , quando em uso do anticoncepcional, minha pressão ficou elevada , a ginecologista insistia em dizer que não tinha relação com o remédio…enfim suspendi o uso e em uma semana minha pressão normalizou.

    26/junho/2014 ás 14:54
  2. Excelente a matéria.obg.

    29/junho/2014 ás 15:15
  3. Obrigado pelos elogios!
    Ao final da série iremos acrescentar uma sessão no NANOCELL para todos poderem controlar e acompanhar sua pressão. Será um modelo utilizado pelos EUA para toda a população e oficialmente comprovada que funciona.
    Estamos realizando pesquisas para a produção de kits de diagnósticos e, em breve, espero, também disponibilizaremos esses kits.

    abç
    Prof. Rodrigo Resende

    30/junho/2014 ás 17:38

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