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O PAPEL DA GENÉTICA VARIA COM O TEMPO: Uma Verdade Pode Ser Mentira Em Épocas Diferentes – Efeito Presidenciável.

O PAPEL DA GENÉTICA VARIA COM O TEMPO: Uma Verdade Pode Ser Mentira Em Épocas Diferentes – Efeito Presidenciável.

Edição Vol. 2, N. 07, 3 de Fevereiro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.02.02.002

Uma nova pesquisa da Universidade de Yale mostra que os efeitos de genes podem depender do ambiente histórico e total em que o pesquisador e sujeito estão envolvidos.

A natureza e a criação encontraram uma nova companhia _ o contexto histórico.

Um novo estudo produziu a melhor evidência até agora de que o papel da genética em características complexas, incluindo a obesidade, varia ao longo do tempo. Tanto a época em que a pesquisa científica foi conduzida e da época em que os indivíduos foram nascidos podem ter um impacto sobre o grau em que fatores genéticos estão presentes nos dados científicos (1).

É como se comparássemos a uma espécie de princípio da incerteza, ou “efeito do observador” para a genética. Em princípio, qualquer estudo de como o DNA afeta os resultados corporais podem ser encontrados efeitos que não duram para sempre, ou pode estar faltando efeitos que _ mas para o momento da pesquisa _.estão resistindo.

A pesquisa, liderada pelo Dr. Nicholas Christakis, professor de sociologia, ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale, nos EUA, publicada na revista científicaPNAS, em dezembro de 2014, focou em uma variante genética específica no gene FTO, a proteína da obesidade e de massa de gordura associada (em inglês,Fat mass and obesity-associated protein), que é amplamente conhecida por estar associada com a obesidade (1). Olhando para os dados do instituto de pesquisa do Estudo do Coração de Framingham (Em 1948, os cientistas da Framingham Heart Study, embarcaram em um projeto ambicioso para identificar os fatores de risco para a doença cardíaca.), eles encontraram uma diferença entre as pessoas com o gene FTO, dependendo de sua época de nascimento. As pessoas nascidas antes de 1942 não apresentaram uma associação entre a variante de risco e a obesidade; porém, pessoas nascidas depois de 1942 mostraram uma associação ainda mais forte do que havia sido descrito (1) (Figura 1).

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Figura 1: As pessoas nascidas antes de 1942 não apresentaram uma associação entre o gene FTO (um gene de obesidade) e a obesidade; porém, pessoas nascidas depois de 1942 mostraram uma associação ainda mais forte, sendo que, quem tem mais desse gene tem grandes chances de ser gordo.

Os pesquisadores atribuem a diferença à mudança das condições sociais ou ambientais que tiveram um efeito sobre quando os fatores genéticos entraram em jogo. Isso sugere que ainda mais cautela e humildade na moderna pesquisa em genética devem ser atentadas. Isto também sugere que, se estudos em grande escala de associação genética com este gene fossem realizados uma geração antes, eles poderiam ter obtido resultados diferentes.

É, nem tudo parece ser real em seu tempo de estudo. Uma verdade pode ser mentira em épocas diferentes. É bem parecido com o que o atual governo fala e faz. Antes das eleições, a presidente eleita excomungou as propostas dos outros dois candidatos, especialmente as da Marina. Agora, faz tudo o que disse que não iria fazer, ou seja, o que os outros dois disseram que deveria ser feito. Ou você classifica como mentira tudo o que a eleita disse durante as eleições ou associa esse governo a uma péssima gestão que não sabe o que fazer… a não ser seguir as opiniões e ideias dos outros que não foram eleitos. Então, certamente, esses devem ser melhores do que a atual. Claro que isso é uma ironia, já que apenas a “opinião” dela é que mudou e não seus genes. Problema para todos nós!

As implicações para as conclusões vão além do estudo da genética e falam com o complexo, evoluindo a ligação entre a hereditariedade e o ambiente. Examinando fenômenos tais como o aumento da obesidade, segundo eles, torna-se uma questão de “desembaraçar” os fios dos fatores ambientais históricos e contemporâneos, que interagem com características genéticas ao longo do tempo (1).

Essa ideia de olhar para a época de nascimento que se refere à determinação do risco genético não é uma dimensão em que as pessoas estão acostumadas a pensar. É raro ver, em uma população humana, uma mudança de resposta às condições ambientais, com base no seu genótipo. Isto é, o genoma muda de acordo com as condições ambientais. Normalmente isso é visto na epigenética. Na epigenética, o genoma não muda, isto é, os genes são os mesmos, mas sua expressão é alterada através de modificações sobre eles (2, 3) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/a-homossexualidade-pode-ser-desenvolvida-no-utero-devido-as-mudancas-epigeneticas/ e http://www.nanocell.org.br/formacao-da-memoria-esta-associada-com-mecanismos-epigeneticos-que-sao-passados-de-geracao-para-geracao-cerebro-lamarkiano/).

Enquanto os cientistas sondam ainda mais tais coortes entre gene e nascimento e interações gene e meio ambiente é factível levarmos em conta que, em última análise, pode ser importante que pesquisas genéticas escolham grandes populações de diversos tipos de ambientes ao se estudar as maneiras como os genes são expressos. Ou melhor, escolher uma população miscigenada, ou misturada, como é a brasileira. A ciência já explicou e demonstrou que não existe o conceito de raça entre os seres humanos, principalmente em uma população misturada como a do Brasil (4) (Pesquisa conduzida pelo grupo do professor Dr. Sergio Pena da UFMG).

Esse trabalho mostra que descobrir o efeito de genes pode depender do ambiente total e do histórico em que o pesquisador e sujeito estão envolvidos. E, quem sabe, talvez sirva para retirar de contexto a questão de cotas raciais! Já estamos em outra época.

Referências

1. Rosenquist JN, Lehrer SF, O’Malley AJ, Zaslavsky AM, Smoller JW, Christakis NA.Cohort of birth modifies the association between FTO genotype and BMI. Proc Natl Acad Sci U S A. 2014 Dec 29. PubMed PMID: 25548176.Epub 2014/12/31. Eng.

2. Resende RR. A HOMOSSEXUALIDADE PODE SER DESENVOLVIDA NO ÚTERO DEVIDO ÀS MUDANÇAS EPIGENÉTICAS. Nanocell News. 2014 03/11/2014;1(8). Epub 03/10/2014.

3. Paschon V, Alcaraz AC, Kihara AH. FORMAÇÃO DA MEMÓRIA ESTÁ ASSOCIADA COM MECANISMOS EPIGENÉTICOS QUE SÃO PASSADOS DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO (CÉREBRO LAMARKIANO). Nanocell News. 2014 05/13/2014;1(11). Epub 05/12/2014.

4. Santos RV, Fry PH, Monteiro S, Maio MC, Rodrigues JC, Bastos-Rodrigues L, et al.Color, race, and genomic ancestry in Brazil: dialogues between anthropology and genetics. Current anthropology. 2009 Dec;50(6):787-819. PubMed PMID: 20614657. Epub 2010/07/10. eng.

 

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