Ciência é INVESTIMENTO! Vamos transformar o Brasil em uma Nação rica e forte!

O HÁBITO DE TOMAR CAFÉ É GENÉTICO

O HÁBITO DE TOMAR CAFÉ É GENÉTICO

Edição Vol. 2, N. 03, 11 de Novembro de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.11.10.006

Quer se trate de tomar preto, com leite e açúcar, ou servido gelado, os Estados Unidos gastam cerca de 40 bilhões de dólares por ano em café. Cerca de 54% de todos os adultos americanos bebem café todos os dias. Em média de três xícaras por dia. Estes beberrões de cafeína levaram à descoberta de seis novas variantes genéticas que ajudam a explicar o efeito do café sobre o corpo humano, e poderia explicar por que a cafeína afeta as pessoas de forma diferente.

O estudo realizado pelo Consórcio Genético Internacional do Café e Cafeína (International Coffee and Caffeine Genetics Consortium) analisaram amostras de DNA e conjuntos de dados dos hábitos de bebedores de café de 120 mil pessoas de ascendência europeia e afro-americano, fornecendo uma visão sobre por que da cafeína afetar as pessoas de maneira diferente, e como esses efeitos influenciam o comportamento de beber café (1) (Figura 1).

 cafe_dna

Figura 1: Pesquisa revela que o hábito de beber café é moldado por variações genéticas. Os novos genes explicam cerca de 1,3 por cento do nosso comportamento de tomar café, que é aproximadamente o mesmo percentual que o relatado para outros comportamentos habituais como, o tabagismo e o consumo de álcool.

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu seis novos genes subjacentes às nossas formas de beber café.

O trabalho, liderado pela professora Dra Marilyn Cornelis, uma pesquisadora associada na Escola de Saúde Pública da Harvard TH Chan (Harvard T.H. Chan School of Public Health), encontrou um total de oito genes, dos quais dois foram identificados em trabalhos anteriores por Cornelis e colaboradores (AHR e CYP1A2). Two others — near GCKR and MLXIPL, genes involved in glucose and lipid metabolism — had not previously been linked to the metabolism or neurological effects of coffee.(2). Dois dos novos genes foram relacionados com o metabolismo da cafeína (POR e ABCG2) e outros dois, os genes próximos de BDNF e SLC6A4, que potencialmente influenciam os efeitos de recompensa da cafeína, relacionados com seus efeitos psicoativos (1).

Os dois genes restantes, próximos a GCKR e MLXIPL, estão relacionados ao metabolismo lipídico (gordura) e da glicose, mas o seu papel no consumo de café ainda não está claro. Eles apresentam um possível caminho para novas pesquisas.

As descobertas fornecem uma visão sobre por que a cafeína afeta as pessoas de forma diferente, e como esses efeitos influenciam o comportamento de beber café. Uma pessoa, por exemplo, pode se sentir energizada com uma xícara diária de café, enquanto outra pode precisar de quatro xícaras para sentir o mesmo efeito. Se a pessoa de um copo por dia consumir quatro xícaras, ele ou ela pode se sentir nervoso ou ter problemas digestivos, desestimulando esse nível de consumo de café deste momento em diante.

Embora tenha havido discordância sobre os efeitos do café na saúde, no passado, atualmente há crescentes evidências de seus benefícios. Na verdade, a professora Cornelis _ que nunca gostou de café _ foi convencida a tentar a cultivar o hábito de beber um pouco.

Muitos não gostam do sabor do café, mas gostam de entrar em uma roda, ao meio da tarde, para papear e tomar uma xícara de café. Eu sou um deles. Se houvesse mais pessoas como eu no estudo esses genes não teriam sido encontrados.

Os novos genes explicam cerca de 1,3% do nosso comportamento de tomar café. Embora isso possa parecer uma pequena quantidade, é quase o mesmo que o relatado para outros comportamentos habituais, como o tabagismo e o consumo de álcool (3).

A cultura é, provavelmente, uma influência considerável, mas também há uma forte probabilidade de que outros genes ainda não tenham sido encontrados.

A análise envolveu a busca por padrões de consumo e mudanças em uma única “letra” (base nucleotídica, os tijolos que montam o DNA) no código genético, chamada de polimorfismos de nucleotídeo único, ou SNPs (Single Nucleotide Polymorphism, em inglês). Autor sênior do estudo, Daniel Chasman, professor de medicina na Harvard Medical School, disse em um comunicado que o trabalho é um exemplo de como a genética pode influenciar os comportamentos habituais.

Os genes encontrados até agora podem representar apenas a ponta do iceberg sobre o consumo de café. Não só pode haver mais genes envolvidos no metabolismo da cafeína (o café é rico em compostos ativos além da cafeína) como alguns outros compostos do café também podem ter efeitos fisiológicos, como os ácidos clorogênicos que são substâncias antioxidantes, e são os principais responsáveis ​​pela marca de seu sabor amargo. Identificando-se muitos genes associados ao café será possível permitir que os hábitos de consumo possam ser personalizados para o indivíduo, a fim de obter a maioria dos benefícios, evitando os inconvenientes. É como se fosse uma medicina personalizada, onde se tem o medicamento certo, na dosagem certa para a pessoa certa, evitando-se seus efeitos colaterais.

A próxima pergunta é: quem está se beneficiando mais do café? Se, por exemplo, a cafeína é protetora, os indivíduos podem ter uma exposição fisiológica muito semelhante à cafeína, uma vez que você equilibre o metabolismo. Mas se o café tem outros componentes potencialmente protetores, esses níveis serão maiores se você consumir mais xícaras, para que eles possam realmente ser beneficiados a partir de componentes diferentes da cafeína do café.

Referências

 

1. Cornelis MC, Byrne EM, Esko T, Nalls MA, Ganna A, Paynter N, et al. Genome-wide meta-analysis identifies six novel loci associated with habitual coffee consumption. Molecular psychiatry. 2014 Oct 7. PubMed PMID: 25288136. Epub 2014/10/08. Eng.

2. Cornelis MC, El-Sohemy A. Coffee, caffeine, and coronary heart disease. Current opinion in lipidology. 2007 Feb;18(1):13-9. PubMed PMID: 17218826. Epub 2007/01/16. eng.

3. Grucza RA, Bierut LJ. Co-occurring risk factors for alcohol dependence and habitual smoking: update on findings from the Collaborative Study on the Genetics of Alcoholism. Alcohol research & health : the journal of the National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. 2006;29(3):172-8. PubMed PMID: 17373405. Epub 2007/03/22. eng.

 

Print Friendly

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>