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Gustavo Almeida de Carvalho1, Ricardo Cambraia Parreira1

1Laboratório de Neurofarmacologia e Neuroquímica do Departamento de Farmacologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Goiás

Edição Vol. 6, N. 11, 15 de Novembro de 2019

O câncer é uma doença caracterizada pela incontrolável multiplicação de células anormais no corpo, que podem afetar órgãos e tecidos e se espalhar por todo o organismo. Uma em três mortes não comunicadas é causada pelo câncer. Segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), foi estimado em 2018, 18.1 milhões de novos casos e 9.6 milhões de mortes em 20 regiões no mundo.

A incidência de câncer em humanos é atribuída a muitos fatores como idade, estilo de vida, fatores hormonais e exposição a fatores ambientais. Desta forma os múltiplos fatores e o alto índice de incidência e mortalidade tornam o diagnóstico do câncer de forma precoce extremamente urgente.

Na clínica de rotina, muitos testes convencionais dependem de uma suspeita de um tipo de câncer no paciente, as quais partem para citologia, biópsia, testes de sangue e exames físicos. Estes testes se limitam por sua alta invasividade e a maioria dos tipos de câncer não é detectada por suas limitações. Os métodos não invasivos que existem, como a tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM), são responsáveis por muitos resultados falso-positivos e ainda o risco dos pacientes a serem expostos a radiação.

Abordagens alternativas a essas ferramentas tradicionais de diagnóstico estão sendo desenvolvidas envolvendo screening de biomarcadores em amostras biológicas (biomatrizes) utilizando de métodos analíticos. Neste caminho, muitas pesquisas no campo de bioanalítica tem focado a atenção no desenvolvimento de técnicas não invasivas para o diagnóstico do câncer.

No trabalho realizado por pesquisadores do laboratório do Prof. Nelson Roberto Antoniosi Filho, da Universidade Federal de Goiás, foi desenvolvido um método que avalia os metabólitos orgânicos voláteis (VOMs) presentes em biomatrizes de animais e de humanos. Neste caso, a matriz biológica estudada foi a cera de ouvido (cerúmen), que os pesquisadores acreditam ser uma grande fonte de metabólitos que podem ser rastreados quando em processos patológicos, sendo de grande relevância.

Deste estudo, denominado volatiômica, foram mapeadas amostras de cera de ouvido de 102 pacientes, sendo 52 pacientes com diagnóstico de algum tipo de câncer e 50 de pacientes saudáveis (grupo controle). Destas análises feitas por cromatografia gasosa acoplado a um espectrômetro de massas (CG-MS), foram gerados no total 158 metabólitos orgânicos voláteis dos quais 27 foram selecionados como potenciais biomarcadores de câncer provendo 100% de discriminação entre o grupo de estudo e o grupo controle (Figura 1).

Figura 1. Dendrograma circular das 102 amostras de cerume usando os 27 sinais de pico de VOMs selecionados por GAPLS dos 158 VOMs analisados por HS / GC-MS. O dendrograma circular ilustra uma separação bem-sucedida entre as amostras dos grupos controle (número azul) e câncer (número vermelho). Amostras de pacientes com diferentes tipos de câncer são representadas por cores diferentes e os tratamentos oncológicos são representados por diferentes símbolos geométricos. Os números nas filiais no HCA correspondem à ordem de análise das amostras. Fonte: Barbosa, J.M.G., Pereira, N.Z., David, L.C. et al. Cerumenogram: a new frontier in cancer diagnosis in humans

Este estudo abre novas perspectivas para a pesquisa de novos biomarcadores para o câncer e outras doenças, tornando o diagnóstico mais precoce, menos invasivo e mais barato. Com isto mais pacientes poderão ser diagnosticados de maneira mais precisa e com tempo hábil para o tratamento adequado, aumentando suas chances de cura e de uma qualidade de vida melhor.

REFERÊNCIA

Barbosa, J.M.G., Pereira, N.Z., David, L.C. et al. Cerumenogram: a new frontier in cancer diagnosis in humans. Sci Rep 9, 11722 (2019) doi:10.1038/s41598-019-48121-4

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