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O CHEIRO QUE ENGORDA

O CHEIRO QUE ENGORDA

Daniel Mendes Filho, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 4, N. 13, 7 de Agosto de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.08.07.002

Quer emagrecer sentido um cheiro agradável? Ah… veremos que é quase improvável… já que, toda vez que sentimos aquele cheirinho agradável de um pãozinho quentinho com manteiga e um cafezinho com leite… quase irresistível! Um turbilhão de emoções e sentimentos são gerados a favor para a ingestão incontrolável da guloseima, o que acaba por fazer engordar… então, como inibir isso? Veremos!.. 

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Todas as vezes que ficamos resfriados ou gripados passamos por sintomas desagradáveis que envolvem, não sentir bem o sabor e nem o cheiro dos alimentos. Esse fenômeno deve-se à ligação estreita entre o olfato e o paladar – parte do sabor que atribuímos aos alimentos deve-se ao cheiro deles. Isso ocorre porque partículas de odor desprendidas dos alimentos que vamos ingerir (ou que já estão na boca) ligam-se à mucosa nasal gerando estímulos, os quais viajam através das células sensoriais olfativas e do bulbo olfatório até uma região do cérebro chamada córtex olfatório (Figura 1).

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Figura 1: Esquema da estrutura e contato das cavidades nasal e bucal. No destaque encontra-se o bulbo olfatório, que é um núcleo de neurônios que captam os cheiros das coisas e os transmitem até ao cérebro para nossa percepção consciente.

Um estudo conduzido pelos professores Dra Celine Riera e pelo Dr. Andrew Dillin da Universidade da Califórnia, em Berkley – EUA, sugere que essa relação entre olfato e paladar vai muito além do sabor dos alimentos e envolve o todo, a homeostasia energética (ou seja, o equilíbrio entre a quantidade de energia que obtemos dos alimentos e aquela que gastamos, bem como a taxa com que gastamos ou armazenamos essa energia). 

Usando camundongos insensíveis a odores (chamados anósmicos, ou com perda total da capacidade olfativa) eles observaram que esses animais eram resistentes à obesidade induzida por dieta. O mais interessante é que os camundongos anósmicos apresentaram menor resistência à insulina (e, portanto, menor pré-disposição à diabetes) e maior taxa de termogênese em determinados depósitos de tecido adiposo – o que leva a queima da gordura nesse tecido. Experimentos usando camundongos já obesos modificados para perder o olfato revelaram que eles também perderam peso e tiveram a resistência à insulina reduzida. Comparados com camundongos anósmicos, os normais ganharam 16% mais peso ao receberem a mesma dieta hipercalórica que os modificados.

Por outro lado, quando os pesquisadores usaram camundongos modificados para sentir cheiros com mais intensidade (hiperósmicos), observaram que esses animais tiveram um aumento da adiposidade e da resistência à insulina quando comparados aos animais normais. Os cientistas sugerem que essas alterações no metabolismo corporal causadas pelo olfato seriam intermediadas pelo sistema nervoso autônomo, o qual está envolvido direta ou indiretamente na regulação do funcionamento de todo o organismo.

 Contudo, a compreensão detalhada desses mecanismos requer estudos mais aprofundados inclusive para investigar a participação do sistema límbico (região cerebral que participa na geração de emoções) e da memória nos comportamentos dos animais anósmicos e hiperósmicos. Apesar de não podermos concluir que a mesma relação entre paladar, olfato e metabolismo observada nos camundongos se aplicaria aos seres humanos, essas descobertas apontam direções para futuras pesquisas na fisiologia endócrina e metabólica buscando um entendimento mais amplo de processos que levem à obesidade sem correlação significativa com uma dieta hipercalórica.

Apresentamos aqui, mais um motivo para nossos governantes e todos cidadãos investirem nas ciências. Além de revolucionar nossa sociedade e melhorar nossas condições de vida, essas descobertas podem gerar bilhões de dólares para a nação que as desenvolve, assim como retornar como renda para quem nelas investiu.

Portanto, apoiem e invistam nos laboratórios de pesquisa do Brasil!

Referências

Riera CETsaousidou EHalloran JFollett PHahn OPereira MMARuud LEAlber JTharp KAnderson CMBrönneke HHampel BFilho CDMStahl ABrüning JCDillin A.The Sense of Smell Impacts Metabolic Health and Obesity. Cell Metab. 2017 Jul 5;26(1):198-211.e5. doi: 10.1016/j.cmet.2017.06.015.

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