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Mariana Castro Lobato Pires¹, Chamberttan Souza Desidério²

  1. Laboratório de Hematologia e Hemoterapia, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG, Brasil.
  2. Laboratório de Imunologia, Microbiologia e Parasitologia, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG, Brasil.

Edição Vol. 7, N. 2, 16 de Março de 2020

Uma das doenças que mais avança como causa de diversas mortes em torno do mundo, o câncer consiste no crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos, as quais tendem a ter um comportamento incontrolável e agressivo. De acordo com sua origem primária, a neoplasia tem uma nomenclatura determinada: carcinoma caso comece em tecidos epiteliais e sarcoma caso seja em tecidos conjuntivos (Figura 1) (3-5).

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Figura 1 – Representação de um carcinoma surgindo em meio às células saudáveis as quais são observadas em tons de bege com o núcleo azul e ambos com forma arredondada enquanto as células cancerígenas se apresentam em tom marrom e sem forma definida. (Fonte: smart.servier.com/smart_image/carcinoma).

O câncer pode atingir os diferentes sistemas do corpo humano. Dentre as neoplasias mais frequentes, estão as que acometem o sistema geniturinário, dentre elas, o carcinoma renal apresenta mortalidade em até 40% dos casos. É importante diferenciar os tipos e subtipos de carcinoma renal para que o tratamento seja direcionado. Dos subtipos mais frequentes, destacam-se o carcinoma de células claras, papilífero e cromófobo. Diferenciar os tipos histológicos direciona o tratamento, que, em sua maioria se faz por meio da cirurgia – ainda que seja tumor benigno. O carcinoma de células claras se apresenta, macroscopicamente, como uma lesão amarelada, sólida, com graus de necrose, hemorragia e degeneração cística. Por outro lado, histologicamente, nota-se células claras devido ao conteúdo citoplasmático (rico em lipídeo e glicogênio). É comum metáfases hematogênicas, enquanto as linfáticas ocorrem com menos de 20% dos casos (Figura 2) (2).

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Figura 2 – Carcinoma de células claras. Fonte: patologiadeorgaosesistemas.blogspot

O câncer é uma doença multifatorial, e dentre esses diversos fatores, estão relacionadas as variantes genéticas, que consistem na alteração anormal do DNA, compreendendo sequências de bases e cromossomos. Dentre essas variantes, há a translocação; a qual pode ser dividida em equilibrada, quando não há ganho nem perda de cromossomos e desequilibrada, com ganho ou perda cromossomal. Sabe-se que há translocações associadas ao Carcinoma Medular Renal (CMR) e, algumas destas ocorrem em jovens adolescentes com traço falciforme (6). Após uma análise de cerca de 2600 genomas, feita pelo projeto Pan-Câncer, descobriu-se que o carcinoma de células renais do tipo células claras apresenta uma translocação desequilibrada ocorrida no braço curto do cromossomo 3 e no braço longo do cromossomo 5 (3p;5q) (1).

Há uma razão entre variantes genéticas duplicadas e não duplicadas, denominada tempo molecular cuja função é estimar o ponto no tempo em que houve uma mutação durante a evolução clonal; em vista disso, baseado no tempo molecular em que ocorreu a translocação desequilibrada 3p5q foi possível confirmar que essa lesão ocorre geralmente na adolescência (Figura 3) (1).

Os estudos mostraram que há uma evolução no genoma cancerígeno ao longo da vida, e a latência presente nas variantes genéticas faz com que haja esperança no diagnóstico precoce do câncer, sem que seja necessário chegar ao estágio maligno para que seja diagnosticado e tratado (1).

http://anatpat.unicamp.br/DSCN7436+.JPG

Figura 3 – Histologia do Carcinoma de Células Claras. Região vascularizada em que as células cancerígenas se encontram organizadas em trabéculas entre os vasos. Fonte: anatpat.unicamp

REFERÊNCIAS

  1. GERSTUNG, Moritz et al. The evolutionary history of 2,658 cancers. Nature, v. 578, n. 7793, p. 122-128, 2020.
  2. GARCIA, Ariane Simião; PINEDO, Beatriz Navarro; ANTIQUEIRA, Juliana Kurahashi; et al. Características Clínicas dos Pacientes Submetidos à Nefrectomia Parcial e Presença de Carcinoma Renal. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 63, n. 2, p. 95–101, 2019.
  3. http://www.eventosoncologiador.com.br/cancer-avanca-como-causa-de-morte-pelo-mundo/
  4. http://revistaonco.com.br/cancer-avanca-como-causa-de-morte-pelo-mundo/
  5. http://www.oncoguia.org.br/conteudo/alteracoes-nos-genes/8160/73/
  6. ISABEL, Alexandra; SILVA, Viseu. Rim e doença de células falciformes Rim e doença de células falciformes. 2017.

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