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O ADVERSÁRIO

O ADVERSÁRIO

Flávio Carvalho

Edição Vol. 3, N. 6, 04 de Fevereiro 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.02.05.006

É impossível, eu já falei! Não tem como enganá-lo, parece que ele está dentro da minha cabeça! Maldito! Você tem que colocar seu pé esquerdo do lado de fora… Eu sei, ora! Pé esquerdo, pé esquerdo… Mas o infeliz também não está parado, ué! Eu ameaço ir para a esquerda e já está aquele pé direito, igual ao Chocolatito, apontando pra mim e me acompanhando como se estivesse amarrado ao meu! Pelo menos o primeiro round acabou, faltam só dois.

Segundas, quartas e sextas. Eu costumava até gostar das sextas-feiras, mas desde que o Professor me enfiou esses treinos, eu não gosto mais de dia nenhum. Vai ser bom para você se entender melhor… Até parece, como que vou aprender alguma coisa enfrentando o diabo? E o pior, não posso nem sequer soltar golpe nenhum, só posso passar três rounds me movimentando, buscando alguma oportunidade!

Hora de voltar… E lá está ele com a guarda baixa, aquela cara de Nasseem Hamed e seu olhar debochado e desafiador, sempre pronto para me acertar de algum ângulo impossível. É, o Professor está certo, até que quando fazem isso com você é bem ameaçador… Melhor subir os meus braços, afinal ele também está aqui procurando uma abertura para me acertar. Mão esquerda alta… Eu sei, ora! Mas ele também pode subir a direita dele, olha lá! Ele também sabe se defender, e se eu não me movimentar não vou achar nada! Não tem espaço para o upper também, nem se eu fosse o Tyson eu ia acertá-lo!

Segundo intervalo. Ainda bem, pelo menos só falta mais um. Melhor eu checar se ele está tão cansado quanto eu… E é claro que ele está ali, me procurando! Parece que nem está cansado, nem se preocupa em se recuperar, só quer me observar, me intimidar, como Ali procurando Foreman antes do oitavo round. Vamos lá, só mais um! Falta pouco!

Só mais três minutos! E que eternidade podem ser esses segundos em frente a um pesadelo. Melhor eu circular bastante, me mover bem de um lado para o outro… Mas o Willie Pep dos pobres não sai da minha frente! Use o jab, use o jab… Eu sei, ora! Mas eu lanço um pouco o braço e ele reage como um raio e coloca o seu próprio jab em frente ao meu! Parece que só está me mostrando o quanto ele é mais rápido, o quanto tudo para ele é mais fácil!

Isso não faz o menor sentido! Como que me colocar para enfrentar um ordinário desses, uma máquina, pode me ajudar a melhorar? O Professor só pode ser louco…

É uma montanha! Um monstro! Troca de base como Hagler, tem o jab do Larry Holmes, a mão deve ser mais pesada que a do Frazier… Não tem por onde! E ainda essa expressão de guerreiro que faria as pernas do Gatti virarem macarrão! Isso tem que terminar logo, ele vai acabar comigo! Eu não posso com um sujeito desses!

Ah, até que enfim! Lá está o Professor chegando próximo a ele. Coloca logo a mão nele, acaba com isso! Eu não vou arrumar nada aqui mesmo, chega! Vamos lá, pode chegar mais perto! Pronto, agora acabou! Ele já está quase puxando o ombro do monstro…

Eita! Que mão fria, Professor!

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  • 4
  1. Ariana disse:

    Será que os monstros são do tamanho do medo?

    09/fevereiro/2016 ás 17:58
  2. eliana mara marcolino disse:

    Flávio, adorei o conto, na minha opinião, o adversário interno sempre é o mais forte.

    10/fevereiro/2016 ás 22:07
  3. Lourdinha Medeiros disse:

    Surpreendente!

    10/fevereiro/2016 ás 22:10
  4. Temer-se a si mesmo: é possível e cruel!

    23/fevereiro/2016 ás 19:06

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