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NOVAS EVIDÊNCIAS DE QUE A DIETA E A FLORA INTESTINAL PODEM INFLUENCIAR A INFLAMAÇÃO CEREBRAL

NOVAS EVIDÊNCIAS DE QUE A DIETA E A FLORA INTESTINAL PODEM INFLUENCIAR A INFLAMAÇÃO CEREBRAL

Edição Vol. 3, N. 12, 27 de Junho de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.06.29.003

Ao contrário do que muitos imaginam, várias doenças que podem acometer nosso cérebro podem ser ou o resultado ou promover um processo inflamatório nele. E esse processo inflamatório pode piorar os sintomas. É o que ocorre, por exemplo, em enxaquecas, esclerose múltipla, doença de Alzheimer, entre outras doenças, provavelmente até a depressão pode ser o resultado de uma inflamação em regiões localizadas do cérebro. Tratar a inflamação pode ser o caminho para a saúde mental. Mais ainda, essa inflamação pode ser devido a uma desregulação das bactérias que colonizam nosso intestino. É, somos o que comemos. Cuide de sua alimentação e terá sua saúde mental restabelecida.

Uma equipe de cientistas da Harvard-affiliated Brigham and Women´s Hospital (BWH) liderados pelo prof Dr. Francisco Quintana, encontrou evidências que sugerem que as bactérias que vivem em nosso intestino podem influenciar remotamente a atividade das células do cérebro que estão envolvidas no controle da inflamação e neurodegeneração (1).

Pela primeira vez, foi possível identificar que o alimento tem algum tipo de controle remoto sobre a inflamação no sistema nervoso central. O que comemos influencia a capacidade de as bactérias no nosso intestino em produzir pequenas moléculas, algumas das quais são capazes de se deslocarem por todo o caminho para o cérebro. Isso abre uma área que está em grande parte desconhecida até agora: Como o intestino controla a inflamação do cérebro. Outra pesquisa que também discutimos aqui, no NANOCELL NEWS, diz sobre como a flora mantêm a saúde do cérebro (2) (veja mais em BACTÉRIAS GARANTINDO A SAÚDE DE SEU CÉREBRO: É Verdade?) e, cada vez mais, o papel da microbiota de nossos intestinos influenciam nossa saúde mental.

Usando modelos pré-clínicos de esclerose múltipla (EM) e amostras de pacientes com EM, a equipe encontrou evidências de que mudanças na dieta e na flora intestinal (flora significa os diversos tipos e número de bactérias que colonizam nosso intestino) podem influenciar os astrócitos no cérebro, e, consequentemente, a neurodegeneração, apontando para potenciais alvos terapêuticos (Figura 1) (1). Os astrócitos são células neurais que regulam a homeostase cerebral e dão sustentação aos neurônios. Juntamente com os neurônios eles processam as informações que chegam ao nosso cérebro. E juntamente com a micróglia, os astrócitos controlam o processo inflamatório cerebral. 

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Figura 1: Pesquisadores encontram evidências de que a dieta e a flora intestinal podem influenciar a inflamação no cérebro. Na imagem é mostrada a imunofluorescência de uma lesão ativa no cérebro de um indivíduo com esclerose múltipla (EM). Fonte: (1)

Investigações anteriores já tinham sugerido uma ligação entre o microbioma intestinal e a inflamação cerebral, mas como os dois estão ligados e como dieta e produtos microbianos influenciam a sua ligação tinham permanecidos desconhecidos. Para clarear essa questão, Quintana e seus colaboradores realizaram análises de transcrição genômica nos astrócitos – em outras palavras, identificaram todos os RNAs mensageiros, as moléculas que produzirão as proteínas, dentro dos astrócitos – em um modelo de camundongos que apresentam a esclerose múltipla, identificando um caminho molecular envolvido na inflamação. Eles descobriram que as moléculas derivadas do triptofano dietético (um aminoácido encontrado na famosa comida Turca e em outros alimentos, dentre eles o chocolate) agem sobre esta via, e que, quanto mais dessas moléculas estão presentes, os astrócitos são capazes de limitar a inflamação no cérebro. Em amostras de sangue de pacientes com esclerose múltipla, a equipe encontrou níveis reduzidos de moléculas derivadas do triptofano (1). Então, provavelmente comer chocolate escuro pode ser um alívio para os sintomas de inflamação cerebral. Sim, tem que ser escuro, já que é o que possui maior variedade de flavonoides, substâncias que podem controlar a inflamação e estimular a memória (3, 4) (vejam mais em CHOCOLATE PODE AUMENTAR A CAPACIDADE DE MEMORIZAÇÃO E BENEFICIAR O CÉREBRO COM ALZHEIMER. E  CHOCOLATE ESCURO É BOM PARA VOCÊ E PARA SEU ‘CORAÇÃO’)

Os déficits na flora intestinal, déficits na dieta ou déficits na capacidade de absorção desses produtos a partir da flora intestinal ou transportá-los a partir do intestino – qualquer um destes pode levar a déficits que contribuem para a progressão da doença.

A equipe de pesquisa pretende investigar este caminho e o papel da dieta em estudos futuros para determinar se as novas descobertas podem ser traduzidas em alvos de intervenção terapêutica e biomarcadores para diagnosticar e detectar o avanço da doença.

O Instituto Nanocell, juntamente com o Prof Rodrigo Resende, a doutorando Vânia Goulart e o Prof Antônio Teixeira, estão trabalhando na busca de biomarcadores para doenças neurológicas e achados em comum com esses dados já foram identificados e a patente em escrita.

 

Fonte: Haley Bridger, BWH Communications

Referências

1.Rothhammer V, Mascanfroni ID, Bunse L, Takenaka MC, Kenison JE, Mayo L, et al. Type I interferons and microbial metabolites of tryptophan modulate astrocyte activity and central nervous system inflammation via the aryl hydrocarbon receptor. Nat Med. 2016;22(6):586-97.

2.Tonelli FCP, Resende RR. BACTÉRIAS GARANTINDO A SAÚDE DE SEU CÉREBRO: É Verdade? Nanocell News. 2015;2(7).

3.Nogueira NDR, Kihara AH, Paschon V. CHOCOLATE PODE AUMENTAR A CAPACIDADE DE MEMORIZAÇÃO E BENEFICIAR O CÉREBRO COM ALZHEIMER. Nanocell News. 2015;2(13).

4.Resende RR. CHOCOLATE ESCURO É BOM PARA VOCÊ E PARA SEU ‘CORAÇÃO’. Nanocell News. 2014;1(8).

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