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NANOPARTÍCULAS PODEM SUPERAR RESISTÊNCIA ÀS DROGAS EM CÉLULAS DE CÂNCER DE MAMA

NANOPARTÍCULAS PODEM SUPERAR RESISTÊNCIA ÀS DROGAS EM CÉLULAS DE CÂNCER DE MAMA

Emerson Alberto da Fonseca, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 3, 21 de novembro de 2013
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2013.11.21.002

Alguns tumores são de difícil tratamento pelo fato de terem mecanismos de resistências (não agem mais de maneira efetiva ou matando as células tumorais) às drogas usadas nas quimioterapias, como acontece em alguns cânceres de mama. Uma nova forma de lidar com essas células tumorais pode estar surgindo em meio às maravilhas inventivas proporcionadas pela nanotecnologia no tratamento de doenças. Nanopartículas carregadas com agentes quimioterápicos podem matar células tumorais resistentes a drogas, segundo trabalho publicado no jornal científico Biomaterials (1).

Essas nanopartículas são menores que muitas proteínas sanguíneas, o que lhes permite explorar todos os cantos mais distantes do nosso organismo, até aquelas células no mais interior dos órgãos. São também capazes de atravessar a membrana das células sadias e doentes, o que é interessante para o tratamento de diversas doenças, como câncer e outras.

Neste estudo, realizado no Karolinska Institutet (Suíça), pelo grupo do professor Dr. Andreas M. Nyström, as nanopartículas feitas a partir de polímeros hiperdendríticos lineares (HBDL, do inglês, hyperbranched dendritic-linear polymers), um tipo de plástico biodegradável, foram capazes de superar estratégias de resistência às drogas das células de tumor de mama. Este tipo de resistência é comum em casos de reincidivas, ou seja, que ocorrem por duas ou mais vezes. Os pesquisadores desse estudo utilizaram as células de câncer de mama que respondem fracamente ao tratamento convencional devido ao elevado nível da enzima microsomal glutationa S-transferase-1 (MGST-1). Essa enzima catalisa (ou promove a reação, de conjugação (ligação) de GSH) – por meio de um grupo sulfidrilo, ou que tenha o enxofre (S) – os centros eletrofílicos sobre uma ampla variedade de substratos, a fim de tornar os compostos mais solúveis. Tal atividade promove a desintoxicação de compostos como os xenobióticos ou os fármacos (remédios) que o paciente recebe. Níveis elevados dessa enzima estão associados com o insucesso de tratamentos com várias drogas antitumorais. Para o experimento, o grupo de pesquisadores tratou as células tumorais com nanopartículas cheias de doxorubicina, quimioterápico usado na clínica para tratar vários tipos de câncer – bexiga, pulmão, ovário, mama e outros.

Foi demonstrado que as nanopartículas por si só são inofensivas, quando cultivadas com cultura de células. Segundo o artigo, é possível fazer a entrega direcionada da droga às células tumorais, o que diminui a quantidade de drogas administrada. Diminuindo a dose, diminuem-se os efeitos adversos da terapia.

Assim como muitos outros estudos, este também mostra que as nanopartículas podem ser usadas para controlar em qual parte do corpo os fármacos devem ser entregues, e até a quantidade necessária pode ser estabelecida. Agora o grupo de pesquisadores estuda estratégias para promover a entrega direcionada, usando peptídeos ou anticorpos que devem ser conjugados com as nanopartículas, para que a terapia seja direcionada à célula tumoral específica, aumentando a quantidade de captação da droga pela célula e diminuindo a dose da droga a ser usada, além de evitar atingir células sadias. 

     
  1. Nanoparticle-Directed Sub-cellular Localization of Doxorubicin and the Sensitization Breast Cancer Cells by Circumventing GST-Mediated Drug Resistance’, Xianghui Zeng, Ralf Morgenstern, Andreas M. Nyström, Biomaterials, corrected proof online 6 November 2013.
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