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MOLÉCULAS SINTÉTICAS QUE MIMETIZAM ANTICORPOS

MOLÉCULAS SINTÉTICAS QUE MIMETIZAM ANTICORPOS

Ricardo Cambraia Parreira, Rodrigo R Resende

Edição Vol. 2, N. 11, 28 de Abril de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.04.27.004

Foram criadas as primeiras moléculas sintéticas que têm tanto as funções de identificação e resposta de anticorpos.

Imagine você ou seu filho doente e ele não tem forças para combater a doença. As doenças são combatidas pelo próprio corpo através de proteínas que são chamadas de anticorpos. Esses anticorpos identificam quaisquer substâncias, células ou qualquer outro material, que sejam estranhas ou não naturais do nosso corpo. Quando esses anticorpos ligam-se a essas substâncias estranhas, que chamamos de antígenos, as células brancas ou glóbulos brancos de nosso corpo reconhecem o anticorpo ligado ao antígeno e os devoram, eliminando-os de nosso organismo (Figura 1). É assim que nosso sistema imune combate as doenças de que somos acometidos. Se nosso corpo falha em reconhecer os antígenos, ou substâncias estranhas ao nosso corpo, a doença se instala (1) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/como-uma-doenca-localizada-pode-levar-a-doencas-sistemicas/).

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Figura 1: Quando micróbios invadem o seu corpo, entram em ação os glóbulos brancos, células especializadas na defesa do organismo que circulam no seu sangue. Os macrófagos e os neutrófilos (dois tipos de glóbulos brancos) eliminam a maior parte dos invasores, engolindo-os num processo chamado fagocitose. Quando identificam uma proteína estranha – o antígeno -, o linfócito B (células B) libera anticorpos, fabricados para matar ou imobilizar um micro-organismo específico. Os anticorpos imobilizam o micróbio invasor, que é logo em seguida destruído por um macrófago. Mesmo depois que a batalha termina, todas as informações ficam armazenadas. Quando o inimigo já catalogado tentar nova invasão, a resposta do sistema imunológico será rápida e fulminante.

As novas moléculas _ mimetizadoras ou imitadoras de anticorpos sintéticos (em inglês, synthetic antibody mimics, SyAMs) _ ligam-se simultaneamente às células doentes e às células que combatem a doença. O resultado é uma resposta imunitária altamente específica, similar à ação de anticorpos naturais humanos (2).

Ao contrário dos anticorpos, no entanto, essas novas moléculas, SyAMs, são compostos orgânicos sintéticos que são cerca de um vigésimo do tamanho de anticorpos. Essas moléculas não provocam reações imunitárias indesejáveis, devido à sua estrutura e serem termicamente estáveis, e tem o potencial para ser administradas por via oral, assim como os medicamentos tradicionais, que são pequenas moléculas.

Essas novas moléculas que imitam anticorpos foram produzidas pelo Dr. David A. Spiegel, um professor de química na Universidade de Yale, nos EUA.

A presente pesquisa analisa especificamente moléculas SyAM usadas para atacar o câncer de próstata. Chamadas SYAM-Ps, elas funcionam primeiramente reconhecendo células cancerosas e se ligam a uma proteína específica sobre a superfície das células cancerosas (Figura 2). Em seguida, elas também se ligam a um receptor de uma célula imunitária, que pode ser um macrófago, por exemplo, que fagocita ou engole as células cancerígenas. Isto induz uma resposta específica que leva à destruição da célula cancerígena.

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Figura 2: As moléculas sintéticas que mimetizam ou imitam os anticorpos, SyAM-Ps, atacam as células cancerígenas da próstata. Elas reconhecem especificamente o antígeno, ou proteína estranha ao nosso organismo, o PSMA, que é uma proteína específica da célula cancerígena da próstata. As moléculas sintéticas SyAM-Os ligam-se tanto às células do sistema imune, como as células B, através dos receptores FcyR que aumentam a resposta imune, e às células cancerígenas. Eliminando as últimas.

Spiegel disse que o processo de síntese e otimização da estrutura das moléculas leva-se um tempo necessário e esforço considerável. Se a verba pública que é desviada pelos corruptos, que no ano de 2014 chegaram a mais de 100 BILHÕES de reais, a cura para o câncer já teria sido descoberta, assim como para a AIDS e, possivelmente, para várias outras doenças.

Também é digno de nota que as moléculas de um tamanho tão pequeno podem reunir dois objetos tão enormes quanto as células e desencadearem uma resposta funcional específica, inteiramente como resultado de interações com os receptores específicos.

Para além do seu potencial para tratar o câncer da próstata, SyAMs podem ter aplicações para o tratamento de outras formas de câncer, HIV e várias doenças bacterianas. Portanto, da próxima vez que votar pensando “Ah, qualquer um vai roubar mesmo…”, pense duas vezes. É melhor tirar o ladrão de cena do que deixa-lo por mais 4 anos.

Referências

1. Parreira RC, Resende RR. COMO UMA DOENÇA LOCALIZADA PODE LEVAR À DOENÇAS SISTÊMICAS. Nanocell News. 2014 09/08/2014;1(17). Epub 09/07/2014.

2. McEnaney PJ, Fitzgerald KJ, Zhang AX, Douglass EF, Jr., Shan W, Balog A, et al. Chemically synthesized molecules with the targeting and effector functions of antibodies. J Am Chem Soc. 2014 Dec 31;136(52):18034-43. PubMed PMID: 25514603. Epub 2014/12/17. eng.

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